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Filarmónica de Cardiff remove peças de Tchaikovsky devido à invasão russa

A arte russa tem sido contestada um pouco por todo o mundo, mas é na música clássica que há mais disputas, desde compositores a maestros.

Filarmónica de Cardiff remove peças de Tchaikovsky devido à invasão russa

Pyotr Ilyich Tchaikovsky é um dos mais aclamados compositores russos de sempre e as suas obras foram usadas durante a era soviética como protesto contra o regime. Não o impediu de ver a sua obra removida de um programa por causa da invasão russa.

A orquestra filarmónica de Cardiff, no País de Gales, anunciou no Twitter que a icónica peça '1812 Overture' iria ser retirada do programa por ser "inapropriada para esta altura".

A obra é comemora a defesa do território russo contra a invasão de Napoleão Bonaparte, e inclui o uso muito peculiar e único de canhões na composição.

Vários artistas queixaram-se da decisão nas redes sociais, considerando que a remoção de uma obra de Tchaikovsky é um passo a mais na indignação pela invasão russa na Ucrânia.

Um comediante britânico, Geoff Norcott, afirmou que "cancelar um concerto de Tchaikovsky é tão ordinário que os russos vão achar que o Vlad maluco está a exagerar na propaganda". Já a violoncelista Max Weiss argumentou que "as pessoas têm de se controlar". "Tivemos concerto no sábado. Começamos o programa, pertinentemente, com o hino nacional ucraniano. Depois prosseguimos com o concerto para piano n.º 1 de Tchaikovsky".

Ao The Guardian, o diretor da orquestra, Martin May, justificou a decisão com o facto de "um membro da orquestra ter família diretamente envolvida na situação da Ucrânia" e pela obra ter dois temas com uma temática militar.

"Também nos foi dito que o título 'Pequeno Russo', da segunda sinfonia, é considerado ofensivo para os ucranianos. Apesar de não haver planos para repetir o concerto de Tchaikovsky neste momento, não temos planos para mudar os nossos programas de verão e outono que incluem peças de Rachmaninoff, Prokoviev e Rimsky-Korsakov", acrescentou o diretor. 

Apesar da peça '1812 Overture' representar um sucesso militar russo, o próprio Tchaikovsky era muito afastado de ideologias nacionalistas. Aliás, o compositor incorporou muito folclore ucraniano nas suas obras e procurou levar a sua música mais para Ocidente, abrindo caminho para os grandes compositores russos do final do século XIX, como Rimsky-Korsakov, Rachmaninoff, Prokofiev, Scriabin ou Stravinsky.

E as ligações políticas de Tchaikovsky não param aqui. Recentemente, uma televisão independente russa usou uma transmissão da era soviética do 'Lago dos Cisnes' para protestar contra o encerramento da estação pelo Kremlin.

Além disso, a suposta homossexualidade do compositor sempre foi escondida pelo regime russo e por historiadores russos, devido aos ataques aos direitos da comunidade LGBT+ que fazem parte da política russa (Putin chegou a dizer que a homossexualidade era um "distúrbio sociocultural").

Apesar de algumas acusações nas redes sociais sobre livrarias que retiraram livros de Tolstoi e Dostoievski devido à invasão russa, estes relatos não foram ainda confirmados por nenhum órgão de comunicação social fidedigno.

No entanto, pelo menos três maestros foram afastados de cargos ou concertos por causa da guerra. Pavel Sorokin foi demitido da Royal Opera House, Valery Gergiev foi retirado do programa em Carnegie Hall e Tugan Sokhiev demitiu-se do Teatro Bolshoi e da Orquestra de Toulouse.

Leia Também: TV russa que foi encerrada emite 'Lago dos Cisnes' em protesto simbólico

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