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Museu de Arte Antiga aguarda expansão para edifícios na 24 de Julho

O Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, recebeu mais cinco mil peças para o seu acervo nos últimos 60 anos, o mesmo período que aguarda por obras de expansão, anunciadas este ano para edifícios que já foram adquiridos na Avenida 24 de julho.

Museu de Arte Antiga aguarda expansão para edifícios na 24 de Julho
Notícias ao Minuto

08:48 - 13/06/24 por Lusa

Cultura Lisboa

As últimas grandes obras de expansão do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) datam de 1937, "portanto quase há um século", avaliou o diretor da instituição, Joaquim Caetano, contactado pela agência Lusa sobre o ponto da situação do projeto.

Em janeiro deste ano, o então primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Cultura da altura, Pedro Adão e Silva, anunciaram a aprovação, em Conselho de Ministros, de 10 milhões de euros para a aquisição de três edifícios para o projeto de ampliação do museu.

O projeto previa quatro edifícios, um deles adquirido anteriormente pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2016.

Joaquim Caetano disse à Lusa que os três edifícios anunciados em janeiro já foram adquiridos pela empresa de capitais públicos Estamo -- Participações Imobiliárias.

"É uma necessidade sentida e expressa há mais de 60 anos pelos sucessivos diretores do museu", recordou o diretor do MNAA, que acolhe um acervo de mais de 40 mil peças de pintura, escultura e artes decorativas portuguesas, europeias dos séculos XII a XIX.

Para o prosseguimento do projeto "tem de haver um plano prévio do museu, um plano de arquitetura e um concurso para as obras, que terão de ser internacionais porque será uma obra grande", observou o diretor do MNAA.

"Nós já temos um estudo de volumetria e de ocupação global dos espaços, mas só com o os projetistas é que se trabalhará no acerto concreto da museografia", acrescentou Joaquim Caetano.

A necessidade deste projeto está definida há mais de 60 anos, quando já o historiador de arte e especialista em pintura portuguesa João Couto, diretor do MNAA de 1937 a 1962, dizia que o museu precisava de se expandir para expor as coleções.

"Quando [João Couto] se reformou, em 1962, deu uma entrevista dizendo que era absolutamente necessário para cumprir a sua função que o museu crescesse bastante, e a única hipótese era para a Avenida 24 de julho", recordou o atual diretor à Lusa.

Para Joaquim Caetano, este alargamento "é absolutamente fundamental, porque nestes últimos 60 anos, o museu recebeu mais de 5.000 novas peças, em aquisições, doações, algumas de grande volume, em escultura e ourivesaria".

"Por outro lado, todos os museus desta dimensão, nacionais, se renovaram nos últimos 20 ou 30 anos devido às novas necessidades nas áreas técnicas, de conservação e restauro, de reservas, de análise e circulação de peças, que se compadecem muito pouco com edifícios antigos", descreveu, sustentando que atualmente realizam-se muito mais exposições do que há cem anos, e, por isso, "as peças circulam de forma intensa".

Outra razão da necessidade do crescimento do museu tem a ver com a acessibilidade: "Levar o museu à Avenida 24 de julho é para nós essencial porque temos um problema enorme para receber camionetas de visitantes de escolas e turismo. O transporte público também é mais regular e com maior oferta daquele lado do que do lado da Rua das Janelas Verdes".

"Por todas estas razões é imprescindível [avançar com o projeto de expansão]. Agora resta saber se há vontade política para o fazer", disse o responsável pela direção do MNAA.

A concretização do projeto deverá permitir a expansão da área expositiva e das reservas do museu criado em 1884, que alberga tesouros como os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV, e a Custódia de Belém, de Gil Vicente, mandada lavrar por Manuel I e datada de 1506.

Os Biombos Namban, do final do século XVI, registando a presença de portugueses no Japão, e o tríptico "As Tentações de Santo Antão", de Hieronymus Bosch, são outras peças relevantes do acervo do MNAA.

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