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'Aljubarrota 1385' viaja aos dias decisivos antes da Batalha

Os dias anteriores à Batalha de Aljubarrota são revisitados num espetáculo que estreia no sábado em Aljubarrota, concelho de Alcobaça, e que, como a guerra de 1385, chega a Porto de Mós e à Batalha, no distrito de Leiria. 

'Aljubarrota 1385' viaja aos dias decisivos antes da Batalha

'Aljubarrota 1385' recua a 11 de agosto de 1385, quando o exército de D. João I chegou a Porto de Mós. A partir daí, "com base nas informações mais factuais" hoje disponíveis, o dramaturgo Luís Mourão recria a preparação do confronto que se avizinhava, um período "sobre o qual, como coletivo", menos se conhece, explica o grupo de teatro "O Nariz", de Leiria, responsável pela produção.

"Não vai haver lutas, não vai haver cavalos, não vai haver nada disso", revela à agência Lusa o encenador Pedro Oliveira, porque "não se trata de uma recriação histórica", mas de "um espetáculo com encenação clássica" em que se transmite "a perceção de que a independência está em risco".

"Não é só a preparação da batalha, as táticas e as técnicas: dá-se a entender o que aconteceu antes e o que pode acontecer no futuro", diz Pedro Oliveira, salientando a importância da "carga pessoal" de D. João I e Nuno Álvares Pereira na narrativa. 

A peça é marcada pela "coragem física e moral" das personagens principais, mas também de "muitos outros cujo papel determinante na vitória é frequentemente esquecido ou menorizado", como as populações de Alcobaça e Porto de Mós.

Henrique Gomes interpreta D. João I e destaca a reflexão suscitada sobre o que foi determinante para a vitória, "numa batalha que é sobretudo muito psicológica" e, também, uma leitura de Luís Mourão transponível para os dias de hoje.

"Por vezes, parece que temos barreiras mentais que nos desmotivam e impedem de fazer coisas. Estamos derrotados antes de ir para a guerra. O rei e Nun'Álvares salientam aqui precisamente isso: há batalhas que se ganham anulando esse pessimismo e negativismo anterior e lutando para conquistar com vontade", diz.

Daniel Macedo Pinto, que encarna Nuno Álvares Pereira, elogia o texto de Mourão por "revelar a estratégia que ia nas cabeças de D. João I e Nun'Álvares", tanto "nas estratégias militares, surpreendentemente inovadoras, como na propaganda".

"Em 14 minutos tudo ficou resolvido. Na verdade, sem eles, sem a concordância destas duas cabeças, se calhar Portugal hoje seria muito diferente", nota o ator.

Para Daniel Macedo Pinto é ainda interessante "o 'puxar o tapete' ao espetador". ""Espera-se muita batalha, porque há muita espada aqui; mas não há batalha, isto são os bastidores: a batalha [de Aljubarrota] foi ganha antes, porque houve preparação", conclui.

'Aljubarrota 1385' conta com um elenco de quase 40 elementos, entre atores, músicos, arqueiros e homens de armas, num projeto conjunto dos municípios de Alcobaça, Batalha e Porto de Mós.

A estreia é sábado, na Estalagem do Cruzeiro, em Aljubarrota, às 17:30, repetindo no domingo, no mesmo local à mesma hora. Depois a peça vai ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, no concelho de Porto de Mós, nos dias 19 e 20 de junho, e ao Largo Infante D. Henrique, na Batalha, a 26 e 27 de junho.

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