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Punk dos Fucked Up nasceu "dos movimentos sociais"

A banda canadiana Fucked Up, que na sexta-feira atuou no Primavera Sound, foi fundada em 2001, sob o signo "dos movimentos sociais" de que vinham os vários membros, explicaram à Lusa dois dos seus membros.

Punk dos Fucked Up nasceu "dos movimentos sociais"

"O nosso envolvimento no 'punk' veio dos movimentos sociais. No final dos anos 90, havia muito ativismo, também por coisas como o FMI ou o mercado global, essa era a grande 'cena'. E ser jovem significava estar nos grandes protestos. Isso está agora de volta, os miúdos na América estão mais conscientes", atirou o guitarrista Mike Haliechuk, em entrevista à agência Lusa, no Parque da Cidade do Porto.

O grupo oriundo de Toronto subiu ao palco no segundo de três dias do NOS Primavera Sound, começando com uma música que partilharam com jovens da Escola do Rock de Paredes de Coura, que descobriram após duas 'covers' feitas pelo projeto do festival português.

O envolvimento dos jovens através deste género musical em causas sociais, do feminismo a questões raciais, entre outras, volta a ser "uma boa forma de as pessoas desfrutarem da parte da vida que os liga aos movimentos, como sempre foi", mas também porque esta música - o punk - vem de um sítio de "honestidade".

"Talvez a música seja mais política, se for honesta, porque reflete um tempo em que as pessoas estão mais engajadas", refletiu Josh Zucker. Para este guitarrista, os músicos tocarem em política "é quase sempre uma coisa boa, desde que seja honesto", mesmo não gostando da pressão para que "comentem tudo o que é política".

Os artistas "não são necessariamente as pessoas mais esclarecidas quanto a política, têm uma grande plateia, mas as pessoas procuram clarificar um momento, e isso não é a coisa mais inteligente", fundamentou Zucker à Lusa.

Ainda assim, Haliechuk considerou que as pessoas "com responsabilidade para fazer coisas" estarão "sempre" pelo mundo, na música ou fora dela, e "as bandas certas e as notícias certas podem ensinar o que se pode fazer".

"Penso sempre que em breve alguém terá de fazer um álbum sobre alterações climáticas, mas não sei como o podem fazer dentro desta arte. Mas será, penso, a próxima grande coisa que o mundo da música deve abordar", completou.

No regresso a um evento em que marcaram presença pela primeira vez em 2015, o novo disco "Dose Your Dreams", lançado em 2018, foi o mote de uma atuação que manteve, ainda assim, a "mesma energia" de registos anteriores, mais 'crus' no seu estilo.

O novo registo de estúdio é diferente dos anteriores e regressa a David, uma personagem que percorre a discografia dos canadianos e, embora 'esteja' "nos anos 1970", não deixa de falar "de alguma maneira em temas atuais".

"Mas somos fãs de 'punk', e subconscientemente queremos fazer discos que não sejam datados, para que as ideias possam ressoar com alguém que nos ouça daqui a 50 anos. Este [disco] lida com a solidão e outras coisas com que as pessoas lutam, não com a atualidade", explicou Mike Haliechuk à Lusa, enquanto Zucker rejeitou a ideia de que Fucked Up possa ser uma das marcas do género nos dias que correm.

"Não penso que as pessoas devam olhar para nós para aferir se o punk está vivo ou morto, há muitos melhores exemplos", atirou Josh Zucker, à Lusa.

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