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Gertrude Stein e a sua "acompanhante" revivem memórias no São Luiz

A escritora Gertrude Stein e a sua companheira de vida, Alice B. Toklas, encontram-se no palco do Teatro S. Luiz para reviver histórias passadas e recordar personalidades com quem conviveram, numa peça que se estreia a 19 de junho.

Gertrude Stein e a sua "acompanhante" revivem memórias no São Luiz
Notícias ao Minuto

22:00 - 06/06/19 por Lusa

Cultura São Luiz

Lisboa, 06 jun 2019 (Lusa) - A escritora Gertrude Stein e a sua companheira de vida, Alice B. Toklas, encontram-se no palco do Teatro S. Luiz para reviver histórias passadas e recordar personalidades com quem conviveram, numa peça que se estreia a 19 de junho.

"Gertrude Stein e Acompanhante", peça de Win Wells, adaptada por A Escola de Mulheres e traduzida por Fernando Vilas-Boas, conta com interpretação de Cucha Carvalheiro e Lucinda Loureiro, que põem em cena um "diálogo improvável", entre a escritora e poetisa e a sua companheira de vida, Alice B. Toklas, para o qual convocam alguns dos assuntos preferidos de Gertrude Stein - ela própria, a literatura, a pintura, as artes -- e recordam personagens marcantes da cultura mundial que com elas conviveram.

Trata-se de uma comédia, que foi buscar o título a Ernest Hemingway, montada em forma de diálogo de uma forma um pouco bizarra", em que mortos e vivos convivem: "No dia em que Gertrude Stein morre, a Alice recebe a visita dela, revivendo histórias e memórias e elas próprias interpretando outras personagens para reviverem essas histórias", contou à Lusa a encenadora, Fernanda Lapa.

"Elas passaram as duas guerras em Paris e, durante a Segunda Guerra, quando eram americanas e judias, ainda por cima, tiveram que receber militares nazis na casa delas, portanto revivem todas essas histórias. No fundo é um grande trabalho para duas atrizes", acrescenta.

Mais do que uma peça 'gay', como tem sido considerada, é um espetáculo sobre a historia de amor entre Gertrude Stein e Alice Babbete Toklas, que foi sua companheira de quase 40 anos de vida, as duas americanas de origem judia, que se encontraram em Paris.

"Gertrude Stein, além de ser uma escritora muito controversa, muito ligada à estética cubista, visto que ela e o irmão [Leo] foram os primeiros colecionadores das obras dos cubistas e modernistas, era uma mulher que tinha um salão na rue de Fleurus, em Paris, onde se reuniam pintores e escritores e os intelectuais da época", contou Fernanda Lapa.

"Alice B. Toklas foi a companheira dela, era a secretária, a amante, a organizadora da vida dela, e o Hemingway detestava-a, porque teve uma paixoneta pela Gertrude e a Alice nunca lhe perdoou e zangaram-se todos", razão por que Hemingway se recusava a dizer o nome de Alice, e referia-se sempre às duas como "Gertrude Stein e acompanhante".

Apesar de todos estes contornos, "toda a peça é uma alta comédia" e é um trabalho para duas atrizes e um músico, um pianista, Nuno Vieira de Almeida, que estará ao piano no palco, a interpretar peças musicais do período Modernista e de compositores que conviveram com Stein e Toklas.

Serão tocadas obras "Tilim-bom", de Stravinsky, "Begin the beguine", de Cole Porter, "Gnossienne n.º 1", de Eric Satie, "Novelette III" e "Pablo Picasso", de Francis Poulenc, e "Tiger! Tiger!" e "The land of dreams", Virgil Thomson, compositor de quem Gertrude Stein se tornou grande amiga e com quem colaborou na ópera "Quatro Santos em Três Atos" - ela escreveu o libreto, ele musicou-o.

Quanto às várias personagens que as duas atrizes interpretarão, além de Stein e Toklas, contam-se personalidades que vão desde o irmão de Gertrude, ou o pintor Picasso, até ao major nazi ou a Mabel Dodge, "que foi uma mulher que promoveu bastante, no início, a escrita e dramaturgia da Gertrude.

"Portanto, o meu trabalho focou-se sobretudo na direção das intérpretes. Foram duas mulheres que viveram. Temos muitas referências por livros de ambas, por muitos escritos de escritores dessa época, sobretudo o Hemingway, e por isso imaginámos como seriam aquelas duas mulheres, uma extremamente impositiva, que não falava, decretava, e a outra que vivia um pouco na sombra", disse a encenadora.

A peça estará em cena até 30 junho, de quarta a sábado, às 21:00, e domingo, às 17:30, na Sala Mário Viegas.

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