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Estreia "a solo" de Joana Vasconcelos na Alemanha tem "sabor especial"

A artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos inaugura hoje à tarde a primeira exposição individual na Alemanha, no museu Marx Ernst, em Brühl, e a mostra tem para si "um sabor especial".

Estreia "a solo" de Joana Vasconcelos na Alemanha tem "sabor especial"
Notícias ao Minuto

13:58 - 06/04/19 por Lusa

Cultura Arte

Intitulada 'Maximal', reúne uma seleção de vinte obras da artista "à volta da obra de Marx Ernst" e com uma "perspetiva sobre o surrealismo", revela Joana Vasconcelos, em declarações à agência Lusa, acrescentando que a exposição resultou de um trabalho de mais de um ano.

"Há 30 anos fiz um InterRail e o meu objetivo era chegar a Berlim. Parei em Madrid, depois parei em Paris, e lá fui visitar o [Centro Georges] Pompidou onde havia uma grande exposição do Marx Ernst [pintor, escultor, artista gráfico e poeta, nascido na Alemanha]. Tirei uma fotografia com a 'Capricorn' [escultura de 1948], que é talvez a sua peça mais importante. Guardei sempre essa fotografia e, curiosamente, três décadas depois, estou a expor ao seu lado", indicou Joana Vasconcelos, sublinhando que, por isso, a exposição tem um "sabor especial".

Na mostra há uma "espécie de troca" em que a artista leva uma das suas obras para o meio da coleção de Marx Ernst, ao lado das suas esculturas, trazendo também uma peça para a sua exposição.

"Expor a primeira vez na Alemanha, sozinha, num museu, e esse museu ser o Marx Ernst, tem um significado particular para mim porque eu, há 30 anos, não sonharia sequer ser possível estar ao lado do Marx Ernst e ser artista plástica. Eu estava a iniciar os meus estudos. Hoje, quando olho para trás, penso que a vida dá mesmo muitas voltas. É incrível a vida ter-me trazido aqui, é fantástico", destacou.

O trabalho a ser exposto inclui peças que vão desde os emblemáticos 'Coração Independente Vermelho' e 'Carmen Miranda', da série 'Sapatos', até outras mais antigas, como 'Brise' e 'Spin' (ambas de 2001), 'Esposas' e 'Passerelle' (de 2005), passando por algumas raramente apresentadas ao público, como 'Style for Your Hair' (2000), contemporânea de 'Mise', e que evoca, a grande escala, o processo de pintura de madeixas, ou "Matilha" (2005), conjunto de diversos cães de porcelana, cobertos com 'crochet'.

"O coração de Viana [Coração Independente Vermelho] está no centro da exposição, o 'Cottonopolis', que é uma peça enorme que eu fiz para o museu de Manchester, contracena com a escultura do 'Moonmad' do Marx Ernst. Depois tem uma série de peças, como a 'Pantelmina', que é uma das primeiras feitas a tricô, tem umas peças ligadas à água e à casa de banho, uma série de peças ligadas aos cabelos... Na verdade, tem vários núcleos de obra que estão conjugados de forma a criar espaços totalmente diferentes", frisou à Lusa.

Joana Vasconcelos realça que "não foi difícil" escolher as 20 obras, que vão estar expostas até ao dia 4 de agosto, no Max Ernst Museum Brühl des LVR e não esconde o desejo de levar o seu trabalho à capital alemã.

"Viajo para onde o meu trabalho me leva, adoraria fazer uma exposição em Berlim. Pode ser que depois desta venha um convite para Berlim", confessou a artista plástica.

'Maximal', a exposição, é inaugurada hoje, ao final da tarde.

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