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Museu Romântico. Herdeira de parte do espólio diz não ter recebido peças

Uma das herdeiras de parte do espólio do Museu Romântico do Porto, que foi notificada para receber cinco peças, revelou hoje que nunca as recebeu e que se a reconfiguração do espaço se mantiver vai exigir a sua devolução.

Museu Romântico. Herdeira de parte do espólio diz não ter recebido peças
Notícias ao Minuto

23:28 - 26/11/21 por Lusa

Cultura Porto

À agência Lusa, Maria Luiza Ramalho Ortigão, herdeira de parte do espólio do Museu Romântico do Porto e também sobrinha bisneta do escritor Ramalho Ortigão, revelou hoje à Lusa que as cinco peças do período romântico foram depositadas em 1976 por um familiar muito ligado à cultura da cidade com a "vontade expressa de serem expostas no Museu do Romântico".

A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico, reabriu portas a 28 de agosto, tendo sido a sua remodelação criticada pelos diferentes partidos políticos e alvo de uma petição, hoje com mais de 4.000 assinaturas, que pede a reposição da decoração interior oitocentista.

Maria Luiza Ramalho Ortigão, que aquando da reconfiguração do Museu Romântico do Porto escreveu uma carta ao Presidente da República, foi contactada, em meados de julho, por um funcionário do museu a propósito do processo de devolução das peças que compunham parte do espólio daquele espaço.

"Nessa altura não percebi a razão da devolução e até pensei que fosse por excesso de peças e falta de espaço nas reservas", observou, acrescentando que "nada foi dito quanto à razão da devolução das peças".

A devolução viria a ser confirmada em meados de agosto, quando Maria Luiza Ramalho Ortigão visitou presencialmente o museu para avaliar o estado das peças e agendar a data de entrega, que "seria efetuada num curto prazo de tempo".

"Essa devolução nunca chegou a acontecer e até hoje nada recebi, apesar de várias chamadas telefónicas efetuadas nesse sentido", revelou, acrescentando que lhe foi dito que "estava tudo suspenso" e que "andavam à procura dos outros dadores, que entretanto tinham sido ressarcidos das suas peças, no sentido de as devolverem".

"Após telefonema, entretanto efetuado há cerca de três semanas, continuam sem saber qual a decisão final do pelouro da cultura relativamente a este assunto", salientou.

À Lusa, Maria Luiza Ramalho Ortigão afirmou que se o museu voltar à sua forma inicial, de "conteúdo 100% romântico", não pretende receber as peças depositadas, mas que se os responsáveis "insistirem em manter" a atual reconfiguração exigirá as mesmas.

"Exigirei a devolução das peças que me pertencem por direito, especialmente o quadro do meu tetravô, que não admito que seja colocado, embrulhado em jornal, num qualquer armazém, virado para a parede", realçou, referindo-se a um quadro a óleo de grande dimensão do seu tetravô (lado materno) de nome Castro e que a tia queria que fosse colocado num lugar de destaque.

Em agosto, aquando da visita do Presidente da República ao Museu Romântico do Porto, a herdeira de parte do espólio entregou "em mãos" uma carta a Marcelo Rebelo de Sousa e ao presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, mostrando a sua "indignação" por aquele espaço ter ficado "vazio, de paredes nuas, pintadas de roxo, com quadris de arte contemporânea pendurados aleatoriamente".

"Na qualidade de portadora de um nome que nunca se calou face às diatribes da vida, tenho a estrita obrigação de me sentir porta-voz dos muitos cidadãos, que, por certo, estão molestados pela alienação deste património que tão bem identificava o período romântico no Porto", acrescenta, na missiva, Maria Luiza Ramalho Ortigão.

A Lusa contactou a Câmara do Porto, mas até ao momento não obteve resposta.

A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto reabriu portas em 28 de agosto, com o 'Herbário' de Júlio Dinis, numa homenagem ao escritor portuense, este ano figura central da Feira do Livro, tendo desde então estado no centro da polémica.

Em resposta escrita à Lusa em setembro, a autarquia indicou que "todo o espólio do museu foi recolhido para ser restaurado e classificado e para ser, novamente, apresentado na própria Extensão do Romantismo, quer noutros espaços do Museu da Cidade, nomeadamente na Casa Marta Ortigão Sampaio, Casa Guerra Junqueiro e Ateliê António Carneiro (atualmente em fase de arranque da intervenção)".

Parte das peças em depósito, que nunca foram da propriedade do município porque estavam emprestadas, foram devolvidas aos seus proprietários, esclareceu.

Instalado na Quinta da Macieirinha, a antiga casa de campo abriu como núcleo museológico em 1972 como Museu do Romântico, centrando a sua narrativa no rei do Piemonte e da Sardenha, Carlos Alberto, que, aí exilado, veio a passar os seus últimos dias.

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