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Lina_Raül Refree, um projeto "muito pessoal" do fado, pensa em novo álbum

A fadista Lina Rodrigues e o produtor espanhol Raül Refree, que se juntaram no projeto Lina_Raül Refree, de reinterpretação "muito pessoal" do fado e do repertório de Amália Rodrigues, planeiam um novo álbum para 2021.

Lina_Raül Refree, um projeto "muito pessoal" do fado, pensa em novo álbum
Notícias ao Minuto

11:06 - 27/09/20 por Lusa

Cultura 2021

"Ainda não sabemos o que vamos fazer e com que repertório, mas estamos a começar a pensar nisso, para 2021", disse a cantora à agência Lusa sobre o futuro da relação musical com o produtor e músico catalão, iniciada com um álbum de estreia, 'Lina_Raül Refree' (2020), e com o qual têm andado em digressão.

Lina_Raül Refree é um projeto que em 2018 juntou a fadista Lina Rodrigues ao produtor e músico espanhol Raul Refree. Ela com um par de álbuns a solo e presença assídua no Clube de Fado, em Lisboa; ele com créditos na produção e gravação com nomes como Silvia Perez Cruz e Rosalía.

Em álbum, amplamente elogiado pela crítica estrangeira, e ao vivo apresentam uma interpretação "muito pessoal" do repertório de Amália Rodrigues e uma "revisão da tradição" do fado, mais minimal e austera, para voz, piano e sintetizadores.

"Como habitante da Península [Ibérica] é muito difícil não conhecer o fado, mas até ser um conhecedor de verdade vai uma grande distância. Eu decidi -- e foi uma decisão consciente - fazer o trabalho a partir do desconhecimento. É perigoso, mas uma vez superado o perigo, creio que podemos oferecer territórios novos", afirmou Raül Refree em entrevista à agência Lusa.

Em ano de centenário do nascimento de Amália Rodrigues, o álbum "Lina_Raül Refree" apresenta um repertório do fado para novos públicos, revisitando temas como "Medo", "Gaivota", "Barco negro", conhecidos na voz da diva do fado, fechando com "Voz Amália de nós", de António Variações.

"Fiz vários discos de revisão do flamenco, que abrem a interpretação de um estilo, e os puristas não gostaram muito, fui muito criticado por isso. Mas depois houve outros que gostaram muito. Para este, senti que podia fazer algo e as reações que tenho visto têm sido ótimas. Não acredito em géneros musicais e em fronteiras musicais, são conceitos muito parecidos. Apresentam-te uma fronteira como algo a partir do qual tudo muda, e é mentira. Tudo é uma continuação", explicou o produtor.

Lina Rodrigues recorda que com o produtor catalão descobriu "um fado mais livre, solto, sem tempo".

"Deu-me uma liberdade imensa, em que posso dizer as palavras de forma diferente de quando estou em trio [de guitarras]", reconheceu.

A propósito de Amália Rodrigues, o produtor catalão considera que "os grandes nomes, que as pessoas mais conservadoras entendem como os mais importantes, foram também grandes experimentadores. E eles sentiram-se mal ao saber que eram referidos apenas pelo lado mais conservador, quando o que queriam era experimentar".

Lina_Raül Refree somam elogios de 'media' como a BBC e as publicações Les Inrocks e Pitchfork, tendo sido distinguidos pela crítica alemã. O disco está ainda nomeado os prémios franceses Victoires du Jazz, que serão atribuídos em outubro, em Paris, e para os Music Moves Europe 2021, da Comissão Europeia.

O álbum de estreia saiu em janeiro e pouco depois aconteceu a pandemia, obrigando a alterações à intensa digressão da dupla luso-espanhola, e que a fará estender-se pelo menos até julho de 2021.

Um dos concertos da digressão acontecerá na quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no ciclo "À fado no cais".

Sobre estes concertos, Raul Refree afirma que "se não houver surpresas cai-se no aborrecimento": "Ao vivo preciso de espaço para improvisar e que a outra pessoa não tenha medo de ir para outros caminhos. Os concertos são muito abertos. São quase suites inteiras, começam num lugar e terminam noutro".

O produtor espanhol, que este ano também colaborou na edição de um álbum com o guitarrista norte-americano Lee Ranaldo, dos Sonic Youth, diz que teve a sorte de fazer tudo o que quis e pode durante o período global de confinamento e não se deixa esmorecer.

"Não tive a sensação de dias perdidos. O que perdi com esta situação foi a ideia de futuro. Não sei se na semana que vem tenho concertos [dada a evolução da pandemia]. Tenho gravações que não sei se vão acontecer. É tudo incerto", disse.

De acordo com a promotora Uguru, Lina e Raül Refree têm vários concertos reagendados e marcados para as próximas semanas. Este fim semana atuam em Espanha, na quinta-feira em Lisboa, e a 19 de outubro na Union Chapel, em Londres.

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