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'Rapariga, Mulher, Outra', vencedor do Booker 2019, chega hoje a Portugal

O romance vencedor do Prémio Booker 2019 'Rapariga, Mulher, Outra', de Bernardine Evaristo, que ficará na história como a primeira mulher negra a vencer este galardão, chega hoje às livrarias portuguesas, marcando a 'rentrée' literária do grupo editorial 2020.

'Rapariga, Mulher, Outra', vencedor do Booker 2019, chega hoje a Portugal
Notícias ao Minuto

17:42 - 07/09/20 por Lusa

Cultura Bernardine Evaristo

Trata-se de uma obra que aborda questões como o feminismo, a raça, a sexualidade, a identidade de género e a estratificação económica, social e histórica.

Foi com este romance - disponível a partir de hoje em Portugal, editado pela Elsinore - que a autora britânica venceu o conceituado Prémio Booker 2019 (em conjunto com Margaret Atwood) e foi duplamente distinguida nos British Book Awards, nas categorias de 'Livro de Ficção do Ano' e 'Autora do Ano'.

A autora foi ainda finalista do Orwell Prize de Ficção Política 2020 e está agora entre as seis finalistas ao Women's Prize for Fiction, cujo vencedor será anunciado na quarta-feira.

O livro chega a Portugal num momento particularmente significativo em todo o mundo, em que as lutas antirracismo ganham força, graças ao movimento 'Black Lives Mater', que emergiu após a morte de um cidadão negro norte-americano, George Floyd, às mãos de um polícia, em Minneapolis, em maio.

A própria autora reconheceu, aquando da atribuição do prémio, como "este é um momento tão interessante" na história cultural, "porque o movimento 'Black Lives Matter' gerou uma quantidade sem precedentes de auto-interrogações na indústria editorial".

'Rapariga, Mulher, Outra' é um romance polifónico, com 12 personagens dos séculos XX e XXI, quase todas elas mulheres negras e, de uma maneira ou de outra, resultado do legado do império colonial britânico, que levam vidas muito diferentes: desde Amma, uma dramaturga cujo trabalho artístico frequentemente explora a sua identidade lésbica negra, à sua amiga de infância, Shirley, professora, exausta de décadas de trabalho nas escolas subfinanciadas de Londres, passando por Carole, uma das ex-alunas de Shirley, agora uma bem-sucedida gestora de fundos de investimento, ou a mãe desta, Bummi, uma empregada doméstica que se preocupa com o renegar das raízes africanas por parte da filha.

As suas histórias, a das suas famílias, amigos e amantes, compõem um retrato multifacetado e realista dos dias de hoje, de uma sociedade multicultural que se confronta com a herança do seu passado e luta contra as contradições do presente.

Este mês também, a Elsinore vai publicar o novo romance da escritora espanhola Marina Perezagua (autora, na mesma chancela, de 'Yoro' e 'A Tempestade'), 'Seis Formas de Morrer no Texas', um romance ambientado na China de 1984 e no estado do Texas em 2017, e passado em prisões, que reflete "a violenta realidade do sistema penal norte-americano e do submundo do tráfico de órgãos", numa "história ousada e visceral que desafia as regras comuns do romance", segundo a editora.

Em outubro chega 'Pegadas: Em Busca dos Fósseis do Futuro', de David Farrier, um livro de não-ficção sobre o impacto da passagem do Homem sobre o planeta, bem como o romance 'O Que Resta das Nossas Vidas', da escritora israelita Zeruya Shalev, um livro sobre amor, infância e maternidade, que venceu o Prémio Femina Étranger.

Ainda em outubro, chega às livrarias o primeiro volume de uma novela gráfica que adapta o 'bestseller' internacional 'Sapiens: Uma Breve História da Humanidade', de Yuval Noah Harari.

A Cavalo de Ferro, outra chancela do mesmo grupo editorial, faz chegar este mês às livrarias um ensaio de Zbignew Herbert, intitulado 'Natureza Morta com Brida', sobre os mais variados temas - desde os mecanismos peculiares do mercado da arte aos primórdios e explosão da tulipomania.

Outra novidade esperada para este mês é a publicação de 'Mrs. Caliban', um romance original de 1983, da escritora Rachel Ingalls, considerada uma das vozes mais importantes da literatura norte-americana, recentemente redescoberta pela crítica internacional.

Em outrubro chega mais um livro da romancista irlandesa Edna O'Brien, de quem a Cavalo de Ferro já publicou 'Cadeiras Vermelhas' e 'Na Floresta', intitulado 'Menina' e escrito com base num artigo de jornal sobre as meninas raptadas pelo Boko Haram na Nigéria.

A editora apresenta ainda como destaque para este mês a publicação de uma edição especial em volume ilustrado de 'Orlando Furioso contado por Italo Calvino', adaptação do escritor italiano do famoso poema épico de Ludovico Ariosto, com ilustrações de Gustave Doré e com tradução de Margarida Periquito.

Em novembro lança 'Manhã e Noite', do norueguês Jon Fosse, um romance sobre o sonho da vida e a aceitação do ciclo natural das coisas, escrito numa "linguagem poética e elíptica, inovadora e exigente".

A chancela vogais vai publicar já este mês o livro que venceu o Prémio Costa 2019 para Melhor Biografia, intitulado 'O Voluntário: A História Real de um Herói da Resistência que se Infiltrou em Auschwitz', escrita pelo jornalista Jack Fairweather, e que trata isso mesmo: a história de Witold Pilecki, um polaco combatente da Resistência, que aceitou a missão de descobrir o destino de milhares de detidos em Auschwitz, denunciar os crimes nazis e criar uma rede de resistência, tendo-se tornado deliberadamente prisioneiro daquele campo de concentração.

Dentro da mesma temática, será publicado em outubro o livro 'Encontrar o Amor em Auschwitz: A História Dramática e Comovente de Mala e Edek', uma história real de um prisioneiro polaco e de uma judia que se apaixonaram num campo de extermínio, e que aqui é reconstruída pela jornalista Francesca Paci, tendo por base os arquivos do Museu de Auschwitz, assim como documentos da época e relatos das poucas testemunhas ainda existentes.

Na chancela Topseller, o destaque vai para a publicação, já este mês, do livro 'Os Olhos da Escuridão', um 'thriller' original de 1981 do escritor norte-americano de ficção-científica Dean Koontz, que ganhou recentemente atenção em todo o mundo por apresentar no enredo aspetos que coincidem de forma quase profética com a atual realidade da pandemia de covid-19, nomeadamente a existência de um vírus criado em laboratório, na cidade chinesa de Wuhan.

A página que descreve as consequências do vírus tornou-se ela mesma viral, sobretudo no Twitter: "Chamam-lhe Wuhan-400 porque foi criado num dos laboratórios de pesquisa de RDNA às portas da cidade de Wuhan, e foi a estirpe n.º400 de micro-organismos fabricados pelo homem criados nesse centro. Wuhan é a arma perfeita. Só afeta seres humanos. Mais nenhum ser vivo pode ser portador".

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