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Exposição "50 Anos Depois" revela em Serralves obra de Maria Antónia Siza

Uma exposição dedicada à artista Maria Antónia Marinho Leite Siza Vieira (1940-1973), a partir de um conjunto de cem desenhos doados pelo marido, o arquiteto Álvaro Siza, à Fundação de Serralves, vai ser inaugurada em setembro.

Exposição "50 Anos Depois" revela em Serralves obra de Maria Antónia Siza
Notícias ao Minuto

14:03 - 17/08/22 por Lusa

Cultura Serralves

Com curadoria de António Choupina, a exposição vai dar a conhecer -- de 07 de setembro a fevereiro de 2023, na Biblioteca do Museu de Serralves, no Porto - uma seleção de obras sobre papel nunca mostradas publicamente, e revisitar diferentes momentos da extensa obra gráfica da artista.

Considerada uma das figuras mais talentosas da cena artística portuguesa na década de 1960, Maria Antónia Siza deixou uma obra "ainda hoje relativamente pouco conhecida do público em geral", recorda um texto do Museu de Serralves na página oficial na Internet.

A artista produziu um repertório visual singular, alicerçado em múltiplas referências da cultura local, do jazz, do cinema, da literatura e, em particular, nos romances de Eça de Queiroz.

"As suas figuras inquietantes e enigmáticas, não raras vezes representadas em poses contorcidas, exploram as potencialidades do desenho enquanto prática recorrente e compulsória, mas também enquanto território da imaginação e liberdade", descreve o texto sobre a exposição.

A exposição "Maria Antónia Leite Siza. 50 Anos Depois" parte de 100 peças, doadas pelo arquiteto Álvaro Siza em abril de 2022, bem como de um conjunto de pinturas, gravuras, desenhos, cartas e bordados, numa seleção com curadoria do arquiteto António Choupina.

Nascida em 1940, Maria Antónia inscreveu-se aos 17 anos no curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), e o diretor, Carlos Ramos, convidou-a pouco depois a participar na Exposição Magna da instituição, onde teve como mestre Júlio Resende, e como colegas ou amigos artistas como Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro, Armando Alves.

"A qualidade plástica da sua prolífica produção desenvolve-se em simultâneo com a cultura dos anos 1960 em Portugal, alimentada também pelos romances de Eça de Queirós, pelo jazz de Dave Brubeck e pelos filmes de Visconti, Rosi ou Orson Welles, sobre os quais se correspondia assiduamente com Carlos Campos Morais", que viria a coordenar publicações de Álvaro Siza.

A família, a transfiguração corpórea, a centralidade de personagens femininos e "acutilantes comentários sociais, imbuem as obras de múltiplas e misteriosas camadas --- umas efabuladas, outras interpretadas" em viagens por Marrocos (1967), Itália (1968) ou Inglaterra (1970).

Maria Antónia Siza Vieira deixou um legado de mais de 3.000 obras em desenho, guache e bordados, e só expôs uma única vez em vida, na Cooperativa Árvore, no Porto, em 1970, com adaptações póstumas, ainda no Porto (2002), em Madrid (2005), em Zagreb (2016) e em Berlim (2019).

Desaparecida aos 32 anos, a autora está igualmente representada na coleção da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, onde foi exibido ainda em 2019 um núcleo de 36 obras, no Centro de Arte Moderna.

Essa mostra realizou-se pouco depois de uma doação do arquiteto Álvaro Siza à Gulbenkian de 141 obras da artista, algumas expostas pela primeira vez, entre desenhos a carvão, tinta-da-china, guache, bordados e estudos para bordados, com traços figurativos, surrealistas e expressionistas.

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