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Museu Vieira da Silva quer fundos europeus para transição digital

A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva vai recorrer aos fundos europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para criar uma transição digital e energética no museu, em Lisboa, dedicado à divulgação da obra do casal de artistas.

Museu Vieira da Silva quer fundos europeus para transição digital
Notícias ao Minuto

13:30 - 27/02/21 por Lusa

Cultura Museu

"A adaptação dos museus à realidade virtual, a eficiência energética e a programação vão estar no centro do novo mandato da fundação", disse o presidente, António Gomes de Pinho, entrevistado pela agência Lusa, após a confirmação oficial de composição do novo conselho de administração da entidade, a 18 de fevereiro.

Terminado o mandato anterior, o jurista, reconduzido pelo Governo como representante do Estado no conselho de administração da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), para o quadriénio 2021-2024, mantém-se na presidência, continuando João Corrêa Nunes como vice-presidente, em representação da Fundação Cidade de Lisboa.

Questionado sobre as prioridades da FASVS para os próximos quatro anos, numa altura em que o país vive uma grave crise devido ao impacto da pandemia covid-19, Gomes de Pinho disse que o conselho de administração "já fez uma reflexão sobre o futuro, e as formas recuperar e conquistar novos públicos", no quadro de uma nova estratégia.

"Em relação aos museus, apesar de muitas iniciativas que realizam, é preciso aproveitar as circunstâncias para ir mais à frente, e construir um museu virtual tanto quanto possível similar ao museu real, oferecendo aos públicos a possibilidade, com uma grande qualidade, de ter acesso a tudo o que temos: coleções, exposições, atividades complementares, numa dimensão tão importante como a atividade ao vivo", descreveu o responsável.

O objetivo da FASVS é conseguir tecnologia de qualidade para o público poder aceder a visitas virtuais, sobretudo aos mais jovens, de forma a atraí-los para as visitas ao vivo.

Inaugurado em 1994, o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva é gerido pela fundação, e o seu acervo cobre um vasto período da produção de pintura e desenho do casal de artistas que viveu em França, Portugal e no Brasil: de 1911 a 1985, para Arpad Szenes (1897-1985), e de 1926 a 1986, para Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), uma das mais conceituadas artistas portuguesas.

"Uma lição que a pandemia nos dá é que a nossa vida passa necessariamente pela realidade virtual, pelas plataformas, redes sociais, o que já acontecia, mas acentuou-se agora, e todas as áreas da nossa vida recorrem ao digital, portanto é perfeitamente normal desenvolver esta área para o futuro", salientou Gomes de Pinho.

Outra linha que a FASVS irá desenvolver para o museu nos próximos anos refere-se às questões ambientais e de eficiência energética: "Estabelecemos o objetivo, ao longo deste mandato, de atingir, ou ficar próximo do nível de emissões zero de dióxido de carbono, o que implica uma grande transformação na infraestrutura do museu, no aspeto tecnológico, desde a produção autónoma de eletricidade à substituição de equipamentos de climatização".

O presidente da FASVS espera que seja possível financiar os projetos do Museu Arpad Szénes-Vieira da Silva com recurso aos fundos comunitários do PRR de Portugal, posto em consulta pública no passado dia 16, que elenca 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, climática e de digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

Estas duas linhas estratégicas da FASVS vão ser desenvolvidas em parceria com entidades de caráter tecnológico - a ENGIE Portugal, empresa prestadora de serviços na área da eficiência energética, e, na área financeira, com a EDP, principal mecenas da fundação, entre os cerca de uma dezena de patrocinadores.

"A definição destas atividades teve em conta a viabilidade económica de as executar e prende-se com a possibilidade de recorrer a fundos desse programa, de contrário não teríamos capacidade para o fazer com os nossos próprios meios", disse à Lusa Gomes de Pinho, acrescentando que está em fase adiantada a preparação das candidaturas do museu ao PRR.

Gomes de Pinho defendeu que a cultura "deve ser um exemplo para as outras áreas, e estar na vanguarda das questões da digitalização e descarbonização" inscritas no plano europeu de recuperação da crise pandémica.

Outra prioridade da FASVS é a "consolidação da estabilidade financeira" da entidade, cujo orçamento tem uma contribuição de cerca de 50% do Estado, como um dos fundadores, e o restante provém de receitas próprias, "no ano passado e este ano muito reduzidas devido à falta de público, com as restrições da pandemia, mas foi possível fechar 2020 com um resultado positivo, devido a poupanças e a uma equipa reduzida".

Na reunião do conselho de administração da FASVS, foram eleitos os corpos sociais para o novo mandato de quatro anos, tendo o conselho o presidente e vice-presidente, e ainda os restantes membros institucionais: Simonetta Luz Afonso, que representa a Câmara Municipal de Lisboa, e Rita Faden, que representa a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, tendo sido cooptados Vera Nobre da Costa, José Manuel dos Santos e a curadora Isabel Carlos, que substituiu a historiadora Raquel Henriques da Silva.

O conselho de administração elegeu ainda para o conselho fiscal Nuno Galvão Teles, enquanto o conselho de patronos continua a ser presidido por Daniel Proença de Carvalho, reeleito por aquele órgão em dezembro de 2020.

Leia Também: Diretora do museu de Évora tem como "luta" mais pessoal e orçamento

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