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Guias-intérpretes do Vale do Côa são fundamentais para a arte paleolítica

Os guias intérpretes do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PACV) são fundamentais para a divulgação da arte paleolítica do território, atuando como mediadores culturais, no maior santuário mundial da arte rupestre a céu aberto, como destaca a Fundação.

Guias-intérpretes do Vale do Côa são fundamentais para a arte paleolítica
Notícias ao Minuto

12:32 - 10/08/22 por Lusa

Cultura Vale do Côa

Passados 26 anos sobre a criação do PACV, que hoje se assinalam, os guias-intérpretes agem como comunicadores que levam ao grande público o saber dos homens e mulheres que, há mais 30.000 gravaram no xisto do Vale do Côa representações do seu mundo, através da fauna que conheciam, deixando testemunho de cavalos, auroques, cabras montesas e veados.

"Os guias intérpretes do PAVC têm uma função fundamental, porque, no fundo, os conhecimentos que os visitantes adquirem no Coa são transmitidos através destes profissionais. O guia é uma peça fundamental na interpretação da arte paleolítica deste território", explicou à agência Lusa a presidente da Fundação Côa Parque (FCP), Aida Carvalho.

Diariamente, os nove guias intérpretes, ao serviço da FCP, têm mais que uma tarefa, ora são condutores de viaturas todo-o-terreno que transportam as pessoas aos núcleos visitáveis, como a Canada do Inferno ou a Ribeira de Piscos, ora são verdadeiros conhecedores de um território singular, sempre com o 'saber na ponta da língua' para elucidar os mais curiosos, ou para fazerem uma chamada de atenção aos mais distraídos, para a preservação destes sítios que são Património da Humanidade.

Aida Carvalho, que também foi guia intérprete no início do PAVC, disse que esta "foi uma experiência maravilhosa".

"Um guia é um contador de histórias. É também alguém que está a gerir um grupo de visitantes em que as idades podem ir dos oito ao 80, num processo em que tem que várias competências e muitas valências, sendo uma experiência marcante e um ensinamento para a vida ", concretizou a atual responsável pela FCP.

Os guias do Côa têm uma função multifacetada e consideram a sua profissão única no mundo, pela diversidade de tarefas.

Uma das primeiras guias intérpretes do PAVC, Aldina Regalo, ao serviço desde 1996, explicou que tudo começou por uma questão de oportunidade, e no início foi uma descoberta.

"Embora haja a profissão de guia, nós partimos para uma profissão única no mundo, porque fazemos exclusivamente visitas guiadas ao Vale do Côa e acompanhamos os visitantes em todo os percursos, enquanto conduzimos a viatura que transporta o grupo", indicou.

Por norma, cada guia leva um grupo de oito pessoas, lotação máxima da viatura 4x4, e faz três visitas por dia, dependendo dos horários.

"No início da minha atividade o que mais me perguntavam era o porquê da paragem da construção da barragem em detrimento da arte rupestre. O projeto era recente, o que despertava curiosidade", explicou Aldina Regalo.

Para a guia intérprete, o património arqueológico do Vale do Côa é muito maior do que qualquer interesse económico ou financeiro.

Os guias do Côa são praticamente uma enciclopédia no que respeita ao conhecimento da Arte do Côa, criando-se laços entre visitantes e estes profissionais, que podem ficar para uma vida.

Uma das guiais mais recentes do PAVC, Marina Castanheira, que iniciou a sua atividade em 2019, contou que tudo começou pela sua formação em História e proximidade da sua cidade, a Guarda.

"Adoro o que faço. Sou uma apaixonada pelas visitas aos núcleos rupestres do Côa. Não só por ser uma guia intérprete, mas por poder partilhar tudo o que nós temos aqui com os visitantes que nos procuram todos os dias. Para mim acaba por ser um privilégio, porque estamos a trabalhar com um património único no mundo e que é da Humanidade e uma das primeiras formas de comunicação de nossa espécie", vincou.

Contudo, se é uma profissão apaixonante, também tem as suas amarguras.

Alguns destes profissionais multifacetados estão em fim de contrato de trabalho e não vêm um futuro muito risonho, depois de alguns anos de dedicação a um património que mundial que é e da humanidade.

No PAVC, no troço final do rio Côa, localizam-se mais de 80 sítios com arte rupestre e cerca de 1.200 rochas gravadas, num território de cerca 200 quilómetros quadrados, abrangendo áreas dos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Mêda, no distrito da Guarda.

Este "extraordinário" conjunto rupestre, como assim é interpretado pelos investigadores, distribui-se ao longo de dois eixos fluviais principais: do rio Côa, numa extensão de cerca de 30 quilómetros, e também do rio Douro, ao longo de cerca 15 quilómetros, para ambos os lados após a embocadura do Côa.

Em consequência do reconhecimento do interesse patrimonial e cultural deste conjunto de achados, foi criado, em 10 de agosto de 1996, o PAVC com a missão de gerir, proteger, investigar e mostrar ao público a arte rupestre.

A chamada "Arte do Côa" situa-se entre os 25.000 e 30.000 anos, e é dado a conhecer por um conjunto de guias, técnicos, arqueólogos, entre outros trabalhadores, há 26 anos.

Leia Também: 'Como devem ser as cidades' a partir de sexta no Pavilhão do Conhecimento

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