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Projeto 'Nascentes' acrescentou arte, sons e memórias a Cortes, em Leiria

A nascente do rio Lis, na freguesia de Cortes, em Leiria, ganhou um percurso expositivo, uma banda sonora e está a inspirar estudos da comunidade académica sobre cocriação e desenvolvimento artístico, explicou hoje à Lusa fonte da organização do projeto 'Nascentes'.

Projeto 'Nascentes' acrescentou arte, sons e memórias a Cortes, em Leiria
Notícias ao Minuto

15:42 - 17/06/21 por Lusa

Cultura Leiria

Durante cinco semanas, dez músicos e dez artistas visuais mergulharam na natureza, envolvendo-se com a população da aldeia de Fontes para desenvolver, em residência artística, propostas sonoras e peças visuais no percurso inicial do rio, um ecossistema delicado que ganhou novos motivos de visita.

Mesmo limitado pela pandemia, esse encontro entre quem chegou e quem está frutificou em conversas organizadas, mas também nas visitas diárias ao café e à nascente. E daí surgiram incursões à capela, aos trilhos ou à adega, mas também "concertos improvisados", conta Hugo Ferreira, da cooperativa Ccer Mais, que produziu esta ideia inspirada no sítio onde brota o rio de Leiria.

Pela nascente do Lis passaram, por exemplo, o fotógrafo Valter Vinagre, os artistas plásticos Gonçalo Pena, Tiago Baptista e Leonardo Rito, e os músicos João Hasselberg, Surma, César Cardoso ou João Cabrita. 

"Estamos muito satisfeitos com o que foi feito e como foi feito e também muito entusiasmados com esta fase de documentação e reflexão", afirma o responsável, lembrando as "metodologias muito ricas e diversas" do projeto que nasceu "do conceito da ecologia dos saberes, que tem sido desenvolvido pelo professor Boaventura Sousa Santos", especificamente "da necessidade do conhecimento académico se confrontar com outros saberes". 

Nesse particular, o diálogo entre artistas e população - a que se juntaram investigadores académicos - "foi essencial", num processo sempre marcado pelo "carinho e envolvimento da comunidade das Fontes", que "foi e tem sido inesgotável".

A obra plástica de 'Nascentes' está visitável a céu aberto na área da nascente do Lis, enquanto 'online' é possível ouvir as peças sonoras e descobrir 'podcasts' e pequenos documentários (a lançar nas próximas semanas) que fixam o que aconteceu a cada jornada semanal.

Terminado o trabalho de campo, 'Nascentes' prossegue como "um estudo em laboratório que ainda vai atravessar várias fases" e que culminará com o lançamento de um livro.

No local, ao longo das semanas, entre abril e maio, assistiu-se a um crescimento de novos visitantes, "à procura da nascente e das peças":

"Se, de alguma forma, o projeto 'Nascentes' contribuir para que [a nascente do Lis] seja mais visitada e mais acarinhada, ficamos obviamente muito satisfeitos", reconhece o organizador.

Mas mais importante para Hugo Ferreira é o que resulta do envolvimento da população, artistas e académicos, "partilhando saberes, recuperando memórias, experimentando novas dinâmicas e questionando o que tinham por normal e garantido".

"Viveu-se a aldeia e a aldeia viveu o 'Nascentes'", resume o responsável da Ccer Mais.

Leia Também: Programa de 2,5 mil milhões para sustentabilidade económica da Cultura

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