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Teatro do Ferro cancela espetáculos até maio e tem salários comprometidos

O diretor artístico do Teatro do Ferro, do Porto, disse hoje que foi cancelada a itinerância dos espetáculos até final de maio, e avisa que os salários de abril estão comprometidos, porque não há "condições objetivas para os pagar.

Teatro do Ferro cancela espetáculos até maio e tem salários comprometidos
Notícias ao Minuto

09:37 - 10/04/20 por Lusa

Cultura Covid-19

"O impacto em relação ao Teatro de Ferro é muito grande. Temos toda a itinerância cancelada ou adiada até pelo menos ao final de maio e tudo indica que junho irá ser igual. Isto representa a perda global das nossas receitas próprias para esse período. Resta-nos o apoio da Direcção-Geral das Artes, que, sendo muito importante, não cobre a totalidade das nossas despesas", disse à Lusa o diretor artístico do Teatro de Ferro e do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), Igor Gandra.

Igor Gandra assume que os salários do mês de março estão assegurados, mas a partir de abril confessa que não tem "condições objetivas para o fazer", pelo menos na "totalidade".

"Estamos a estudar com a equipa formas de fazer face a esta situação de forma a que o impacto seja o menos grave possível. De qualquer forma será duro", declara, explicando que as equipas são constituídas sobretudo com trabalhadores independentes que estão em casa, de acordo com as indicações da Direção-Geral da Saúde.

Questionado pela Lusa sobre se a equipa do Teatro de Ferro mantém alguma atividade criativa, Igor Grande explica que a nova criação da companhia se mantém em processo, mas agora com o trabalho diferente a ser desenvolvido sem a presença dos atores.

A estreia da nova peça "é certo" que vai sofrer "um adiamento", concluiu.

Para além dos custos com o trabalho, Igor Gandra esclarece que as companhias têm ainda de continuar a fazer face às "despesas com espaços, equipamentos e serviços, contabilidade e seguros".

Igor Gandra, que também é diretor artístico do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), evento programado para outubro deste ano, revela que a equipa está a continuar a trabalhar na perspetiva de que se irá realizar, mas estão cientes de que deverá ser necessário adequar os modos de fazer e de mostrar à realidade.

No caso do FIMP, e apesar de os parceiros -- Direção-Geral das Artes, Teatro Municipal do Porto, Teatro Nacional São João e câmaras municipais de Matosinhos e de Vila Nova de Gaia - terem garantido que manterão os apoios, haverá também impacto negativo, acrescenta Igor Gandra.

O diretor artístico prevê que os custos com as viagens dos artistas convidados vão ser mais elevados, bem como prevê que haja limitações na utilização dos espaços, o que vai obrigar a "aprender e inventar soluções para uma realidade que não conseguimos ainda antecipar".

Na terça-feira, dia 07 de abril, um conjunto de dezenas de promotores e agentes culturais escreveu ao Governo e ao parlamento a pedir uma linha de crédito específica para o setor e alterações ao decreto-lei que regula os adiamentos de espetáculos.

Numa carta subscrita por um coletivo de mais de 80 agentes e produtores, a maioria dos quais também presente em várias outras posições a apelar à defesa dos seus direitos junto de autarquias e dos demais poderes públicos, é pedido ao Governo e aos partidos políticos que se defina, "sem tibiezas ou margem para dúvidas, que, nos casos de reagendamento [de espetáculos] não haverá lugar à restituição do preço dos bilhetes, o que só se infere do diploma pela via interpretativa".

Na quarta-feira, a Assembleia da República aprovou duas propostas incluídas num projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE) para o setor da Cultura, que preveem o pagamento, por entidades públicas, de espetáculos cancelados como se se tivessem realizado.

A aprovação diz respeito a duas alterações de um artigo do decreto-lei de 26 de março, a que os agentes e produtores se referem, e que regula os espetáculos cancelados ou adiados.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 90 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito na quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 409 mortes, mais 29 do que na véspera (+7,6%), e 13.956 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 815 em relação a quarta-feira (+6,2%).

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