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Encenação 'L'elisir d'amore!', de Donizetti, abre temporada do S. Carlos

Uma encenação "inovadora" da ópera "L'elisir d'amore!" ("O elixir do Amor!"), de Gaetano Donizetti, com direção musical do maestro Antonio Pirolli, abre no sábado a temporada lírica do Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC), em Lisboa.

Encenação 'L'elisir d'amore!', de Donizetti, abre temporada do S. Carlos
Notícias ao Minuto

12:00 - 30/09/22 por Lusa

Cultura Teatro

A encenação é do tenor Mário João Alves, que já várias vezes encarnou o papel de um dos protagonistas, Nemorino, e que, em declarações à agência Lusa, afirmou ter pretendido "inovar" no "sentido de enriquecer a cena" e manter o espectador sempre atento, através de pequenos truques, como o recipiente do elixir nunca estar no mesmo lugar em cena, ou um "apagão" que é criado na segunda parte, antes da festa de casamento.

"Pode-se subverter, mas que haja um motivo, nem que seja enriquecer a cena, que permita dar algum tipo de vivacidade e nos permita usufruir da música de uma forma mais plena", argumentou.

Mário João Alves afirmou que gosta de inovar, "mas não inovar por inovar, pois pode ficar oco", e acrescentou, "não é preciso ir a Marte".

Sobre esta ópera, estreada em maio de 1832, em Milão, e que subiu ao palco do S. Carlos pela primeira vez em 6 de janeiro de 1834, o encenador referiu que não quis "retirar o lado convencional de ambiente de aldeia [centro da dramatização lírica], e dos aldeões, pois esta música tem algo intrínseco rural, e bucólico, que não se deve perder".

"Esta ópera tem um espírito de que gosto muito, é muito poética e, ao mesmo tempo, tem um sentido de humor, é muito frisante, e tem esse lado melancólico, às vezes", disse à Lusa Mário João Alves explicando: "Tentei criar um espetáculo que abrisse espaço a isto, que fugisse aos estereótipos e que procurasse maneiras diferentes de ler determinada frase ou determinado contexto, tirar-lhe uma certa carga".

A ópera conta a história de um amor não correspondido do carteiro Nemorino por Adina, uma jovem inconstante, que é pedida em casamento pelo galante sargento Belcore. Nemorino recorre, entretanto, aos serviços de Dulcamara, um charlatão que afirma ter inventado um elixir que permite conquistar os corações. Entretanto, na aldeia, corre o boato que Nemorino recebeu uma grande fortuna e as jovens mulheres começam a interessar-se por ele, o que enciúma Adina, que o desprezara e se encantara pelo militar.

Dulcamara conta a Adina a venda do elixir a Nemorino, e esta compreende que o carteiro a ama. Nemorino, desgostoso, alista-se, mas Adina pede-lhe que não parta para a guerra, e resgate o contrato castrense feito, mas Nemorino mantém a decisão, pois não teve uma declaração de amor de Adina, que no final da ópera acaba por a fazer: "Prendi, per me sei libero".

Esta produção marca a estreia da soprano Rita Marques no papel de Adina. O restante elenco é constituído pelo tenor Antonio Gares, como Nemorino, o barítono Ricardo Panela, como Belcore, o baixo barítono Ricardo Seguel, no papel de Dulcamara, e a soprano Joana Seara, no da aldeã Giannetta. A eles junta-se o Coro do teatro.

Ao entrar na sala do S. Carlos, o espectador depara-se com um cenário praticamente vazio com duas escadas similares.

"Uma das ideias das escadas foi especular a fantasia, 'o que estará acima'. Em vez de mostrar umas árvores, acho mais estimulante para a imaginação de quem está a assistir estar sempre à procura do que não se vê em palco, ou porque caem aquelas folhas [referindo-se a um dos efeitos cénicos], ou o que estará a acontecer lá em cima", argumentou o encenador.

Em declarações à Lusa, Mário João Alves referiu a sua experiência, "nos últimos anos, muito no âmbito escolar", onde se iniciou, e onde reconhece que "o espaço de experimentação é privilegiado, há um tempo de trabalho estendido". "Os alunos são pessoas a quem temos coisas a dizer e ainda não têm uma personalidade artística definida, há ali muita coisa em que se pode mexer, e isso atrai-me", acrescentou.

Quanto ao que tem feito, profissionalmente, garantiu que tem procurado "fugir ao óbvio, e procurar novas coisas, não sentido de uma novidade, mas novas que não tenham sido feitas ou procurar uma ideia que vá de acordo [com o que quer], sem recorrer a estereótipos, sobretudo".

Como tenor, Mário João Alves atuou em óperas e concertos, no TNSC, no Teatro Régio, em Turim, no La Fenice, em Veneza, no La Monnaie, em Bruxelas, na Brooklyn Academy of Music, em Nova Iorque, no Festival de Ópera de Tenerife, nas ilhas espanholas das Canárias, na Real Ópera de Mascate, e também nos teatros italianos Petruzelli, em Bari, e no Comunale, em Bolonha.

Mário João Alves dirige a companhia Ópera Isto e, entre outras, encenou as óperas "Hänsel und Gretel", de Engelbert Humperdinck, para a Temporada Darcos, em Torres Vedras, "Amahl e os visitantes da noite", de Gian Carlo Menott, para o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, "The pirates of penzance", de Arthur Sullivan, para a Temporada Música no Colégio, em Ponta Delgada, "Pimpinone", de Georg Philipp Telemann, "La canterina", de Joseph Haydn, "Il cavalier Bertone", de Gioacchino Cocchi, e "Bastien und Bastienne", de Mozart, para a Associação Cultural Ritornelo, apresentadas nas ruínas arqueológicas de Conímbriga, em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra.

Nesta temporada do TNSC, em janeiro próximo, vai encenar ainda a ópera "O Rouxinol", de Sérgio Azevedo.

Atualmente, frequenta o doutoramento em Educação Artística, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto.

Para esta produção, e numa linha de proteção ambiental, defendida pela diretora artística do TNSC, Elisabete Matos, "havia o pressuposto que era fazer tudo com coisas que já houvesse no teatro. Exceto duas ou três, nada foi comprado ou construído de raiz, inclusivamente figurinos, foi tudo composto do que já havia".

A ópera "L'elisir d'amore!" abre a Temporada do S. Carlos, no sábado, e volta à cena na segunda e na quinta-feira e no sábado, dia 8 de outubro. A anteceder os espetáculos realizam-se, no Salão Nobre, "Breves Palavras", com o musicólogo Edward Ayres de Abreu, atual diretor do Museu Nacional de Música.

"O que eu gosto mais de explorar à volta do trabalho cénico, nos textos das óperas é ir à procura do que não está dito e deixar um espaço de interpretação às pessoas. Isso é que as ativa e cria respostas para aquilo que estão a ver. Se for tudo dado, mostrado, resta pouco espaço", concluiu Mário João Alves.

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