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'Penélope' põe em palco memórias de mulheres durante a Guerra Colonial

Memórias de gerações marcadas pela Guerra Colonial deram mote ao espetáculo 'Penélope', que lembra as mulheres que habitavam um regime conservador, moralista e autoritário enquanto aguardavam pelo regresso dos homens, muitos deles estropiados ou mortos.

'Penélope' põe em palco memórias de mulheres durante a Guerra Colonial

Com texto original e composição coletiva, 'Penélope - Adeus, até ao meu regresso' é uma criação da associação cultural Rugas, e estreia-se na sexta-feira, na Casa da Cultura Lívio de Morais, em Agualva-Cacém (Sintra), disse à agência Lusa Ricardo G. Santos, ator e diretor artístico da associação cultural com sede em Sintra.

Inspirada na figura da mitologia grega com o mesmo nome que, durante vinte anos, esperou pelo regresso do marido, Ulisses, da guerra de Troia, 'Penélope' foi criada com base em aerogramas e cartas trocadas durante a Guerra em África, testemunhos reais e documentos pessoais, entre os quais cartas dos pais de Ricardo G. Santos e da atriz Patrícia Cairrão, que interpreta.

Que mulheres eram estas que aguardavam pelos seus homens, o que as movia e como se sentiam no contexto da Guerra Colonial que marcou as décadas de 1960 e 1970 e nos danos colaterais que esta causou, e ainda causa, são, segundo Ricardo G. Santos, algumas das questões equacionadas no espetáculo.

'Penélope' pretende ainda "exercitar" uma reflexão sobre a memória, a vida e a morte, e a condição feminina "impregnada de guerra" naquelas décadas do século XX em Portugal, frisou.

A criação assume duas vertentes: a primeira, no espetáculo performativo que se estreia na sexta-feira e, a segunda, num filme de "caráter intimista" que revela "quase em tom de voyeurismo" a vida, a rotina e a condição dessas mulheres que, por razões externas à sua vontade, "veem e vivem a sua vida em espera", que deverá estrear-se em 2022, avançou à Lusa Ricardo G. Santos.

A obra "Sinais de vida", da investigadora e realizadora Joana Pontes, com cartas da guerra entre 1961 e 1974, esteve também na base do trabalho de pesquisa e investigação dramatúrgica do projeto, disse ainda o diretor artístico da Rugas.

Com direção artística e criação de Ricardo G. Santos e Patrícia Cairrão, 'Penélope' tem composição musical e sonoplastia coletiva, cenografia e figurinos de Rita Capelo e design de Luís Mileu.

Na Casa da Cultura Lívio de Morais, o espetáculo repetirá no sábado e domingo, e nos dias 29, 30 e 31 de outubro, com sessões às sextas-feiras, às 21h30, e, aos sábados e domingos, às 18h00.

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