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Circolando estreia a obra que a extrema-direita brasileira censurou

A cooperativa cultural Circolando apresenta, a 9 e 10 de dezembro, no Porto, a 1.ª edição do festival '20 Volts', com a estreia nacional de 'La Bête a.C d.C', de Wagner Schwartz, avançou hoje Pedro Vilela.

Circolando estreia a obra que a extrema-direita brasileira censurou
Notícias ao Minuto

15:00 - 05/12/20 por Lusa

Cultura 20 Volts

Em entrevista telefónica à agência Lusa, Pedro Vilela, curador do '20 Volts', festival transdisciplinar que reúne um conjunto de artistas e obras, terminadas e em processo de criação, de vários países, destacou a estreia do espetáculo 'La Bête a.C d.C', do artista brasileiro Wagner Schwartz, que parte do 'La Bête', exibido em 2017 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e que foi "censurado pela extrema direita no Brasil".

"É uma obra importantíssima no Brasil e é a primeira vez que Wagner apresenta o espetáculo em Portugal", conta o curador, revelando que em cena vai estar o corpo de um bailarino que é uma "espécie de escultura viva", e que pode ser "tocada" e "manuseada pelo próprio público".

Pedro Vilela recorda que no Brasil a obra 'La Bête' foi "perseguida pela extrema-direita brasileira", e que o autor foi alvo de "ameaças de morte" e de um "linchamento virtual", levando-o a viver na atualidade em Paris.

O espetáculo, recriado em ano de covid-19 para o festival '20 Volts' da Circolando, vai estrear-se no dia 10, pelas 20:00, no Auditório da Central Elétrica, junto à estação de Campanhã, no Porto. Tem uma duração de 50 minutos, e vai ter uma "nova forma de interagir com o corpo do bailarino, por causa da pandemia", acrescenta Pedro Vilela.

O espetáculo 'On The Road', um tributo de Tó Trips (Dead Combo) e Tiago Gomes ao livro homónimo do escritor norte-americano Jack Kerouac ('Pela estrada Fora'), é outro dos destaques da '20 Volts', que Pedro Vilela enumerou à Lusa.

O espetáculo, apresentado pela primeira vez em 2007 na exposição 'Remembering Jack Kerouac', revela um novo olhar em torno da obra do escritor norte-americano, considerada a "bíblia" da geração Beat, lê-se no dossiê de imprensa enviado à Lusa.

A performance 'On the Road' é interpretada por Tó Trips, na guitarra e efeitos vários, Tiago Gomes, na leitura de excertos do livro, e por Raquel Castro, no vídeo-beat.

A apresentação está agendada para o dia 9 de dezembro, às 20:00, no Auditório, da Central Elétrica, e tem uma hora de duração.

Segundo adiantou Ana Carvalhosa, da direção da Circolando, a 1.ª edição do "20 Volts" vai ser feita a "uma escala mais reduzida, porque se vive um ano de pandemia e não pode haver muito público", mas a intenção para as edições futuras do '20 Volts' é "fortalecer e ampliar" o festival.

Nesta primeira edição do '20 Volts' a escolha dos projetos a apresentar procurou o "diálogo" com o tema "corpo-arquivo", e divide-se em seis ciclos, designadamente conferências performativas, mostras de processos, apresentações de performance, artes visuais, conversas com os artistas de três países (Brasil, Inglaterra e Portugal), e lançamento de publicações.

Cada dia vai terminar com uma roda de conversa entre o público e os artistas, momento em que se prevê o lançamento de várias publicações, tais como 'VOLT #0 2020 Corpo-arquivo', da Circolando (9 de dezembro), e 'Nunca juntos mas ao mesmo tempo', de Wagner Schwartz (10 dezembro).

Na programação do '20 Volts' inclui-se também, por exemplo, a performance-conferência 'Coleção de Pessoas', de Raquel André, apresentada no dia 9, na Sala L, da Central Elétrica, pelas 18:00, e o espetáculo 'Feedback', de André Braga e Cláudia Figueiredo, que é também no dia 9, mas na Black Box da Central Elétrica, às 19:00.

A performance-conferência 'Irredutível', de Rui Paixão, e o projeto 'LandMarks #7 - Pateh, uma história inacabada', de Rebecca Moradalizadeh, são outros eventos previstos.

Toda a programação é de entrada livre mediante reserva, através deste link.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.507.480 mortos resultantes de mais de 65,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.803 pessoas dos 312.553 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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