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'Emília' estreia em Lisboa para falar "da família que se construiu"

A peça "Emília", do dramaturgo argentino Claudio Tolcachir, estreia-se a 11 de setembro no Teatro da Politécnica, em Lisboa, com os Artistas Unidos a procurarem a história de uma família "que se construiu", além da genética.

'Emília' estreia em Lisboa para falar "da família que se construiu"
Notícias ao Minuto

10:44 - 08/09/19 por Lusa

Cultura Teatro

Esta produção dos Artistas Unidos conta com interpretação de Américo Silva, Andreia Bento, Isabel Muñoz Cardoso, João Estima e Pedro Carraca, encenação de Jorge Silva Melo, e estará em cena de 11 de setembro a 19 de outubro, no Teatro da Politécnica.

"Esta peça incide na família. Mas não a família genética, a biologia já acabou, é a família de leite, de amas de leite. As amas que deram de mamar, que não são nada geneticamente, mas que cuidaram dele [do bebé], que o viram fazer cocó e o acordaram. Esta família estabelece-se aqui", explica à Lusa o encenador e fundador da companhia, Jorge Silva Melo.

Última parte de uma trilogia, e um regresso dos Artistas Unidos a Tolcachir, depois de "Um Vento no Violino", estreada em 2018, e de "A Omissão da Família Coleman", apresentada em leitura e em versão radiofónica, no ano anterior, a nova encenação narra o encontro de um homem com a antiga ama de leite, Emília, quando a família se encontra em mudanças para uma casa nova.

Emília, aqui interpretada por Isabel Muñoz Cardoso, cuidou da personagem de Américo Silva e "até teve um filho, mas nem se fala dele". A peça sucede a "Um Vento no Violino" em que a genética marca os laços familiares, com duas mulheres a viver juntas e a querer ter um filho biológico.

"Aqui [em 'Emília'], trata-se de vencer as barreiras do ADN e encontrar no amor, no carinho, na devoção, no companheirismo, as bases de uma nova família", destacou o encenador à Lusa, sublinhando paralelos com o filme "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón, que parte da mesma situação.

O cenário das mudanças, em que "as personagens não sabem das coisas", é "teatralmente muito interessante", também pela ideia de como a vida 'velha' se encaixa no novo espaço, como numa cena em que uma mesa "já não cabe na casa nova, tem de ir para o lixo -- e é uma das situações que hoje se vive".

No final, "Emília é uma mulher que se apagou, deixou de existir", e há um outro filho "que também se liga a um pai que não é dele", no caso a personagem de Américo Silva, numa continuidade da ideia de família de laços, por oposição à família genética.

A peça, que já passou por Espanha, Brasil ou Itália, foi apelidada pela crítica italiana como a mais comercial do dramaturgo, mas apenas, afiança Jorge Silva Melo à Lusa, porque "permite um grande trabalho de atriz, mais velha e mais conhecida do público", por ser centrada "numa personagem rica de cambiantes" e por apelar "a um público mais vasto".

Outra das marcas do texto é a forma como "é muito divertido e cómico, mesmo que a situação seja triste".

"As relações entre o casal (...) são violentas, mas a peça é muito engraçada. No meio de uma discussão, por exemplo, o homem diz que vai fazer panquecas. É uma situação que sai da banalidade da violência do dia-a-dia. Não a violência de Tarantino [realizador norte-americano], mas do quotidiano, entre a cozinha e a casa de banho", acrescentou.

Claudio Tolcachir trabalha como ator, dramaturgo e encenador, tendo fundado, em Buenos Aires, a Companhia e Escola Timbre 4, passando para o plano internacional com "A Omissão da Família Coleman", em 2005, que os Artistas Unidos gravaram, em 2017, para o programa "Teatro Sem Fios", da Antena 2.

Desde então, a obra do argentino tem circulado por vários países ibero-americanos e, em Portugal, está publicada na coleção dos Livrinhos de Teatro da Cotovia e dos Artistas Unidos, com dois volumes, "A Omissão da Família Coleman/Terceiro Corpo", de 2017, e "O Vento Num Violino/Emília", de 2018.

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