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Guitarrista Bernardo Couto assume "tradição fadista lisboeta"

O guitarrista Bernardo Couto apresenta, no próximo dia 17, em Lisboa, o seu álbum de estreia, em nome próprio, ao qual se refere como um "compromisso com a tradição fadista lisboeta", em entrevista à agência Lusa.

Guitarrista Bernardo Couto assume "tradição fadista lisboeta"

Para o músico de 41 anos, este disco demonstra a vontade de deixar o seu contributo, e renovar o repertório guitarrístico lisboeta, pois entende que se "anda a tocar sempre as mesmas guitarradas".

O álbum é constituído por 12 temas, 11 deles de sua autoria e, um, "Valsa de Petroline", do guitarrista Luís Carlos da Silva, que morreu no final da década de 1920, popularmente conhecido por 'Petrolino'. O músico, bastante conhecido no seu tempo, tocou além-fronteiras, nomeadamente na Rússia, antes da revolução de outubro de 1917, que destituiu o czar Nicolau II.

A "Valsa de Petroline", de Luís Carlos da Silva, natural de Setúbal, foi gravada com arranjos do músico Pedro Caldeira Cabral. 

Bernardo Couto gravou acompanhado à viola por Bernardo Saldanha, cuja "cumplicidade" musical considerou "essencial" para o resultado.

"Foi um disco de amigo", disse, sublinhando ainda "o talento de Frederico Gato [na captação de som] e de Edu Miranda [na mistura e masterização]".

"Toada Menor" abre o álbum, o 12.º da coleção editada pelo Museu do Fado, instituição que o guitarrista assinalou pela sua "abertura aos novos nomes, incentivando a criação".

Bernardo Couto realçou "a especificidade fadista lisboeta que se intui e traduz nos acordes" desta composição. "Uma tradição que se apreende", disse.

Este álbum "é dedicado a duas pessoas muito importantes na minha vida e que faleceram no decurso da pandemia: a minha mãe, Amélia, a quem dedico um fado, e ao meu mestre Carlos Gonçalves, a quem dedico o tema 'Toada Menor", disse o músico à Lusa.

Do alinhamento fazem ainda parte "Guitarrada n.º 1", "Vira de S. Domingos", "Fado Amélia", "Variações em mi menor", "Corridinho de Arroios", "Variações em Si", "Variações JF" e "O Meu Corrido".

"Dar-me-ia um enorme prazer, numa noite entrar numa casa de fados e ouvir colegas meus a tocarem uma destas guitarradas", disse à Lusa.

Bernardo Couto apresenta o álbum, no dia 17 de dezembro, às 19:00, no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, acompanhado por Bernardo Saldanha (viola).

O concerto faz parte do ciclo "Há Fado no Cais", uma parceria com o Museu do Fado, e é transmitido em 'streaming' às 21:30.

Bernardo Couto toca guitarra portuguesa desde os 14 anos. O seu primeiro mestre foi Carlos Gonçalves (1938-2020), músico que compôs para Amália e que acompanhou em vários espetáculos. Posteriormente, estudou com Paulo Parreira, Ricardo Rocha e Pedro Caldeira Cabral.

Como músico acompanhador, Bernardo Couto tocou, entre outros, com Camané, Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Cristina Branco, Mísia e Raquel Tavares.

Bernardo Couto faz parte do Lisboa String Trio (LST), com o guitarrista José Peixoto e o contrabaixista Carlos Barretto, e também do grupo SUL, com o pianista Luís Figueiredo e o contrabaixista Bernardo Moreira.

Atualmente, está igualmente a trabalhar com o bandoneonista argentino Martín Sued e toca regularmente na casa de fados Mesa de Frades, em Lisboa.

Leia Também: Morreu o guitarrista Ricardo do Carmo, irmão de Xana dos Rádio Macau

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