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Prémio Turner atribuído a coletivo formado por quatro artistas finalistas

O Prémio Turner 2019 foi hoje atribuído, em Londres, aos artistas Lawrence Abu Hamdan, Helen Cammock, Tai Shani e Oscar Murillo, os quatro finalistas que decidiram unir-se num coletivo, de forma inédita, e que o júri aceitou distinguir.

Prémio Turner atribuído a coletivo formado por quatro artistas finalistas
Notícias ao Minuto

22:05 - 03/12/19 por Lusa

Cultura Londres

Os direitos humanos e os direitos das mulheres, a Irlanda do Norte, as repercussões sociais da globalização e a importância da memória são vetores que atravessam o trabalho destes artistas, que alertaram hoje para a "destruição dos serviços sociais" e para "o ambiente de radicalismo, de fascismo e racismo, de brutalidade" que se vive atualmente.

No momento do anúncio do prémio, a audiência foi surpreendida pelo facto de os quatro artistas terem decidido, de forma inédita, unir-se num coletivo, pedindo ao júri que assim os aceitasse, ao que o júri respondeu afirmativamente de forma unânime.

Num discurso em nome dos quatro, a artista Helen Cammock explicou que, "nestes tempos em que se vive um ambiente hostil", os quatro decidiram fazer um manifesto, criando um coletivo, "num gesto em defesa da partilha, multiplicidade e solidariedade, na arte e na sociedade".

Fortemente aplaudidos pelo público, os quatro artistas, que vão partilhar 40 mil libras (cerca de 47 mil euros), justificaram que, depois de uma discussão sobre o seu trabalho, a atualidade do Reino Unido e mundial, chegaram a uma decisão "contra a atual tendência de dividir e individualizar".

"Queremos usar a arte para eliminar o tempo, os muros e as fronteiras", sustentou Helen Cammock, sempre em nome do coletivo, num discurso fortemente ativista, na linha da produção artística que os quatro artistas apresentaram.

"Vivemos num ambiente de radicalismo, de fascismo e racismo, de brutalidade, em que se assiste à destruição dos serviços sociais e da educação, à privatização da saúde, à corrupção dos media. Decidimos transformar este manifesto coletivo num gesto de ação, criando um coletivo para o futuro", acrescentou.

O Prémio Turner, um dos mais importantes da arte contemporânea a nível mundial, toma o nome do expoente do Romantismo britânico, Joseph William Turner (1775-1851), e foi criado em 1984, no âmbito da Tate Britain.

Este ano, integraram o júri, Alessio Antoniollidiretor da Gasworks & Triangle, rede de apoio a jovens artistas, Elvira Dyangani Osediretora da galeria The Showroom, em Londres, Victoria Pomerydiretora da Turner Contemporary, e o jornalista e 'blogger' Charlie Porter. O júri foi presidido por Alex Farquharsondiretor da Tate Britain.

Na base da escolha de Helen Cammock para finalista esteve a exposição 'The Long Note at Void', mostrada em 'Derry/Londonderry' (o júri usa a dupla grafia pró e anti-britânica da cidade-condado da Irlanda do Norte), e em Dublin, que aborda o papel das mulheres no movimento dos direitos civis, numa das localidades mais marcadas pelo confronto de décadas entre nacionalistas e unionistas, no Ulster.

O júri destacou o caráter incisivo, atual e urgente do trabalho de Cammock, que explora histórias sociais através de cinema, fotografia, impressão, texto e 'performance', "criando narrativas em camadas, que permitem revelar a natureza cíclica da História".

A exposição individual 'Earwitness Theatre', em Chisenhale, a vídeoinstalação 'Walled Unwalled' e a performance 'After SFX', na Tate Modern, em Londres, estiveram na base da escolha do artista jordano Lawrence Abu Hamdan, residente em Beirute.

O trabalho de Abu Hamdan, segundo o júri, investiga crimes ocultos, "ouvidos e não vistos", "explorando os processos de reconstrução, a complexidade da memória e da linguagem, assim como a urgência dos direitos humanos e da sua defesa".

O júri destacou em particular o uso do som, como elemento arquitetónico, nas instalações de Abu Hamdan.

De Oscar Murillo, é recordada a participação, no ano passado, na 10.ª Bienal de Arte Contemporânea de Berlim, a exposição individual 'Violent Amnesia', em Cambridge, e a mostra 'K11', em Xangai, na China.

A capacidade de levar os materiais ao limite é a caraterística destacada pelo júri, assim como "a variedade de técnicas e meios", que combinam pintura desenho, performance, escultura e som, muitas vezes com apelo a materiais reciclados.

"O trabalho de Murillo reflete a sua própria experiência de afastamento [da terra de origem] e as repercussões sociais da globalização", destaca o júri. Murillo reside em Londres e faz parte, regularmente, das listas de jovens artistas em destaque no Reino Unido.

A escolha de Tai Shani é sustentada pela participação na mostra Glasgow International, pela exposição individual 'DC: Semiramis', em Leeds, e pela participação em 'Still I Rise', mostra coletiva sobre "feminismos, género e capacidade de resistência", em diferentes expressões artísticas.

O júri sublinhou a natureza do projeto 'Dark Continent', que Shani mantém em desenvolvimento há cerca de quatro anos, e a sua capacidade de trabalhar textos históricos com referência a questões contemporâneas.

Inspirado num texto feminista do século XV, 'O Livro da Cidade das Mulheres', da autora de origem veneziana Christine de PizanShani usa instalações "para criar sua própria cidade alegórica", descreve o júri.

Os quatro finalistas têm as suas obras em exposição na Turner Contemporary, em Margate, até 12 de janeiro de 2020.

No ano passado, o prémio foi atribuído à artista Charlotte Prodger, com base num trabalho em vídeo criado no telemóvel, que descrevia as suas experiências pessoais ao assumir a homossexualidade, numa zona rural da Escócia.

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