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25 Abril. Teatro Extremo estreia peça para assinalar 50 anos da revolução

A peça 'Num Abril e fechar de olhos' aborda a luta de três crianças para conseguirem um parque infantil numa aldeia algarvia, que o Teatro Extremo vai estrear, em Almada, no dia 08 de março.

25 Abril. Teatro Extremo estreia peça para assinalar 50 anos da revolução
Notícias ao Minuto

10:34 - 25/02/24 por Lusa

Cultura 25 de Abril

'Num Abril e fechar de olhos' estará em cena no Teatro-Estúdio António Assunção e visa comemorar o 50.º aniversário do 25 de Abril, disse à agência Lusa a autora do texto, Mafalda Santos, que também encena.

O cenário do musical, que tem direção musical de Artur Guimarães, onde se ouvirão canções de intervenção de José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias, fixa-se numa casa giratória onde decorrem ações diferentes.

Há dois anos, Mafalda Santos, autora e professora de teatro na companhia Teatroesfera, foi convidada por aquela companhia de Almada para redigir um texto para uma peça comemorativa dos 50 anos da Revolução dos Cravos.

Sem pretender elaborar um texto "didático" nem "panfletário", a criadora focou-se "na luta das crianças adolescentes e do que elas fizeram para, de facto, chegar à liberdade", acrescentou.

Mesmo sem terem tido "um "papel fulcral na luta pelo 25 de Abril", "foram das maiores vítimas durante a ditadura" nalgumas localidades portuguesas "onde não lhes era permitido brincar, ter sonhos, ou imaginar".

"Os adolescentes tiveram um papel muito importante nas escolas, nas comunidades, nas associações para um acender de consciência do que era viver sem liberdade, sem igualdade, viver debaixo de um preconceito e de uma pobreza extrema em certas zonas do país", frisou.

A história da peça gira à volta de três crianças entre os 10 e os 12 anos. Rita, a líder, Zé e Clementina moram numa aldeia de pescadores no Algarve, de onde nunca saíram. Alguém que terá ido a Lisboa fez chegar aos jovens a informação de que na capital portuguesa "existiam umas coisas extraordinárias", designadas "parques de engenhocas para brincar".

Os três decidem, então, encetar uma luta na aldeia pelo "direito a terem uma coisa daquelas ali".

Para concretizarem o objetivo, os jovens bateram à porta dos moradores da aldeia, andaram de escola em escola, falaram com familiares e com os donos da mercearia e da única fábrica existente na localidade.

Na caminhada depararam-se com adultos "fechados nas suas próprias realidades", "manchados por aquilo que a ditadura fazia às pessoas". Rostos onde se estampavam "o medo, a angústia e a pobreza" ou a "vaidade do explorador", no caso do dono da fábrica, observou Mafalda Santos.

Apesar da resistência dos adultos, incluindo dos familiares próximos, os três jovens conseguem cumprir o sonho, conquistando um parque para a aldeia.

Uma conquista que, na peça, é apresentada como se fosse um "puzzle", como se o 25 de Abril fosse "puzzle de muitos milhares de peças" e em que "cada peça é uma história de cada português que contribuiu com aquele pedacinho para o caminho para a liberdade".

"Num Abril e fechar de olhos" conta ainda com um jardineiro, o narrador da peça, "uma figura que tudo vê sem interferir". De uma sabedoria "enorme, como se fosse uma figura onírica ou quase divindade", o jardineiro vai "regando os sonhos de todos" e é "o guardião de milhões de histórias sobre o 25 de Abril", concluiu a autora.

Em cena até 14 de abril, com récitas à sexta-feira, às 21:30, ao sábado, às 16:00, e ao domingo, às 11:00, a peça é interpretada por Ana Freitas, Ana Lúcia Palminha, Bibi Gomes, Fernando Jorge Lopes e Pedro Luzindro.

A cenografia é de Marta Fernandes da Silva, a construção cénica de Ricardo Trindade e os figurinos de Alex de Brito.

"Num Abril e fechar de olhos" partirá depois para digressão, com representações já agendadas no Cineteatro Curvo Semedo, em Montemor-o-Novo (18 e 19 de abril), no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Oeiras (10 de maio), e no Centro Dramático de Évora (24 e 25 de novembro).

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