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"Gostaria de saber mais coisas sobre a juventude de Jesus"

Josh Gates é um dos arqueólogos mais famosos dos nossos tempos. Aventureiro por natureza, o apresentador e produtor de ‘Expedição ao Passado’, esteve à conversa com o Notícias ao Minuto, revelando, inclusive, as suas origens portuguesas.

"Gostaria de saber mais coisas sobre a juventude de Jesus"

A terceira temporada de ‘Expedição ao Passado’ estreou, na terça-feira (15 de outubro) no Discovery Channel. Josh Gates regressa, assim, com um conjunto de novas aventuras que prometem levar o “espectador numa verdadeira volta ao mundo”.

O objetivo deste arqueólogo de 42 anos é o de resolver alguns dos mistérios mais enigmáticos da Humanidade e, para isso, conta com uma boa dose de coragem e uma equipa que o acompanha em todas as aventuras.

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Josh Gates explicou como chegou a esta “estranha e maravilhosa carreira” e garantiu que há muito por descobrir na História da Humanidade.

Um dos exemplos dados pelo arqueólogo é o da vida de Jesus. Afinal, destacou, pouco ou nada se sabe sobre a adolescência de uma das personalidades mais importantes da História da Humanidade.

Relativamente ao passado, este é tão importante como o presente e o passado, garante Josh Gates, avisando, desde logo, que quem desvaloriza o que está para trás terá dificuldades em afirmar-se no futuro. 

No cinema costuma dizer-se que ‘se a aventura tivesse um nome chamar-se-ia Indiana Jones’. Na vida real podemos dizer que se chamaria Josh Gates?

É você quem o diz! A verdade é que eu sou fã desde sempre do Indiana Jones e, por isso, sinto-me honrado com a comparação. Embora seja inútil com um chicote [risos]!

Fomos as primeiras pessoas, em milhares de anos, a ver aqueles restos mortais mumificados de um sacerdote egípcio

Sempre soube que queria ser arqueólogo ou teve outros sonhos profissionais?

Como a maioria das crianças tive sonhos de carreira bastante realistas, como ser astronauta, explorador subaquático ou tornar-me membro dos ‘The Goonies’ [risos]. Depois quando cheguei à faculdade quis estudar arqueologia subaquática e isso, misturado com o meu interesse em teatro e história, de alguma forma me levou à estranha e maravilhosa carreira que tenho hoje.

Notícias ao Minuto© Divulgação

Qual foi a expedição mais perigosa que realizou? Já temeu pela sua vida?

Este ano embarcámos numa expedição na Sibéria profunda para investigar o terrível mistério de Dyatlov Pass. Em 1959, um grupo com nove pessoas que faziam uma caminhada perdeu-se nos Montes Urais e nunca regressou. Foram depois encontradas congeladas junto às suas tendas num cenário macabro: nenhum deles tinha vestido o seu equipamento contra o frio e a maioria não tinha sequer botas calçadas. É um caso que baralhou os peritos durante muitos anos e agora, no 60.º aniversário do evento, juntámo-nos a uma equipa de investigadores determinada em resolver o caso. A nossa jornada levou-nos para longe da civilização para o local exato onde aquelas pessoas morreram com temperaturas abaixo dos -40ºC. Foi um local agoniante para explorar e filmar.

O que é que sentiu quando abriu, em direto, o sarcófago com quase três mil anos de existência?

Temor e alívio. Temor porque fomos as primeiras pessoas, em milhares de anos, a ver aqueles restos mortais mumificados de um sacerdote egípcio. Alívio por o sarcófago não estar vazio!

Quanto a si não sei, mas eu gostaria de saber mais coisas sobre a juventude de Jesus CristoDisse que há factos na vida de Jesus que o intrigam. Está a planear alguma expedição para aprofundar o tema?

Nós levámos a cabo uma expedição, recentemente, para aprofundar este tema. Jesus é umas figuras mais influentes da História e, ainda assim, não sabemos quase nada dos seus primeiros anos de vida. Temos os Evangelhos, mas mesmo eles não estão alinhados no que diz respeito a este tema. Depois só temos uma única menção aos anos da adolescência de Jesus. Quanto a si não sei, mas eu gostaria de saber mais coisas sobre a juventude de Jesus.

Notícias ao MinutoJosh Gates© Divulgação 

Quando virá explorar Portugal?

Já filmámos uma vez em Portugal – uma breve paragem na Madeira para o nosso episódio sobre Cristóvão Colombo. Foi muito bom e eu estou mesmo desejoso por explorar mais o país. A minha família paterna é originária dos Açores, por isso, esta parte do mundo corre no meu sangue.

A maioria dos jovens pensa que não há nada para explorar. Os mapas digitais e a internet levaram muitas pessoas a sentir que sabem tudo o que há para saber - o que não poderia estar mais longe da verdadeO seu programa é conhecido em todo o mundo. Acredita que é uma forma de mostrar às pessoas como é ser um arqueólogo?

Eu vejo o programa como uma forma de mostrar às pessoas a importância e a adrenalina da exploração. O meu trabalho é transportar os telespectadores para que acompanhem o trabalho de arqueólogos, historiadores e exploradores empenhados. E farei todos os possíveis para que essa seja uma viagem divertida.

Qual acha que é o contributo das suas descobertas para a nossa sociedade atual?

A minha esperança é contribuir para mostrar às pessoas diferentes culturas e capítulos fascinantes da nossa história. É importante olhar além das nossas fronteiras e ver a vasta envolvência do nosso passado. Vivemos num tempo em que a maioria dos jovens pensa que não há nada para explorar. Os mapas digitais e a internet levaram muitas pessoas a sentir que sabem tudo o que há para saber - o que não poderia estar mais longe da verdade. O mundo está cheio de mistérios e o que não falta são oportunidades para descobertas genuínas em todos os campos da ciência. A quem possa estar interessado em arqueologia que saiba que são precisas pessoas porque há muito trabalho para se fazer.

Notícias ao Minuto© Divulgação

A mensagem a passar às gerações atuais e futuras é, portanto, a de que o passado tem um papel importante na construção da sociedade?

É claro que o passado é importante e quem pensar o contrário está condenado. Roma sobreviveu por mil anos. O Egito Antigo o triplo do tempo. E hoje estes impérios estão em ruína. Porquê? Os EUA têm menos de 250 anos. Se não olharmos para o que aconteceu antes, como é que podemos achar que vamos resistir no futuro? Além do mais, tudo o que faz de nós o que somos – a nossa linguagem, as nossas tradições, o nosso conhecimento – é consequência do nosso passado. Por isso, sim, o passado é muito importante para mim.

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