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Lisboa exposta enquanto palco de revoluções (já a partir de sábado)

A capital portuguesa foi sendo palco de revoluções ao longo da história, momentos que têm em comum "o sentimento de liberdade" e que o Museu de Lisboa une numa só exposição, a inaugurar no sábado.

Lisboa exposta enquanto palco de revoluções (já a partir de sábado)
Notícias ao Minuto

08:40 - 22/05/24 por Lusa

Cultura Museu de Lisboa

Numa visita guiada à Lusa pela exposição, ainda em montagem, Joana Sousa Monteiro, diretora do Museu de Lisboa, destaca o seu caráter "inédito", no sentido em que se expõe pela primeira vez, num mesmo espaço, "quase todos os momentos de rutura e transformação principais do país" desde o século XIV.

"Esta é a exposição mais importante do Museu de Lisboa deste ano", pela dimensão, pelo investimento e pelo tempo de investigação (começou a ser preparada há dois anos), mas também porque assinala os 50 anos do 25 de Abril e ficará patente até ao início do próximo ano.

"Lisboa em revolução, 1383-1974" mostra como "o espaço público foi sendo apropriado e ressimbolizado a cada mudança de regime e transformação estrutural", realça a museóloga.

Entre história e presente, o Museu assume a intenção de refletir sobre "o que é Lisboa, o que foi Lisboa", quem são os lisboetas, "os mais antigos e os mais novos".

A exposição -- que será inaugurada no sábado, às 17:00, acompanhada por um 'dj set' do músico Luís Varatojo -- foca-se em seis períodos de tensão: 1383-85, 1640, 1820, 1836, 1910 e 1974, promovendo "uma reflexão sobre o conceito em si de revolução", resume Joana Sousa Monteiro.

"É muito engraçado até, para além de curioso e interessante, verificar tantas semelhanças que existem em todos estes períodos", assinala, destacando que há sempre janelas, varandas e torres à mistura.

Reconhecendo que alguns historiadores não colocam 1383-85 e 1840 no conceito tradicional de revolução, o comissário da exposição, Daniel Alves, justifica que são também momentos de "desejo de ganhar novos direitos, ganhar liberdades, ou assegurar os que já existiam".

As revoluções escolhidas estão, portanto, unidas no "sentimento de liberdade", seja pelo direito à independência em 1383 e 1640, pela liberdade de expressão em 1820, pelo reforço da soberania popular em 1838, para acabar com o governo monárquico em 1910 ou pela democracia em 1974.

O investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da NOVA FCSH realça que, "sempre que [...] houve necessidade de transformar, as coisas aconteciam em Lisboa a maior parte das vezes", notando que a Revolução Liberal de 1820 teve origem no Porto, mas "não teria sido o que foi sem o que acontece em Lisboa" depois.

A exposição destaca a ligação dos movimentos revolucionários a determinados locais "mais propensos" da cidade, "o Rossio, por exemplo, aparece em quase todas as revoluções", o Carmo, a Sé, o Terreiro do Paço.

Lisboa "em muitos momentos foi uma cidade revolucionária, por ser capital do reino e depois do país, por concentrar uma posição estratégica importante" e, depois, "por se consolidar como a principal cidade política, económica, social", explica o especialista em História do século XIX.

Logo à entrada, a confirmar isso mesmo, estará um grande mapa das "geografias revolucionárias" de Lisboa.

Joana Sousa Monteiro destaca as "muitas peças originais" que vão ser expostas entre as 135 provenientes do acervo do Museu de Lisboa e a centena de mais de 40 instituições externas (museus nacionais, arquivos e coleções privadas).

Com conteúdos acessíveis a um público alargado (mais desenvolvidos no catálogo), textos curtos (e bilingues, português e inglês) e formatos multimédia, a exposição parte dos sítios onde as coisas aconteceram e de personagens concretas para relatar os acontecimentos.

"Era importante trazer alguns objetos, uma outra forma de apresentar, com mapas interativos, pequenos documentários, que aproxime mais os públicos mais novos", refere o comissário.

A pensar nisso, o percurso da exposição termina com uma urna verdadeira, onde haverá um boletim de voto com perguntas sobre os motivos que justificam uma revolução.

A exposição será acompanhada por um programa paralelo, para escolas, famílias e público em geral, com espetáculos, oficinas, ciclos de conversas e de conferências, visitas guiadas e percursos.

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