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Pré-publicação do novo livro do Papa Francisco, amanhã nas bancas

O Notícias ao Minuto publica em exclusivo um excerto desta obra editada pela Dom Quixote, detalhando a visão do Papa Francisco.

Pré-publicação do novo livro do Papa Francisco, amanhã nas bancas

A Dom Quixote edita, esta próxima terça-feira, 5 de julho, o manifesto em forma de livro, 'Contra a Guerra, A Coragem de Construir a Paz', escrito pelo Papa Francisco, na qual o bispo de Roma e chefe da Igreja Católica afirma que o que está a acontecer na Ucrânia é “uma barbárie”, “um sacrilégio” que temos de deixar de alimentar. 

O Papa apela à construção da paz e critica a falta de memória da Humanidade, sublinhando que “precisamos de diálogo”, “criatividade diplomática” e “uma política de longo alcance capaz de construir um novo sistema de convivência que não se baseie mais nas armas, no poder das armas e na dissuasão".

Leia aqui o excerto do livro:

Acumulámos armas e perdemos a paz

"Extraviámo-nos no caminho da paz. Esquecemos as lições das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Desatendemos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a trair os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Estamos doentes de avidez, encerrámo-nos em interesses nacionalistas, deixámo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com a nossa falsidade, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos de que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Arrasámos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do Nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Com a guerra, ninguém vence. Tornámo-nos indiferentes a todos e a tudo, menos a nós mesmos. E, envergonhados, dizemos: “Perdoa-nos, Senhor!”

De que serve mostrar os dentes? 

É já evidente que da cultura do poder entendido como domínio e opressão não pode vir uma boa política, que apenas pode vir de uma cultura da solicitude, solicitude para com as pessoas e a sua dignidade e solicitude para com a nossa casa comum. A prova, infelizmente negativa, é a guerra vergonhosa a que estamos a assistir. Penso que para aqueles de vós que pertenceis à minha geração seja insuportável ver aquilo que sucedeu e está a suceder na Ucrânia. Mas isto é, infelizmente, fruto da velha lógica de poder que ainda domina a chamada geopolítica. A história dos últimos setenta anos demonstra-o: nunca faltaram guerras regionais; por isso eu disse que estávamos numa Terceira Guerra Mundial em peças soltas, um pouco por toda a parte; até chegarmos a esta, que tem uma dimensão maior e ameaça o mundo inteiro. Mas o problema de fundo é o mesmo: continua-se a governar o mundo como um «tabuleiro de xadrez», onde os poderosos estudam os movimentos destinados a alargar a sua preponderância em detrimento dos demais.

A verdadeira resposta, portanto, não são novas armas, novas sanções. Envergonhei-me quando li que um grupo de Estados se comprometeu a despender dois por cento, creio, do PIB na aquisição de armas, como resposta ao que está a suceder agora. Que loucura! A resposta, como disse, não são outras armas, outras sanções, outras alianças político-militares, mas uma outra postura, um modo diferente de governar o mundo agora globalizado – não mostrando os dentes, como agora – uma maneira diferente de abordar as relações internacionais. O modelo da solicitude já está em prática, graças a Deus, mas ainda está infelizmente submetido ao do poder técnico-militar.

Com a guerra, ninguém vence

As notícias das pessoas desalojadas, das pessoas que fogem, das pessoas mortas, das pessoas feridas, de tantos soldados caídos de um lado e doutro, são notícias de morte. Peçamos ao Senhor da vida que nos liberte desta morte da guerra. Com a guerra, perde-se tudo, tudo. Não há vitória numa guerra: tudo é derrota. Que o Senhor envie o seu Espírito para nos fazer compreender o que devemos fazer em vez de travar guerras. O Espírito do Senhor nos livre a todos desta necessidade de autodestruição que se manifesta na guerra. Rezemos também para que os governantes compreendam que comprar armas e fazer armas não é a solução do problema. A solução é trabalharmos em conjunto pela paz e, como diz a Bíblia, fazer instrumentos de paz.

Gastar dinheiro em armas enodoa a alma

Porquê, então, fazermos a guerra por causa de conflitos que deveríamos resolver falando uns com os outros, de homem para homem? Porque não unir antes as nossas forças e os nossos recursos para travarmos juntos as verdadeiras batalhas da civilização: a luta contra a fome e contra a sede; a luta contra as doenças e as epidemias; a luta contra a pobreza e a escravidão dos nossos dias. Porquê? Certas escolhas não são neutras: destinar às armas grande parte da despesa é tirá-la a outras coisas, o que significa continuar a tirá-la uma vez mais a quem não tem o necessário. E isto é um escândalo: as despesas em armas. O que se gasta em armas, terrível! Não sei qual é a percentagem do PIB, não sei, não me ocorre a cifra exata, mas é uma percentagem alta. E gasta-se em armas para fazer as guerras, não só esta, que é gravíssima, que estamos a viver agora, e sentimo-la mais porque nos está próxima, mas em África, no Médio Oriente, na Ásia, nas guerras contínuas. Isto é grave. É preciso criar a consciência de que continuar a gastar dinheiro em armamento enodoa a alma, enodoa o coração, enodoa a humanidade. De que serve empenharmo-nos todos em coro, solenemente, a nível internacional, nas campanhas contra a pobreza, contra a fome, contra a degradação do planeta, se depois recaímos no velho vício da guerra, na velha estratégia do poder dos armamentos, que leva tudo e todos para trás? Uma guerra leva-nos sempre para trás, sempre. Andamos para trás. Será preciso recomeçar de novo."

'Contra a Guerra, A Coragem de Construir a Paz', manifesto do Papa Francisco, chega às bancas esta terça-feira, 5 de julho.

Notícias ao Minuto © D.R.

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