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Violência doméstica e discriminação sobem a palco em Cascais

A violência doméstica e a discriminação são o tema da peça "Sobreviventes", escrita por Tito Lívio e encenada por Carlos Avilez, que o Teatro Experimental de Cascais (TEC) estreia na quarta-feira, na cadeia da Divisão Policial de Cascais.

Violência doméstica e discriminação sobem a palco em Cascais
Notícias ao Minuto

20:00 - 28/05/19 por Lusa

Cultura Teatro

A peça de teatro, que vai estar em cena até dia 9 de junho, será acompanhada de uma série de colóquios sobre o tema, com dirigentes da polícia e elementos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), anunciou o TEC.

'Sobreviventes' é uma história que coloca no centro as mulheres, que continuam a ser discriminadas diariamente por todo o mundo, adianta a companhia.

A peça foca a discriminação feminina no emprego, nos salários, nos direitos e privilégios, nos padrões de comportamento, no seio das várias igrejas, em casa e no amor, nas empresas e na política, numa educação e moral sexistas, que lhes veda o acesso pleno à educação, à visibilidade e ao conhecimento e, portanto, à participação plena em sociedade, refere o TEC.

Tito Lívio destaca que a "peça é uma homenagem a essas mulheres maltratadas pelos homens ou pela sociedade em que vivem, mas que, apesar dos seus traumas e dores, souberam seguir em frente e encontrar a sua própria voz e caminho", acrescenta.

Este é um tema muito presente na vida do autor, que desde muito jovem teve contacto com a violência doméstica: do pai em relação à mãe e a ele próprio, como contou à Lusa.

Esta realidade manteve-se sempre presente na sua vida, quer através de casos passados com amigas, quer com os alunos da universidade, na escola de teatro e cinema, onde dá aulas e onde tem presenciado um aumento da violência doméstica entre os jovens, acrescentou.

Daquilo que era a ideia inicial para a peça, e por sugestão do encenador Carlos Avilez, houve uma extensão para o universo masculino e também para o homossexual, onde estes casos têm vindo a aumentar ou, pelo menos, a ganhar mais visibilidade.

"Primeiro, a peça era só com casos de mulheres", mas, depois, o âmbito foi alargado, "visto que este ano há cinco homens que foram mortos pelas companheiras, e outros maltratados física e psicologicamente, porque a violência feminina é sobretudo psicológica".

Há também um caso entre um casal gay, de homens, que retrata uma realidade existente, mas "muito ocultada, porque ser gay já é uma estigmatização, mas sendo violência domestica, acresce uma outra".

Contudo, ressalva, "a maior parte dos textos tem, por protagonistas, mulheres".

Em termos de encenação, Tito Lívio conta que a peça consiste essencialmente em monólogos baseados "na realidade, que ultrapassam largamente qualquer ficção", e em que "as pessoas [atores e público] vão percorrendo a esquadra".

"Tem também música, tem canções cantadas por três das atrizes, algumas vezes à capela, outras acompanhadas ao piano", afirmou, mostrando-se convicto de que a encenação "vai surpreender muita gente".

Tito Lívio salvaguarda que as personagens não são abordadas de forma muito dramática, porque o objetivo não é que suscitem pena, mas que mantenham sempre a dignidade.

O final, garante, "é impactante", é "um fim coral, em que entram todas as personagens com os seus traumas, um final que põe as pessoas frente a uma realidade que são autênticos crimes de ódio", contou, sublinhando que "quis colocar isso bem em evidencia".

'Sobreviventes' conta com as interpretações de Domingos Pinto Coelho, João Gaspar, Maria José Paschoal, Paula Sá, Soraia Tavares e Teresa Côrte-Real, que, de quarta-feira e domingo, a vão apresentar na Divisão Policial de Cascais.

No dia da estreia está previsto um debate, para o qual o público é chamado a participar, com a presença do comandante de divisão, Norberto Gomes, com o Comandante da Esquadra de Investigação Criminal, João Alves, e com a adjunta da Esquadra de Investigação Criminal (gestora de processos de violência doméstica), Cláudia Fonseca.

Para o dia 1 de junho, está prevista uma conversa com Daniel Cotrim, assessor técnico da Direção da APAV e responsável pela área da Violência Doméstica e de Género nesta associação, enquanto o dia 09 -- último dia de atuação - ficará marcado por uma conversa com Carolina Gomes, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima de Cascais da APAV.

Segundo Tito Lívio, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai editar um livro baseado neste texto teatral, com o mesmo título - 'Sobreviventes' - que vai ter um prefácio do encenador, Carlos Avilez, e um posfácio de Daniel Cotrim, psicólogo principal da APAV.

Parte das receitas da bilheteira vão reverter a favor da APAV.

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