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Rueffa será primeira portuguesa a expor no Museu Oscar Niemeyer Brasília

Rueffa será a primeira artista plástica portuguesa a expor no Museu Oscar Niemeyer, em Brasília, levando à capital brasileira, no próximo mês de agosto, a obra 'Welcome', protagonizada por uma homenagem à cantora luso-brasileira Carmen Miranda.

Rueffa será primeira portuguesa a expor no Museu Oscar Niemeyer Brasília
Notícias ao Minuto

10:21 - 09/02/20 por Lusa

Cultura Brasília

Será precisamente na data em que se assinalam os 65 anos da morte da célebre artista, a 5 de agosto, que Rueffa, especializada no universo 'neo pop art', se estreará em Brasília, traçando uma ponte "luso-brasileira" através de uma instalação inédita sobre Carmen Miranda, em parceria com a 'designer' de joias do país sul-americano Lídice Caldas.

"A Carmem Miranda é uma surpresa que irei realizar em exclusivo, um pouco também em contramão da trajetória dos meus trabalhos. Irá envolver uma componente de escultura, que me desafiará bastante tecnicamente, e depois terá o contributo exímio de Lídice Caldas. Vamos realizar uma instalação, homenageando assim os 65 anos da Carmen Miranda após a sua morte, de uma forma digna, descaracterizando o seu ar baiano, e colocando um peso mais pedagógico, além da estética", disse Rueffa em entrevista à agência Lusa, na capital brasileira.

A exposição interativa de Rueffa, com recurso a pintura, escultura e instalação, com uma forte componente musical, será aprimorada pela combinação de joias em metal, - de ouro e prata-, trabalhadas por Lídice, que se mostrou "orgulhosa" em colaborar neste projeto.

"Temos muito orgulho de ter tido aqui uma portuguesa com alma brasileira, que levou o nome dos dois países para fora. (...) Vou transformar, a partir dos meus desenhos, e inspirar-me nessa mulher luso-brasileira. Temos de trazer essa roupagem nova e, através da minha arte, quero criar uma comunicação com a arte de Rueffa, com foco para a peça de Carmen Miranda, a mais importante desta exposição", referiu Lídice.

A 'designer' brasileira de joias, responsável por apresentar Rueffa ao mercado cultural do seu país, recordou, em conversa com a Lusa, a reação "surpreendente" que o diretor do Museu Oscar Niemeyer, Charles Cosac, manifestou ao ter conhecimento da arte da portuguesa, mostrando-se interessado em querer a mostra em Brasília.

"A Rueffa veste ícones, transforma-os, dando-lhes vida. A arte para mim tem de ter vida, então tive uma comunicação muito profunda ao ver a sua obra. Sendo que ela usa joias nas suas obras, começámos a conversar, a amadurecer a ideia, e o convite [para Brasília] veio depois", detalhou a brasileira.

"Decidi então apresentá-la ao Charles Cosac, uma pessoa muito respeitada no mercado de arte, e ele ficou muito impressionado com o trabalho de Rueffa. Ficou tão impressionado com a técnica usada, que até nós mesmas ficámos impressionadas com a reação dele", afirmou Lídice, entre risos, acrescentando que o diretor "nunca tinha visto nada parecido".

Além da data da morte de Carmen Miranda, a exposição 'Welcome' chega a Brasília no ano em que a capital brasileira comemora os 60 anos da sua fundação, e traz consigo os habituais ícones da Pop Art Internacional, presentes nas anteriores mostras de Rueffa, como Beethoven e Mozart, passando por Maria Callas, Edith Piaf, Ray Charles, Marilyn Monroe, Freddie Mercury e Blondie.

Contudo, Rueffa chega ao Brasil no momento em que a cultura no país sul-americano sofre cortes por parte do atual Governo, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro. Apesar de a portuguesa garantir que estará "fora da sua zona de conforto", acredita que estarão reunidas todas as condições para que o público adira à sua mostra.

"Estou fora da minha zona de conforto e, portanto, isso deixa-me algo ansiosa mas, ao mesmo tempo, é um misto de sensações, porque me dá vontade de lutar mais, e de apresentar uma coisa que, independentemente da conjuntura política e social que o país atravessa, é impar e vive por si própria", frisou a artista plástica.

"A arte tem de ser acessível a todos, e o meu contributo, enquanto pessoa e artista, é partilhar as minhas emoções e trabalho com o público, de forma gratuita. Este espaço [Museu Oscar Niemeyer] é gratuito, portanto, não vejo uma razão para que não se venha conhecer o meu trabalho, e eu de partilhá-lo com o mundo", salientou Rueffa à Lusa.

A exposição, que será transportada até ao Brasil pela TAP, encontra-se concluída a 80%, segundo a assessoria da artista, estando em fase de preparação e estudo as figuras de Carmen Miranda e Edith Piaf.

Rueffa frisa que a exposição não se fixa apenas nas obras de arte, e a sua intenção é que o público assista a um espetáculo "quase musical", num "welcome" a personalidades do universo musical, naquilo que considera ser uma "cacofonia musical", onde os visitantes terão, acima de tudo, "sensações".

"São trabalhos de alta técnica, de fragilidade, em que eu vou correr algum risco de o trazer para cá, mas o meu objetivo é que seja partilhado extra continente. Levar estas obras, ícones que me são muito queridos há alguns anos, e que eu tenho por eles um enorme carinho. São quase como uma espécie de filhos", indicou a artista do 'neo pop art', em entrevista à agência Lusa.

Recentemente, Rueffa foi a artista portuguesa convidada a expor na Cordoaria Nacional, na exposição 'Pop Art Stars', a par de ícones da Pop Art Internacional, como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jean-Michel Basquiat, Jeff Koons, entre outros.

Em Brasília, a exposição ficará no Museu Oscar Niemeyer (o arquiteto de Brasília) ao longo de três meses e, segundo Rueffa, a intenção é que a mostra circule depois por outros estados brasileiros.

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