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Exposição 'No Feminino' reúne nove autoras na galeria Fonseca Macedo

A exposição multidisciplinar 'No Feminino' junta, até 8 de fevereiro, artistas conceituadas e emergentes, e vem, num "momento de turbulência", mostrar o valor das mulheres na arte, disse à Lusa a responsável da galeria Fonseca Macedo, que acolhe a mostra.

Exposição 'No Feminino' reúne nove autoras na galeria Fonseca Macedo
Notícias ao Minuto

18:01 - 28/11/19 por Lusa

Cultura Açores

A exposição, que está patente até 8 de fevereiro na ilha de São Miguel, nos Açores, parte do ímpeto de mostrar que as mulheres "devem ser consideradas como iguais" e por achar que, para isso, "devem criar o seu próprio espaço", explica à Lusa Fátima Mota, dona da galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, Açores.

Juntando nomes já estabelecidos no mercado de arte, como Catarina Branco, Sandra Rocha, Manuela Marques e Cristina Ataíde, às artistas emergentes Isabel Madureira Andrade, Beatriz Brum, Sofia Caetano, Alice Albergaria Borges e Maria Ana Vasco Costa, a exposição transmite uma "ideia de fluidez, de movimento", com trabalhos de desenho, pintura, escultura, fotografia, vídeo, tecelagem e cerâmica.

Essa multidisciplinaridade chega através dos desenhos da 'Flora Azorica', de Catarina Branco, "que, aqui, deixou a tridimensionalidade dos trabalhos de colagem, e voltou à superfície"; dos "desenhos de luz" de Beatriz Brum, que mostra, também, uma caixa de luz, de uma série em que trabalha as formas das lagoas da ilha; dos dípticos de Isabel Madureira Andrade, em óleo sobre tela; da escultura de Cristina Ataíde, em que, com a representação de uma árvore, pensa o ambiente; ou das aguarelas de Maria Ana Vasco Costa, que também apresenta peças em cerâmica.

A fotografia chega pelas mãos de Sandra Rocha, que leva a esta mostra um trabalho de colagem sobre fotografias suas, e de Sofia Caetano, que tem também exibido um vídeo em que explora uma narrativa, um suporte igualmente utilizado por Manuela Marques, que mostra a transformação da forma como um papel dicroico vai captando a luz, à medida que é movido pelo vento.

A galerista destaca, ainda, nos trabalhos de Maria Ana Vasco Costa e Alice Albergaria Borges "uma rutura com aquilo que normalmente é associado com as belas-artes, saindo da escultura, desenho e pintura" que, com trabalhos de cerâmica e tecelagem, respetivamente, "trazem a problemática, que já vem do século XX, mas que agora se acentua, que é a da anulação das disciplinas, alargando os conceitos de plasticidade a atividades que estavam associadas ao design ou ao artesanato".

Num "momento de turbulência", em que "todas estas novas atividades, que vêm do design, que vêm do artesanato, estão também em fase de reestruturação", estas disciplinas tentam ganhar "estatuto".

Fátima Mota observa como "estas atividades sempre foram entendidas como femininas" e aponta para a Bauhaus, a escola de arte do modernismo alemão, que este ano celebra cem anos, "uma escola independente e cheia de inovação, mas [que], em relação às mulheres, [as] colocou a fazer trabalhos ditos femininos".

A galerista recorda a propósito os trabalhos de tecelagem de Anni Albers, também evocados no trabalho de Alice Albergaria Borges.

"Não é intrínseco das mulheres não serem grandes artistas, mas é o olhar e a perceção da sociedade que lhes dá ou não esse reconhecimento. (...) Estamos, de facto, num momento de turbulência. Esses momentos são muito agitados, mas são muito importantes para mudar as coisas a favor daqueles que são mais desprotegidos", afirmou.

À agência Lusa, Fátima Mota contou que, ao longo dos quase 20 anos de existência da galeria, sempre lutou para "criar as condições medianas para que os criadores, artistas, investigadores, as pessoas do conhecimento e da criação tivessem meios para ficar em São Miguel, porque uma cidade sem os criadores e os pensadores é uma cidade pouco interessante".

No que diz respeito à valorização das mulheres na arte, o mercado "está a mudar, porque, de facto, há um movimento em vários pontos do mundo", mas sublinha que há ainda um caminho a percorrer: "Basta ver a quantidade de homens e mulheres que estão representados nos nossos museus. Se os próprios museus não fazem aquisições de projetos de mulheres, o mercado vai refletir isso, porque são instituições de referência", afirmou a galerista.

"O artista que já vendi com preços mais altos foi, de facto, um homem -- foi o Pedro Cabrita Reis. E têm sido sempre os homens [mais valorizados]. Mas é uma consequência, porque é o valor que foi sendo dado ao longo de tempo. Agora estamos num processo de reajustamento. Vamos ver como é que as coisas, agora, nesta nova geração, vão acontecer", confessa a galerista, admitindo acreditar na mudança.

A responsável pela galeria Fonseca Macedo esclarece que não quer "que os homens baixem os preços", mas que "as mulheres tenham o mesmo valor".

Agora, e como desde há 20 anos, quando iniciou a atividade da galeria, Fátima Mota continua a lutar para garantir que há espaço para todos os artistas poderem trabalhar em São Miguel, como afirma.

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