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O Gajo apresenta 'Não Lugar', um disco "transversal em termos sonoros"

Artista lança esta sexta-feira, dia 24 de março, o seu novo álbum. Concertos de apresentação realizam-se em abril, em Lisboa, e em maio, no Porto.

O Gajo apresenta 'Não Lugar', um disco "transversal em termos sonoros"
Notícias ao Minuto

09:40 - 24/03/23 por Natacha Nunes Costa

Cultura O Gajo

O Gajo lança esta sexta-feira, dia 24 de março 'Não lugar', um disco que o guitarrista promete, a nível sonoro, fazer-nos viajar para fora de Portugal.

Além de vários instrumentos do mundo, para o 'Não Lugar', João Morais convidou vários artistas que trazem consigo novas influências e paisagens. Entre eles,  Braima Galissá.

Neste disco, a Viola Campaniça também assume um papel de destaque, transformando o 'Não Lugar' numa proposta de itinerário para a escuta de uma história transcultural do cordofone tradicional procedente da região do Alentejo.

O Notícias ao Minuto esteve à conversa com O Gajo que nos apresentou não só 'Não Lugar' como nos falou das surpresas que tem preparadas para os concertos de apresentação do disco, que se realizam no dia 15 de abril, em Lisboa, e no dia 28 de maio, no Porto.

Lança esta sexta-feira dia 24 de março 'Não Lugar'. Como surgiu este título? 

Este título é inspirado no livro 'Não Lugares' de Marc Augé que é um antropólogo francês. O livro trata de espaços indefinidos onde se cruzam várias referências e onde o passado e o presente se confundem. Estas são questões que me parecem presentes no meu trabalho e por isso achei que seria o nome indicado para o novo disco.

Que tipo de sonoridades podemos encontrar neste seu novo trabalho?

A espinha dorsal eu diria que está sempre ligada aos sons mediterrâneos de herança islâmica pois é para onde me leva o som da Viola Campaniça. Depois misturam-se as minhas referências mais Anglo-Saxónicas ligadas ao Rock e o resultado é um híbrido destes dois. Além disso, a música tradicional Portuguesa, o Folk ou a guitarra de Carlos Paredes são também referências que fazem parte da linguagem do GAJO.

Que papel assume a Viola Campaniça na sua vida? Porque é que a trouxe para este trabalho?

A Viola Campaniça aparece na minha vida depois de quase 30 anos de guitarras eléctricas e serviu como reanimador de uma veia criativa que estava a ficar já um pouco gasta e repetitiva. Ouço muita Música do Mundo com todas as suas referências geográficas e o que quis foi encontrar um instrumento que nos transportasse para esta nossa geografia. Neste momento a Viola Campaniça é já uma parte indissociável do meu trabalho e sinto-me um sortudo por ter encontrado um instrumento com excelente som, bonito, cheio de personalidade, e com uma história ligada a uma terra que também me diz muito, o Alentejo.

Além dos sons do Alentejo, houve também lugar no seu novo disco para sonoridades do mundo. Que outros instrumentos trouxe para este álbum e como é que escolheu os seis artistas que chamou para o ajudarem a fazer 'Não Lugar' ?

À medida que me cruzo com outros artistas, vou apontando aqueles com que gostaria de colaborar, e quando avancei para a gravação deste disco, quis fazer algumas viagens sonoras para fora de Portugal. O Thomas Attar Bellier já tinha colaborado no disco anterior e neste trouxe o seu Electric Saz Turco, o Luís Simões do projecto Saturnia é um amigo de longa data e toca o Sitar indiano, o Ricardo Vignini está em São Paulo, conhecemo-nos pela internet e ele toca a Viola Ressonadora Brasileira, o Braima Galissá é um mestre da Korá Guineense. Cruzámo-nos por acaso em Lisboa e fiquei com o contacto dele. O Vasco Ribeiro Casais do projecto OMIRI, já conheço há bastante tempo e tem percorrido este caminho do tradicional misturado com o contemporâneo e por isso lancei o desafio para fazer algo com a sua Viola Braguesa, e por fim a Voz da Kátia Leonardo que conheci recentemente e cuja voz potente e versátil gostei de ouvir, e assim avancei para a composição da primeira música cantada do GAJO.

Criou 'Não Lugar' entre os meses de maio e setembro de 2022. É um álbum de 'verão' ou é para ouvir todo o ano?

Talvez identifique mais o projeto O GAJO com o outono, mas este disco é bastante transversal em termos de ambientes sonoros e acho que podemos encontrar momentos para todas as estações do ano. A composição deste disco foi iniciada mal recebi a proposta da editora Lusitanian para apoio à gravação de um disco. Aceitei e passados poucos meses tinha o disco pronto para entrada em estúdio.

O que podem esperar os seus fãs dos concertos de apresentação de 'Não Lugar' em Lisboa e no Porto?

Este disco irá contar com uma nova secção rítmica nos concertos de apresentação e o que posso dizer é que está a soar muitíssimo bem. O Isaac Achega é um super baterista e o Francesco é um super baixista e, por isso, a coisa promete. É um disco mais mexido e irei sempre contar com mais um ou dois convidados do disco para acrescentar sabor aos concertos. Na parte visual teremos também novidades pois o vídeo será uma nova ferramenta que irá adornar o espetáculo. Sinto uma grande evolução na sonoridade do GAJO e ao vivo a confiança também é maior. O novo disco será o centro das atenções mas haverá sempre passagens pelos discos anteriores.

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