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Covid-19: Movimento SOS Arte PT lança propostas para resistir à crise

Cerca de meia centena de artistas, produtores e gestores culturais criaram o movimento 'SOS Arte PT' para "resistir", com algumas propostas, aos efeitos da crise provocada pela pandemia da covid-19 e em defesa das artes visuais do país.

Covid-19: Movimento SOS Arte PT lança propostas para resistir à crise

Contactado pela agência Lusa, o gestor cultural Carlos Moura-Carvalho, um dos promotores da iniciativa criada na quarta-feira, indicou que o movimento deverá transformar-se numa associação cultural e profissional nesta área, "assim que as circunstâncias o permitam".

Para já, os promotores - que envolvem ainda, entre outros, o curador e crítico de arte António Cerveira Pinto, e os artistas Ana Fonseca e Manuel Casimiro - avançam com várias propostas, nomeadamente a criação de um fundo de emergência que possa reunir financiamento público e privado.

"Todos os apoios públicos e privados que foram anunciados deveriam ser centralizados e geridos conjuntamente, e de forma transparente, pelo Ministério da Cultura e o Ministério das Finanças, com uma comissão de fiscalização", defendeu Carlos Moura-Carvalho, que diz ter sido desafiado por vários artistas para a criação do movimento.

Este movimento "é apolítico, de âmbito nacional, e positivo, aberto a todos os criadores das artes visuais", um grupo que "tem poucos apoios e, nesta altura vive muitas situações de perda de trabalho", sustenta o ex-diretor-geral das Artes.

"Muitos dão aulas e estão assustados e preocupados porque tudo parou", acrescentou sobre as razões desta ênfase no universo vasto das chamadas artes visuais.

Os promotores, num comunicado divulgado sobre a iniciativa, falam em "desafios prolongados que justificam uma ampla congregação de esforços para a defesa da cultura artística no país e no mundo".

O documento estratégico que aprovaram na quarta-feira preconiza cinco medidas iniciais principais: a primeira delas a criação do Fundo SOS Arte PT, que aglutine financiamentos públicos e privados "para garantir proteção social a todos os profissionais das artes durante o período de impossibilidade de realização de exposições, performances, conferências e outro tipo de atividades".

O documento propõe ainda o reajustamento do Plano Nacional das Artes (PNA) para, de imediato, "integrar atividades adaptadas à nova realidade que [se vive], recorrendo a profissionais das artes que tenham visto cessar as suas atividades e empregos por causa da covid-19".

Nestas circunstâncias de emergência, comentou Carlos Moura-Carvalho, o PNA, que envolve as áreas da educação e da cultura a nível nacional, "ficou parado, e tem de ser repensado".

"A educação e a cultura são também essenciais nesta altura, e vão ser ainda mais daqui a alguns meses, no final da emergência", apontou o gestor cultural em declarações à Lusa.

Os promotores querem ainda propor ao Governo que sejam aglutinados e disponibilizados, numa única plataforma ou 'site', todas as propostas e mapeamentos das várias organizações - desde universidades, fundações, associações e movimentos das artes - que tenham sido efetuados e a efetuar.

O objetivo é desenvolver "procedimentos de audição e participação com essas entidades, tendo em vista uma eficaz e abrangente recolha e tratamento da informação", que deverá constar na plataforma sob a alçada das áreas da economia, incluindo estatística, e da cultura.

Também para dar apoio a artistas que perderem os seus espaços de trabalho, querem lançar a Bolsa de Ateliers 3.6.9 - uma plataforma online de procura e oferta temporária de estúdios para artistas, a custo zero, por períodos entre três, seis e nove meses.

Pretendem ainda promover uma exposição ´online´, com o título "100 dias de quarentena - 100 dias, 100 artistas, 100 obras", cujas obras reunidas formarão parte do futuro Fundo SOS Arte PT.

Questionado pela Lusa sobre se esta situação é uma oportunidade para repensar o futuro dos apoios às artes, Carlos Moura-Carvalho disse que "é um tempo importante para repensar modelos de subsídios ou a lei do mecenato, que é muito burocrática, entre outras questões".

Ao movimento podem aderir todos os profissionais das artes, incluindo criadores, críticos, curadores, produtores, historiadores, professores e gestores culturais.

O SOS Arte PT pretende ainda responder aos impactos da pandemia covid-19 na atividade artística criando "Círculos de Proteção" que "identificam os principais estrangulamentos da atividade cultural", e que serão subdivididos nas categorias conceptuais (criação e crítica, produção, educação e estética, conservação, historiografia e museologia, curadoria), geográficas, geracionais e de género.

Carlos Moura-Carvalho indicou que serão considerados fundadores todos os que subscreverem o documento de estratégia até ao final de abril deste ano, e um grupo de nove a 15 pessoas "assumirá a responsabilidade de desenvolver as discussões necessárias à consolidação do movimento".

Para já estão também nesse grupo profissionais de várias áreas como Fátima Lambert, Fernando Ribeiro, Fernando Pina, Thuy Tien, Patricia Freire, Regina Frank, Rodrigo Bettencourtmara e Valentim Quaresma.

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