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Arquitetos que protagonizaram SAAL em 1974 debatem projeto

Realiza-se hoje, no Porto, uma conferência que tem por objetivo debater o Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL), projeto que envolveu arquitetos como Siza Vieira, Souto de Moura ou Gonçalo Byrne, no contexto do pós 25 de Abril.

Arquitetos que protagonizaram SAAL em 1974 debatem projeto
Notícias ao Minuto

06:41 - 10/05/14 por Lusa

Cultura Serralves

De acordo com o Museu de Serralves, os arquitetos Álvaro Siza Vieira, Nuno Portas, Alexandre Alves Costa, Raul Hestnes Ferreira, Jorge Figueira, José António Bandeirinha, Pedro Bandeira e Joaquim Moreno, alguns deles protagonistas do projeto, são esperados na conferência.

Com curadoria do crítico de arte Delfim Sardo, a iniciativa, que acontece passados 40 anos sobre o seu arranque, em consequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, tem como objetivo "debater o processo interdisciplinar" do SAAL.

A ótica do encontro é debater o programa de arquitetura com alguma "distância histórica, mas simultaneamente permitindo a participação de alguns dos seus protagonistas".

O programa SAAL foi iniciado em agosto de 1974 por iniciativa legislativa do então secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, o arquiteto Nuno Portas, tendo sido extinto em outubro de 1976.

Na sua essência, continha a cultura arquitetónica da Revolução de 1974, procurando resolver problemas habitacionais de populações muito carenciadas, numa estratégia orgânica e participada pela comunidade.

Na prática, os arquitetos faziam os projetos com a participação das populações, os moradores construíam e o Estado pagava os materiais.

"As suas consequências para o pensamento sobre a cidade e, sobretudo, para uma visão da arquitetura como processo ativo de produção de cidadania, foram marcantes, não só no contexto das rápidas transformações do Portugal dos anos 1970, mas também como momento de afirmação da arquitetura portuguesa no panorama internacional", recorda o Museu de Serralves.

Esta conferência em Serralves é o ponto de partida de uma discussão que se irá estender ao longo do ano, com a inauguração, a 31 de outubro, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, da exposição "O Processo SAAL: Arquitetura e Participação 1974 -- 1976".

No dia 14 de novembro, será a vez da realização de um colóquio em Coimbra, organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade desta cidade, intitulado "74 14 SAAL # Arquitetura".

O arquiteto Alexandre Alves Costa, que fez parte da Comissão Coordenadora do SAAL, no Norte, disse à Lusa que se devia encontrar um método de reabilitação urbana hoje, com base nas lições de 1974.

Alves Costa confessou não estar interessado em comemorações, mas sim nas recordações e pensamentos teóricos que permitam dizer que, 40 anos depois, "há uma atualidade possível para aquilo" que foi pensado, no contexto da queda da ditadura.

"A minha ideia tem a ver com irmos buscar as pessoas que ainda vivem nas ilhas [habitações de um piso, destinadas à classe operária com um pátio e sanitários comuns], que foram o grande motor do SAAL, no Porto, e tentar encontrar com elas uma metodologia de intervenção no sentido de valorizar a sua habitação, seja recuperando, seja demolindo, conforme as circunstâncias", disse o arquiteto, que acredita haver, neste momento, a possibilidade de um consenso político na cidade, para se avançar nesse sentido.

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