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Alec Benjamin: "Os artistas não são apenas a arte que produzem"

O Notícias ao Minuto esteve à conversa com Alec Benjamin durante a mais recente edição do NOS Alive.

Alec Benjamin: "Os artistas não são apenas a arte que produzem"
Notícias ao Minuto

13:19 - 12/07/22 por Ema Gil Pires

Cultura Alec Benjamin

Foi um dos nomes que esteve em maior destaque no Palco Heineken nesta última edição do NOS Alive, que decorreu no Passeio Marítimo de Algés, em Lisboa. Aos 28 anos, o norte-americano Alec Benjamin é já conhecido internacionalmente pelas suas canções indie pop que, como explicou em entrevista ao Notícias ao Minuto, partem das suas próprias questões pessoais e das suas experiências de vida.

Para além de ser um intérprete, é um contador de histórias que tem John Mayer, Paul Simon e Billy Joel no leque das suas principais influências. Depois de ter feito sucesso em Portugal graças ao lançamento da música 'Let Me Down Slowly', Alec Benjamin atuou na quinta-feira, pela primeira vez, em território nacional. O estilo sincero e sentimental das suas canções convenceram o público, predominantemente juvenil, que não escondeu a felicidade por ver o artista ao vivo pela primeira vez.

O Notícias ao Minuto falou com o cantor e compositor no dia do concerto, sobre temas como o impacto que a pandemia teve no processo criativo, a importância que o momento da partilha tem para o mesmo e as várias dimensões que fazem parte do trabalho de um artista.

Nas primeiras horas em Portugal tive a oportunidade de dar logo um mergulho no mar, a comida é ótima e as pessoas são muito queridas

Esta foi a tua primeira vinda a Portugal em digressão. Como foi a experiência?

Foi uma boa experiência. Nas primeiras horas em Portugal tive a oportunidade de dar logo um mergulho no mar, a comida é ótima e as pessoas são muito queridas, portanto não me posso queixar. Foi muito entusiasmante, desfrutei bastante. 

Tu és, também, o responsável pela escrita das tuas canções, não te limitas apenas a interpretá-las. Com qual destas dimensões te identificas mais? Com a de músico ou a de contador de histórias?

Eu diria que a música que eu faço e que as histórias que eu conto são um reflexo daquilo que eu sou enquanto ser-humano e, numa última instância, a minha vontade de fazer música tem na sua base o desejo que eu tenho de comunicar com as pessoas. Por isso, o mais importante para mim é ter a possibilidade de expressar a minha verdade e, de certo modo, dizer às pessoas quem eu sou e tudo aquilo que é importante para mim. Numa última instância, o que eu tenho para dizer é o mais importante. Independentemente de usar uma história, uma melodia ou um ritmo para comunicar essa mensagem, tudo isso é menos importante do que a mensagem em si mesma.

Dirias que a tua mensagem está frequentemente relacionada com aquilo que são as tuas experiências pessoais?

Muitos dos temas sobre os quais gosto de falar inspiram-se em questões que eu tenho e tento encorajar as outras pessoas a fazerem essas mesmas perguntas. Até podem existir outras pessoas que tenham já feito essas mesmas questões também e que estão à procura de outros com pensamentos semelhantes e com quem se identifiquem. 

Como começou a tua carreira na música? É uma relação já de há vários anos?

Foi apenas algo com o qual me deparei. Comecei a tocar guitarra quando tinha 14 anos. Estava num campo de férias de verão e um dos meus amigos que já tocava guitarra na altura começou a dar uns acordes e eu comecei a cantar. As pessoas à nossa volta começaram a ouvir-me de uma forma que nunca antes tinham ouvido. E isso fez-me sentir algo que nunca tinha sentido antes. Na altura já havia muito que queria dizer e pensava que muitas vezes as pessoas não queriam ouvir-me porque eu era irritante - mas que se eu conseguisse encontrar uma forma de cantar as coisas que tinha para dizer elas, talvez, estivessem mais recetivas. 

Todo o artista tem as suas próprias influências. Quais são as tuas?

Os meus pais são certamente a minha principal influência.

E a nível musical? Quem te inspira musicalmente?

Diria, essencialmente, o Paul Simon, o Billy Joel, o Leonard Cohen, o John Mayer, o Jason Mraz, o Bob Dylan... Adoro pessoas que sejam conscienciosas acerca daquilo que estão a fazer.

Hoje em dia, os artistas têm inúmeras plataformas que podem usar para partilhar as suas músicas e comunicar com os fãs. Achas que é um meio indispensável para que os músicos possam promover os seus trabalhos ou, na tua perspetiva, tudo isso acaba por 'matar' um pouco a essência e o propósito da criação artística?

Eu tento não pensar muito sobre isso porque julgo que não importa muito como me sinto em relação a isso. Penso que, numa última instância, em tenho de fazer aquilo que é preciso. Os artistas não são apenas a arte que produzem. É preciso ter consciência que há muitas outras coisas que precisam de fazer para promoverem a sua música e que o seu trabalho não implica apenas o processo de criação. Ser um artista é também ter a capacidade de conseguir esse equilíbrio. Posso não gostar, mas tenho de o fazer.

Certos problemas que já existiam no mundo foram tidos em maior consideração porque acabámos por ter mais tempo para observar e, por isso mesmo, foram intensificados

Estás atualmente em digressão. Como está a correr? É uma parte do trabalho de músico que te dá tanto gozo como o próprio processo criativo?

Eu acho até que é uma parte importante do processo criativo, é o momento do feedback. E este foi um dos maiores desafios provocados pela pandemia. Preciso de perceber de que forma as pessoas reagem às minha canções. Durante a pandemia, não tive esse feedback, o que tornou tudo bem mais difícil. Até porque eu adoro estar em palco, é o que gosto mais de fazer enquanto artista. Ter a oportunidade de comunicar com o público em tempo real.

Claro que, com as redes sociais, nós enquanto artistas temos a possibilidade de estar constantemente a refrescar as nossas páginas e ver quantas pessoas gostam ou não do que partilhamos. Mas quando atuamos ao vivo, eles estão ali à nossa frente. Consegues perceber imediatamente se o público gosta ou não. Seja bom ou mau, eu só quero saber a sua opinião. 

Falando precisamente sobre a pandemia, consideras que a mesma teve qualquer influência no teu processo criativo?

Claro. A pandemia deu-me algum tempo e espaço para fazer uma pausa, mas muita coisa 'louca' também aconteceu durante esse período. Certos problemas que já existiam no mundo foram tidos em maior consideração porque acabámos por ter mais tempo para observar e, por isso mesmo, foram intensificados. A pandemia foi um 'microscópio' que ampliou todos estes temas. Se existiam temas que, antes da pandemia, não me sentia tão confortável em abordar, naquele momento conclui que teria de o fazer.

Então, a nível criativo, talvez a pandemia tenha trazido alguns novos 'inputs' positivos para a tua escrita.

Isso não sei, mas espero que o novo álbum ['(Un)Commentary'] que criei durante esse período se saia bem. Pode ou pode não ter sido positivo, mas parece estar a correr bem até agora. 

Como perspetivas o teu futuro enquanto artista? O que gostaria de fazer e de conquistar?

Existem muitas coisas em que preciso de trabalhar fora da música, que passam por tornar-me um melhor ser-humano, amigo, filho e até irmão. Penso que isso vem primeiro. As questões musicais vêm depois. E preciso ainda de mudar os meus hábitos alimentares, de ter uma perspetiva mais positiva e de libertar-me de todos os mais hábitos que adquiri durante a pandemia - e só depois focar-me em todas as questões artísticas.

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