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USC retira exposição sobre John Wayne devido a comentários racistas

A exposição sobre o ator gerou protestos dos estudantes da universidade norte-americana. Em causa uma entrevista concedida em 1971, na qual disse que acreditava na supremacia branca e fez afirmações depreciativas sobre negros, indígenas e LGBTQ+.

USC retira exposição sobre John Wayne devido a comentários racistas
Notícias ao Minuto

11:47 - 12/07/20 por Fábio Nunes 

Cultura Racismo EUA

A University of Souther California (USC), nos Estados Unidos, anunciou esta sexta-feira que a School of Cinematic Arts vai remover uma exposição dedicada ao ator John Wayne, uma das principais figuras de Hollywood entre os anos 50 e 70, conhecido nomeadamente pelos seus papéis em westerns.

A decisão foi tomada na sequência dos protestos dos estudantes devido aos comentários racistas que Wayne, que morreu em 1979, fez no passado, adianta a Variety.

O ator foi aluno na USC nos anos 20 após conseguir uma bolsa de estudo para jogar futebol americano. A exposição em questão foi criada em 2012 e mantinha-se na School of Cinematic Arts, isto apesar da controvérsia gerada ao longo de vários anos.

Os protestos dos estudantes da USC subiram de tom no outono passado. Os alunos argumentaram que ao manter a exposição sobre John Wayne a School of Cinematic Arts apoiava a supremacia branca defendida pelo ator. A universidade californiana respondeu a essas manifestações expandindo a exposição sobre Wayne, de forma a incluir realizadores indígenas.

Algo que foi insuficiente para os estudantes. A dimensão global que o movimento Black Lives Matter ganhou recentemente na sequência da morte de George Floyd impulsionou ainda mais os protestos contra a exposição sobre Wayne e a USC acedeu aos pedidos dos seus alunos e decidiu retirar a exposição.

“As conversas sobre o racismo sistémico na nas nossas instituições culturais assim como a recente revolta civil, global do movimento Black Lives Matter requerem que consideremos o papel que a nossa escola pode ter como agente de mudança ao promover experiências e valores culturais antiracistas”, justificou o diretor-adjunto de diversidade e inclusão da USC, Evan Hughes.

A polémica entrevista de John Wayne

Uma boa parte dos comentários racistas e homofóbicos feitos por John Wayne ocorreram durante uma entrevista à Playboy em 1971. Nessa entrevista John Wayne frisou que não se “sentia culpado pelo facto de que há cinco ou dez gerações estas pessoas eram escravos”, referindo-se aos negros. E foi ainda mais longe ao dizer que acreditava na supremacia branca.

“Acredito na supremacia branca até os negros serem educados a um ponto de responsabilidade. Não acredito em dar-se autoridade e posições de liderança a pessoas irresponsáveis”, ressalvou o ator, uma das figuras mais poderosas de Hollywood naquela época.

Wayne considerou ainda que não era errado que os brancos ficassem com a terra dos nativo-americanos. “Havia muitas pessoas que precisavam de terras novas, e de forma egoísta os índios queriam ficar com elas só para eles”, declarou.

Ao falar sobre o filme ‘Midnight Cowboy’ (de 1969, com Dustin Hoffman e John Voight), John Wayne fez comentários homofóbicos. Definindo-o como um filme "pervertido", o ator atirou: "Não diria que o maravilhoso amor daqueles dois homens em ‘Midnight Cowboy’, uma estória de dois paneleiros, é um exemplo?". 

John Wayne era um conservador, defendeu a guerra no Vietname quando grande parte da opinião pública norte-americana pensava de forma oposta e foi membro de uma sociedade anti-comunista.

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