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Germano Almeida defende que Cabo Verde devia ajudar escritores locais

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida defendeu hoje, no festival Escritaria, em Penafiel, que o Governo do seu país devia arranjar contratos no exterior que permitissem que mais escritores locais pudessem ver os seus livros publicados além-fronteiras.

Germano Almeida defende que Cabo Verde devia ajudar escritores locais
Notícias ao Minuto

20:05 - 27/10/21 por Lusa

Cultura festival Escritaria

necessário que o nosso Governo, de alguma forma, arranje contratos com editoras do exterior para publicar os autores cabo-verdianos que valham a pena, como forma de internacionalizar a nossa literatura", afirmou o autor.

Germano Almeida falava na conferência de imprensa do festival literário Escritaria que, até domingo, está a homenagear a vida e a obra daquele escritor africano, Prémio Camões 2018.

Aos jornalistas disse lamentar que o Governo cabo-verdiano considere "a cultura como uma indústria", algo que até admitiu ser verdade, mas que, sinalizou, "não funciona" naquele país.

"Pode ser uma verdade, mas em Cabo Verde não funciona. Eu tenho a sorte por a editora Caminho ter vindo a publicar os meus livros, mas nós temos muitos escritores que não têm tido essa sorte", observou.

O escritor assumiu a sua opinião crítica em relação ao Governo de Cabo Verde, cujo partido até apoiou, no passado.

"Houve eleições, o movimento ao qual eu pertencia ganhou as eleições e fez um mau uso desta maioria e começou a encaminhar Cabo Verde para o que eu acho que Cabo Verde não pode ser, isto é, começámos a ter uma economia liberal, que o país não aguenta, porque somos uma terra extremamente pobre e carente de tudo", afirmou.

E acrescentou: "[Em Cabo Verde], quando não chove as pessoas morrem à fome se o Estado não tiver meios para nos ajudar. Penso que é importante termos um Estado que esteja sempre em condições de poder proteger o seu povo".

Germano Almeida recordou ter apoiado recentemente a eleição do atual Presidente da República do seu país, admitindo que o fez "na esperança" de se conseguir "fazer com que o MPD [partido do Governo] não leve completamente à frente esta medida de privatizar todo o país".

Questionado pelos jornalistas se o seu sentido crítico em relação ao Governo inclui algum tipo de condicionamento à livre expressão dos escritores locais, respondeu que "ninguém pode acusar o Governo de pressão" sobre os escritores. Admitiu, contudo, que a censura em Cabo Verde existe, mas "funciona mais em termos de autocensura".

"São situações que dependem muito de cada pessoa. O Governo tem todos os meios de posse na mão, algumas pessoas não querem contrariar o Governo", concluiu.

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, vai estar em Penafiel, no Festival Literário Escritaria.

O governante cabo-verdiano participará na conferência "O papel da Lusofonia | À conversa com Germano Almeida e Abraão Vicente", além de outras iniciativas incluídas na programação oficial do festival, a decorrer até 31 de outubro.

O festival literário Escritaria de Penafiel inclui dezenas de atividades dedicadas ao livro, ao teatro, a exposições, música e arte de rua.

"Germano Almeida, um dos mais proeminentes escritores de língua portuguesa, terá silhueta e frase em Penafiel para memória futura, a par com os anteriores homenageados", assinala fonte do evento.

No sábado, será lançado o novo romance de Germano Almeida, "A Confissão e a Culpa", o último volume da sua Trilogia do Mindelo.

Leia Também: Festival Escritaria arranca hoje com Germano Almeida como homenageado

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