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Coletivo Berru vence terceira edição do Prémio Sonae Media Art

O coletivo de artistas Berru foi o vencedor do prémio Sonae Media Art com o projeto "Systems Synthesis", que cruza arte, tecnologia e ambiente, foi hoje anunciado.

Coletivo Berru vence terceira edição do Prémio Sonae Media Art
Notícias ao Minuto

13:38 - 04/12/19 por Lusa

Cultura Sonae

O anúncio do prémio decorreu hoje no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, onde as obras concorrentes estão expostas desde 28 de novembro.

projeto vencedor assinado pelo coletivo Berru (Bernardo Bordalo, Mariana Vilanova, Rui Nó e Sérgio Coutinho) consiste num sistema biológico de cerca de dois metros de diâmetro, composto por plantas e outras organismos, que foi transportado de um terreno urbano abandonado para o espaço expositivo.

Este coletivo é composto por artistas do Porto formados nas áreas de artes plásticas, multimédia, cinema e engenharia, e dedicados à criação artística, cujos trabalhos refletem sobre a relação do ser humano com a máquina, uma relação que se debruça cada vez mais sobre questões filosóficas, antropológicas, políticas, sociais e éticas.

A obra vencedora, "Systems Synthesis", consiste uma espécie de ilha, feita com terra com vários tipos de vegetação plantada, na qual habitam outros organismos, como aranhas, sendo possível ver as teias ligadas entre caules e folhas.

Na sala onde este sistema biológico foi colocado, uma máquina replica através de algoritmos as condições ambientais do seu local nativo, um espaço abandonado onde a natureza cresce sem intervenção humana.

O que este projeto propõe é uma relação simbiótica entre Natureza e Tecnologia, onde os organismos vivos dependem da máquina para sobreviver que, por sua vez, depende da vida para servir o seu propósito, segundo os artistas.

Através de uma lâmpada e ventoinhas, o grupo criou um ambiente artificial que reproduz o natural - com sol e vento -, ao qual juntou ainda sensores, que detetam o crescimento e os movimentos e produzem ao vivo os sons.

Para a ministra da Cultura, Graça Fonseca, presente no anúncio do prémio, esta exposição tem "um impacto surpreendente" porque cruza a arte com a imagem, com o som, com a palavra e com aquilo que são as preocupações atuais da sociedade, como o ambiente, a comunicação social e as 'fake news'.

Comentando o projeto vencedor - e depois de elogiar todas as obras expostas, que constituem um "percurso muito desafiante" -, a ministra destacou que "tem o particular desafio de nos colocar perante a cultura e o ambiente".

"Cada vez mais vemos novas gerações de artistas a incorporar no seu processo criativo as alterações climáticas, a água, o vento, os plásticos, os oceanos", afirmou, assegurando ser intenção da tutela apoiar e valorizar este tipo de projetos, até porque o impacto que pode ter no futuro pode ser muito importante.

A este propósito, sublinhou que todos os projetos finalistas refletem sobre os desafios da contemporaneidade, como a comunicação social, a sociedade de informação, os conteúdos falsos, além das preocupações ambientais.

Por isso, e por ser uma "geração muito importante" a continuar, o Ministério da Cultura assumiu o compromisso a quatro anos de "desenvolver medidas diferentes para que os artistas possam crescer e projetar Portugal".

Para tal são necessárias medidas, como esta parceria com o grupo Sonae, que "incentivam a continuar e premeiam a criação", afirmou Graça Fonseca.

"A parceria público-privada é fundamental, porque é a forma que temos de alargar o espaço da cultura e trazer cada vez mais 'players' para este espaço", considerou a governante.

Para a ministra, as parcerias têm um duplo objetivo: diversificar a fonte de financiamento -- funcionado em acumulação com os apoios estatais e nunca em substituição -- e alargar a rede de pessoas a que a cultura consegue chegar.

"Sabemos que há uma nova geração de artistas a surgir que trabalha com programadores, com pessoas das artes, das ciências... e estes coletivos conseguem cruzar todas estas áreas com um talento incrível".

Os artistas finalistas desta terceira edição do Prémio Sonae Media Art, no valor de 40 mil euros, foram Diogo Tudela, Francisca Aires Mateus, Rudolfo Quintas, o coletivo Berru e um grupo constituído por João Correia, Sérgio Rebelo e Tiago Martins.

O Prémio Sonae Media Art tem como objetivo distinguir as formas de criação artística contemporânea que utilizem meios digitais e eletrónicos, nas áreas de vídeo arte, projetos sonoros, projetos de exploração do virtual e da interatividade, bem como propostas de rede, em que poderão estar incorporadas outras formas de arte como a performance, a dança, o cinema, o teatro ou a literatura.

A exposição dos finalistas ficará patente até 02 de fevereiro de 2020.

Os trabalhos apresentados nesta 3.ª edição foram avaliados por um júri de seleção composto por André Rangel (investigador e professor na área de arte multimédia), António Cerveira Pinto (artista, crítico de arte, ensaísta, pedagogo e produtor, e diretor artístico do The New Art Fest) e Adelaide Ginga (historiadora da arte, curadora e conservadora do MNAC-MC, com especialização em artes digitais).

Nas duas edições anteriores do prémio, os vencedores foram a artista Tatiana Macedo com a obra "1989", em 2015, e o artista Rodrigo Gomes com a obra "Estivador de Imagens", em 2017.

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