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Rui Zink considera Agustina Bessa-Luís "tesouro nacional"

O escritor e professor universitário Rui Zink considerou hoje que Agustina Bessa-Luís é "um tesouro nacional", recordando que a escritora deixa "a obra e o cheirinho do seu humor e da sua ironia".

Rui Zink considera Agustina Bessa-Luís "tesouro nacional"

"Quando uma pessoa é tratada pelo primeiro nome como é o caso dela, - há muitos, muitos, anos -, significa que ela é um tesouro nacional", disse Rui Zink, em declarações à agência Lusa, explicando que a escritora "era chata, porque [nos] via por dentro e isso, às vezes, é um bocadinho incómodo".

De acordo com professor universitário, Agustina Bessa-Luís era uma pessoa que não precisava de acessórios para conseguir ver o detalhe.

"Ela era o tipo de pessoa que não precisava de microscópio para ver mais longe, mais dentro", referiu Rui Zink, admitindo que "é mais interessante" conseguir ver mesmo a "nível do nano", e que "mais fácil as pessoas verem mais longe para fora".

Para Rui Zink, Agustina Bessa-Luís deixa "um labirinto enorme de páginas e páginas para nós irmos desbravando", lembrando que, quando era estudante e dava aulas, teve de reler "A Sibila" para ajudar a passar os alunos, sendo a escritora uma presença desde sempre para o professor universitário.

A escritora Agustina Bessa-Luís morreu hoje, aos 96 anos, disse à Lusa fonte da família.

Agustina Bessa-Luís nasceu em 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante, e encontrava-se afastada da vida pública, por razões de saúde, há cerca de duas décadas.

O seu nome destacou-se em 1954, com a publicação do romance "A Sibila", que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz.

Recebeu igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro" e, em 2001, com "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".

Foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Sobre Agustina, o ensaísta Eduardo Lourenço disse, em declarações à Lusa, no final da cerimónia da entrega do prémio com o seu nome, que é uma autora "incomparável", a "grande senhora das letras portuguesas".

Em 2004, Agustina recebeu os Prémios Camões e Vergílio Ferreira.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.

Questionada sobre o que escrevia, a autora disse, num encontro na Póvoa de Varzim: "É uma confissão espontânea que coloco no papel".

As cerimónias fúnebres da escritora decorrerão na terça-feira, na Sé Catedral do Porto, seguindo depois para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real, onde será sepultada, "na intimidade da família", revelou hoje o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.

O funeral realiza-se na terça-feira, segundo a mesma fonte.

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