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Teatro Ildefonso Valério vai fechar portas por falta de financiamento

Encerramento resulta do "sub-financiamento do Ministério da Cultura ao programa de apoio sustentado da Direção-Geral das Artes" (DGArtes), diz grupo.

Teatro Ildefonso Valério vai fechar portas por falta de financiamento
Notícias ao Minuto

23:51 - 24/11/19 por Lusa

Cultura Arte

O Teatro Estúdio Ildefonso Valério (TEIV), em Vila Franca de Xira, anunciou hoje que vai encerrar portas e suspender a atividade a partir de 01 de dezembro, por falta de financiamento público.

De acordo com um comunicado do coletivo artístico Cegada Grupo de Teatro, que reside e programa espetáculos e atividades no TEIV, o encerramento resulta do "sub-financiamento do Ministério da Cultura ao programa de apoio sustentado da Direção-Geral das Artes" (DGArtes).

O Cegada Grupo de Teatro foi uma das 75 que não recebeu qualquer apoio no Programa de Apoio Sustentado 2020-2021, e, por essa razão, afirma que "será incapaz de apresentar programação anual em janeiro próximo".

Com uma programação artística anual de criação e acolhimento de espetáculos que diz ultrapassar as sessenta sessões por ano, o Cegada Grupo de Teatro, de Vila Franca de Xira, "vê-se obrigado a suspender a atividade em curso que serve anualmente mais de oito milhares de espetadores provenientes de estabelecimentos de ensino, museus, bibliotecas, coletividades, lares, IPSS e público geral do território a norte de Lisboa".

A direção deste coletivo artístico sublinha que o projeto, elaborado em parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, "foi considerado elegível [pelo júri] e pontuado pela Direção-Geral das Artes (DGArtes) com 79%, mais 15 pontos percentuais que a última candidatura apoiada".

Explica ainda que não se trata de um corte percentual, mas sim de um apoio de zero euros para os próximos dois anos, 2020-2021, o que representa "um categórico abandono do Governo central ao território de abrangência deste equipamento cultural público".

A companhia de teatro diz que esta falta de financiamento terá "repercussões diretas sobre todos os espetadores/utentes e instituições que dele fazem uso, levando à inevitabilidade do seu encerramento por ausência de vontade política e consequente cessação do financiamento à sua atividade".

O Cegada Grupo de Teatro tem atualmente em cena a peça 'Fonteira Fechada', de Alves Redol, figura da literatura neorrealista em Portugal.

A estrutura artística indica ainda que conta presentemente com 17 postos de trabalho: três contratos de trabalho, com a direção administrativa, artística e técnica; 11 trabalhadores independentes, entre atores e formadores, e três estagiários do curso profissional de artes cénicas, que cessarão funções com o término da temporada da referida peça no dia 01 de dezembro.

Na sexta-feira à noite, a Plataforma Cultura em Luta convocou uma "grande jornada de luta" para dia 10 de dezembro, com ações em vários pontos do país, para defender financiamento adequado para o setor das artes, num protesto contra o panorama de degradação.

A Plataforma exige uma outra política de apoio às artes e, cerca de uma semana antes da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2020, pretende chamar a atenção para a necessidade de um reforço de financiamento.

Como patamar mínimo volta a exigir 1% do orçamento para a cultura, reclamando que, até ao final da legislatura, se deve transformar em 1% do PIB.

A jornada de luta marcada para dia 10 de dezembro servirá também para contestar o que consideram ser um "quadro catastrófico" dos resultados dos concursos bienais do programa de apoio sustentado da DGArtes, que deixou sem apoio cerca de 30% das candidaturas consideradas elegíveis para financiamento, pelos júris.

Segundo os resultados provisórios, anunciados em 11 de outubro pela DGArtes, só 60% das candidaturas elegíveis para apoio pelos júris o deverão receber, no quadro dos Concursos Sustentados Bienais 2020/2021.

De um total de 177 candidaturas aos apoios sustentados, serão apoiadas 102.

No sábado, em Coimbra, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que irá introduzir "afinamentos" em 2020, no concurso bienal de apoio sustentado à criação da DGArtes, "sem colocar em causa o modelo".

"Em 2020 não há concurso bienal nem quadrienal, temos que aproveitar para introduzir afinamentos no concurso de apoio às artes, sem colocar em causa o modelo, mas percebendo que é preciso responder aos desafios que o concurso nos coloca", disse a ministra à margem de uma visita à Bienal de Arte de Coimbra - Anozero'19.

Graça Fonseca afastou a possibilidade de aumentar o financiamento para que todas as candidaturas consideradas elegíveis no concurso recebam financiamento, mas manifestou vontade de "trabalhar em 2020 para encontrar algumas medidas para resolver alguns casos concretos", sem adiantar mais detalhes.

"Isto é um concurso. Num concurso as entidades candidatam-se. Neste concurso, 60% dos candidatos terão apoio. Iremos trabalhar em 2020 para encontrar algumas medidas para alguns casos concretos, mas não vou agora falar sobre o caso de A ou B, até porque estamos ainda em fase de discussão do Orçamento", referiu a governante.

A ministra não respondeu diretamente às críticas da Plataforma Cultura, dizendo: "Os protestos são naturais em democracia, são algo que encaramos com tranquilidade".

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