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'Os Aliens', de Annie Baker, estreia-se no Teatro da Politécnica

Nas traseiras de um café, dois homens de 30 anos habituados a nada fazer são o centro da ação da peça "Os aliens", de Annie Baker, que se estreia, na quarta-feira, no Teatro da Politécnica, em Lisboa.

'Os Aliens', de Annie Baker, estreia-se no Teatro da Politécnica
Notícias ao Minuto

10:30 - 20/01/19 por Lusa

Cultura Peça

Com esta peça, Pedro Carraca volta a um texto da autora norte-americana nascida em 1981, vencedora de um prémio Pulitzer e um Obie em 2014 com "Cinema", que o ator e encenador levou ao palco do pequeno auditório da Culturgest em abril de 2017.

Depois de ter descoberto a autora em 2017, Pedro Carraca leva agora ao palco do Teatro da Politécnica uma peça com muitas pausas e na qual estas representam quase o texto, como o próprio disse à agência Lusa.

Dois homens de 30 anos, completamente falhados na vida, e outro, também jovem, as traseiras de um café e dois caixotes de lixo é tudo quanto basta para compor o cenário e ação desta peça "ainda mais despida que 'Cinema'" e que por isso mesmo Pedro Carraca achou "bastante desafiante".

"É uma realidade americana de duas pessoas, completamente falhadas na vida, de 30 anos, mas que, de repente, eu olho para elas e penso em várias que eu conheço do meu passado na Damaia e que provavelmente várias pessoas conhecem", observou Pedro Carraca.

No fundo, são pessoas com "potencialidades para fazerem várias coisas, mas que acabaram por ficar inertes, paradas, num outro tempo".

"E quando nas peças consigo estabelecer ligações para a nossa realidade dá-me logo muito mais interesse de as trabalhar", sublinhou.

Ao contrário de "Cinema", que tinha muitas pausas, mas que eram preenchidas por duas pessoas que estavam sempre a limpar o cinema -- ou seja, "onde havia um movimento de ação que era quase performativo e que dava um sentido diferente às pausas" -- "Os aliens" é "exatamente sobre o vazio na vida daquelas duas pessoas".

"Nada se passa. E é quase como se o vazio fosse a peça e não os textos que dizem", explicou.

Segundo o encenador, a peça tem ainda outra particularidade, que reside no facto de a informação das frases parecer muito banal, mas ganhar uma dimensão diferente por a frase ser interrompida pela pausa.

"Por não haver o seguimento do raciocínio anterior e, de repente, uma coisa completamente banal torna-se viva e interessante", e, por outro lado, "é como se deixasse uma suspeita de outra coisa no ar", acrescentou.

Questionado sobre se "Os aliens" é uma peça sobre a solidão, Pedro Carraca diz que é antes sobre "a desistência" ainda que a solidão também esteja muito presente.

Uma peça "completamente despida e quase vazia" que embora pareça não dizer nada, diz imensas coisas e aborda muitos assuntos diferentes, enfatizou.

"Seja a questão racial, seja a da lealdade dentro das relações, seja a questão das pessoas que vivem nas margens, inclusive nas próprias margens do território de cada país" -- esta peça aborda tudo ainda que de uma maneira "completamente subtil".

Com tradução de Mariana Maurício, a peça é interpretada por Afonso Lagarto, Pedro Baptista e Pedro Caeiro.

Com cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves, luz de Pedro Domingos, músicas e letras originais de Michael Chernus, Patch Darragh e Erin Gann e direção musical de Rui Rebelo, a peça vai estar em cena até 02 de março.

"Os Aliens" pode ser vista às terças e quartas, às 19:00, às quintas e sextas, às 21:00, e aos sábados, às 16:00 e às 21:00.

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