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Avy Kaufman. "Tenho muito respeito por atores. É muito difícil ser bom"

Diretora de casting que trabalha com realizadores como Ridley Scott, Ang Lee, Peter Jackson ou Steven Spielberg está em Lisboa para a iniciativa Passaporte'19 e para conhecer talento português.

Avy Kaufman. "Tenho muito respeito por atores. É muito difícil ser bom"
Notícias ao Minuto

09:15 - 12/05/19 por Anabela Sousa Dantas 

Cultura Passaporte'19

Avy Kaufman começou por ser bailarina, mas não deu. Há mais de 30 anos que o seu talento é encontrar e escolher talento - uma daquelas profissões por detrás da cortina no cinema e na televisão.

Kaufman não é um nome familiar do público, mas é uma referência na indústria cinematográfica. Vencedora de um Emmy para Melhor Casting em Série Dramática (‘Damages’, 2001), escolhe talento para filmes e séries, tendo trabalhado em grandes produções para realizadores como Steven Spielberg (‘Lincoln’), Peter Jackson (‘The Lovely Bones’) ou Ridley Scott (‘American Gangster’, ‘Body of Lies’), mas também produções mais pequenas com muito sucesso, como ‘The Sixth Sense’, de M. Night Shyamalan, ou independentes de culto, como ‘Dogville’, de Lars von Trier, realizador com que voltou a trabalhar recentemente em ‘The House That Jack Built’.

A diretora de casting, recorde-se, está em Lisboa como convidada da Academia Portuguesa de Cinema para a quarta edição da iniciativa Passaporte, que começou na passada quarta-feira e termina este domingo. É a primeira vez que marca presença no evento e diz não estar ainda familiarizada com o talento que existe em Portugal. “Isso é uma das razões pelas quais estou muito entusiasmada por estar aqui”, indicou ao Notícias ao Minuto, depois do primeiro dia do evento.

O Passaporte, sublinhe-se, coloca no mesmo espaço vários diretores de casting internacionais e atores portugueses selecionados pela organização, onde participam numa série de workshops e entrevistas.

Estive no primeiro filme que a Jodie Foster realizouAvy Kaufman tem mais de três décadas de experiência na Sétima Arte, mas não começou por ser diretora de casting. “Queria ser bailarina mas não deu certo e comecei por fazer castings para anúncios. Depois fui subindo, lutando até chegar ao cinema”, afirmou, deixando antever, também, que o caminho para o sucesso não foi simples. “Não foi fácil subir os degraus até aqui, para ser perfeitamente honesta”, admitiu, afável mas sem elaborar, fazendo uso parcimonioso das palavras, como lhe é característico.

Os primeiros filmes? ‘Miss Firecracker’ (1989), realizado por Thomas Schlamme, e ‘Little Man Tate’ (1991), realizado por Jodie Foster. “Estive no primeiro filme que a Jodie Foster realizou, ‘Little Man Tate’ e ‘Miss Firecracker’ foi baseado numa peça da Broadway, com Holly Hunter, Tim Robbins, Alfre Woodard e Mary Steenburgen”, explicou, lembrando o dia em que conheceu Jodie Foster. “Estava muito nervosa... ‘Meu Deus, que preciso eu de fazer para ficar com este trabalho?’. Estava muito empolgada, também”.

Notícias ao MinutoJodie Foster e Avy Kaufman em 2005© Getty Images

Reconhecendo que uma das principais características da sua profissão é a confiança, lembra que trabalha por diversas vezes com os mesmos realizadores, citando Ang Lee como um exemplo especial de ligação, uma vez que trabalharam juntos em vários projetos, como ‘Brokeback Mountain’ ou ‘Life of Pi’. “Trabalho com o Ang há mais de 20 anos. Há alguns realizadores com os quais tenho trabalhado mais… É uma grande ligação. O Ang confia em mim e eu confio nele. É muito bom poder ter este tipo de ligação no nosso trabalho. É muito especial”.

Quando há um bom casting a maior parte das pessoas não pensa nisso. Pensa-se nisso quando é mauNão tem uma resposta para dar sobre o que procura ao conhecer um ator, porque existe uma miríade de fatores, mas é perentória num aspeto: “Eu tenho muita admiração e respeito por atores. É muito, muito, muito difícil ser um bom ator. Muito difícil. E é isso. Tenho grande admiração e respeito”.

Ao falar sobre a profissão de diretora de casting, Avy Kaufman admite alguma invisibilidade. “Não se pode fazer uma boa série ou um bom filme sem um bom casting. E quando há um bom casting a maior parte das pessoas não pensa nisso. Pensa-se nisso quando é mau. Quando se está a ver um filme e se pensa ‘que está ele a dizer?’, ‘isto não funciona’, então pensa-se [no casting]. Mas quando se vê um bom filme, a maior parte das pessoas não sai a dizer ‘que grande casting’. As pessoas só apreciam, não desconstroem o processo”.

Ainda assim, faz parte de um grupo de pessoas que ajuda a transformar o que o público no pequeno ou no grande ecrã vê. “Sabe do que me orgulho? No meu escritório tenho fotografias, mesmo que pequeninas, dos filmes em que trabalhei e filmes como ‘Ice Storm’ (1997), filmes como ‘The Basketball Diaries’ (1995), eram o primeiro filme de muitos atores. Portanto, óbvio que tenho orgulho”, afirma. Sublinhe-se que, por exemplo, ‘Ice Storm’ conta, entre os nomes menos conhecidos na altura, com Tobey Maguire, Christina Ricci, Elijah Wood e Katie Holmes.

“Eu posso ser desagradável, fiz o ‘Sexto Sentido’ e lembro-me de insistir muito: ‘Temos que contratar esta pessoa, temos que contratar esta pessoa’. E algumas pessoas não querem que eu seja desagradável, mas às vezes tem que ser, quando realmente acreditamos em algo”, acrescentou.

Neste momento, Kaufman está a trabalhar em alguns projetos distintos, séries e filmes. “Vamos começar algo para a HBO com a Kate Winslet”, revelou. Talvez encontre alguém por cá? “Talvez, sim. É para isso que estou aqui [risos]”.

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