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Sueco Ruben Östlund vence segunda Palma de Ouro com 'Triangle of Sadness'

O cineasta sueco Ruben Östlund recebeu hoje a sua segunda Palma de Ouro em Cannes, com a comédia 'Triangle of Sadness', uma sátira que ridiculariza os ricos e o culto do dinheiro e da imagem no mundo ocidental.

Sueco Ruben Östlund vence segunda Palma de Ouro com 'Triangle of Sadness'
Notícias ao Minuto

22:53 - 28/05/22 por Lusa

Cultura Palma de Ouro

Depois de ganhar pela primeira vez o prémio mais importante do Festival de Cannes há cinco anos, em 2017, com o filme "The Square", o cineasta sueco de 48 anos repetiu o feito com aquele que foi unanimemente considerado o filme mais divertido da competição.

'Triangle of Sadness', o primeiro filme de Östlund em inglês, segue as peripécias de Yaya e Carl, um casal de manequins e 'influencers' de férias num cruzeiro de luxo -- uma viagem que se transforma num desastre.

Numa espécie de 'Titanic' invertido, onde os mais frágeis não são necessariamente os perdedores, o filme disseca as dicotomias sociais de um extremo ao outro: ricos contra pobres, mas também homens contra mulheres e brancos contra negros.

O Grande Prémio, a segunda distinção mais prestigiada do certame, foi nesta 75.ª edição atribuído 'ex-aequo' à francesa Claire Denis, por 'Stars at Noon', e ao belga Lukas Dhont, o benjamim da competição, com 31 anos, por um retrato da infância intitulado "Close".

O galardão de Melhor Realização foi este ano para 'Decision to leave', do sul-coreano Park Chan-wook, e o de Melhor Argumento para 'Boy from Heaven', do dinamarquês de origem egípcia Tarik Saleh.

Os filmes 'Le Otto Montagne', do casal belga Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersch, e 'Eo', do polaco Jerzy Skolimowski, venceram 'ex-aequo' o Prémio do Júri do certame.

Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro com os filmes 'Rosetta' (1999) e 'L'enfant' (2005), receberam por 'Tori and Lokita', drama social sobre jovens exilados, o prémio especial pelo 75.º aniversário do Festival de Cannes.

A atriz iraniana Zar Ami Ebrahimi recebeu o prémio de Interpretação Feminina, pelo seu papel em 'Holy Spider', de Ali Abbasi, e o ator sul-coreano Song Kang-ho (conhecido pelo papel de pai no filme 'Parasita') foi distinguido pelo papel desempenhado em 'Broker', do japonês Hirokazu Kore-eda, com o prémio de Interpretação Masculina desta edição do festival, inaugurada em 17 de maio.

O filme 'War Pony', co-realizado pela atriz e modelo norte-americana Riley Keough, neta de Elvis Presley, e por Gina Gammell, conquistou o galardão Câmara de Ouro, concedido à melhor obra-prima de todas as secções do festival.

O júri, presidido pela atriz espanhola Rossy de Palma, destacou a qualidade de um filme que "transforma [quem a ele assiste] e questiona sobre a memória".

A ação do filme, que competia na mostra paralela Un Certain Regard, a segunda mais importante do certame, situa-se na reserva ameríndia de Pine Ridge, no Estado norte-americano do Dakota do Sul, e acompanha dois jovens da tribo Lakota, um de 23 anos determinado a viver o "sonho americano" e outro de 11 impaciente por se tornar um homem.

Uma menção especial foi atribuída a 'Plan 75', um filme sobre a eutanásia da cineasta japonesa Chie Hayakawa, também exibido na secção Un Certain Regard, que imagina um futuro em que, como solução para o impacto do crescente envelhecimento da população, se oferece aos maiores de 75 anos a possibilidade de receber a eutanásia voluntária.

A Palma de Ouro para a melhor curta-metragem desta 75.ª edição do Festival de Cannes foi para a cineasta chinesa Jianying Chen, por 'Hai bian sheng qi yi zuo xuan ya', e o júri atribuiu ainda uma menção especial ao nepalês "Lori", de Abinash Bikram Shah.

Do cinema português este ano presente em Cannes, estreou-se fora de competição 'Restos do Vento', de Tiago Guedes.

Na competição pela Palma de Ouro, esteve 'Pacifiction -- Tourment sur les îles', do espanhol Albert Serra, com coprodução portuguesa.

Nos programas paralelos do festival, na Quinzena de Realizadores esteve 'Fogo-Fátuo', de João Pedro Rodrigues, e na secção Cannes Classics 'O silêncio de Goya', coprodução franco-hispano-portuguesa dirigida por José Luis López-Linares.

Na Semana da Crítica, apresentou-se 'Ice Merchants', curta-metragem de animação de João González que acabou distinguida com o Prémio Descoberta Leitz Cine, 'Alma Viva', primeira longa-metragem da luso-francesa Cristèle Alves Meira, e 'Tout le monde aime Jeanne', primeira obra da francesa Céline Devaux, rodada em Lisboa e com coprodução portuguesa pela O Som e a Fúria.

O filme 'Mistida', de Falcão Nhaga, esteve presente no programa La Cinef do Festival, dedicado a obras feitas em contexto escolar.

Leia Também: Look da Semana: Sara Sampaio leva beleza portuguesa a Cannes

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