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Muros "ressurgiram" e outros "apareceram" depois da Guerra Fria

O escritor angolano José Eduardo Agualusa, que é um dos participantes do Festival Internacional de Literatura de Berlim, lamenta que 30 anos depois da queda do muro que dividiu a Alemanha, outros tenham ressurgido e novos estejam a aparecer.

Muros "ressurgiram" e outros "apareceram" depois da Guerra Fria
Notícias ao Minuto

10:28 - 19/09/19 por Lusa

Cultura Agualusa

José Eduardo Agualusa já revelou em vários momentos que um dos grandes objetivos da sua escrita é derrubar muros. 30 anos depois da queda do Muro de Berlim, que se assinala a 09 de novembro (1989/2019), o escritor angolano tem pena de que as democracias continuem em causa em várias partes do mundo.

"Infelizmente houve muros que ressurgiram, pensávamos que não. Mesmo a questão da democracia, eu próprio partilhei essa ingenuidade de pensar que as democracias são para sempre, são estáveis. Depois percebemos que não são. Hoje há toda uma série de aspirantes a construtores de muros, e há outros muros que estão a ser erguidos, por exemplo, nos Estados Unidos. Infelizmente, a queda do muro de Berlim, não foi o fim de todos os muros", revelou o escritor, em entrevista à agência Lusa.

Na Alemanha, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) tem ganhado força, conseguindo, nas últimas eleições regionais, os melhores resultados de sempre.

"Acho que este ressurgir da extrema-direita tem muito a ver com o que aconteceu nos Estados Unidos, com a eleição de [Donald] Trump. Penso que sem o Trump não teria havido [Jair] Bolsonaro, e se o Trump não for reeleito, que espero que não seja, o Bolsonaro acaba nesse mesmo dia. Há aqui um lado que é conjuntural, e depois há um lado mais profundo, que tem a ver com o facto de as sociedades não estarem a ser capazes de responder a desafios urgentes", explicou.

Ainda assim, o escritor angolano acredita que "as coisas melhoraram muito a todos os níveis".

"Sou otimista. Estamos muito melhor do que há 50 anos, do que há 100 anos, do que há mil anos. Mesmo no espaço de língua portuguesa, pela primeira vez estamos em paz, nunca houve um lugar onde não houvesse um conflito no espaço da língua portuguesa. E hoje há paz em todos esses países. Embora, por vezes, a humanidade recue, globalmente avança", frisou.

José Eduardo Agualusa, que é um dos convidados do Festival Internacional de Literatura de Berlim, juntamente com outros escritores como a portuguesa Grada Kilomba, de origem são-tomense, ou o brasileiro Luiz Ruffato, congratula-se pela existência destes espaços dedicados aos livros.

"Eu acredito que a literatura nos melhora. Qualquer festival deste tipo cria leitores mais sofisticados e aproxima-nos uns dos outros. Infelizmente quando vimos a estes festivais, não temos tempo para assistir a outras mesas, a outros eventos", ressalvou José Eduardo Agualusa.

O escritor angolano confessa que ainda "conhece mal a literatura que se faz atualmente na Alemanha", acrescentando, ainda assim, que o público é "sofisticado e muito interessado".

Agualusa está a terminar um novo livro, que deverá sair no final deste ano, uma obra que lhe deu "muito prazer" e que é "diferente dos outros."

"Cada livro é um livro. Este livro foi escrito integralmente na ilha de Moçambique, a ação decorre lá, durante um festival de literatura. A construção é diferente", concluiu, sem querer adiantar mais pormenores.

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