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Refugiados têm nome e recordam histórias em cinema em Lisboa

Cada refugiado tem um nome e uma história para contar. Daud e Ismail mostram a sua, na próxima quinta-feira em Lisboa, no Festival Refugees IN, um projeto europeu que visa contribuir para a inclusão através do cinema.

Refugiados têm nome e recordam histórias em cinema em Lisboa
Notícias ao Minuto

15:00 - 21/11/18 por Lusa

Cultura 5.ª feira

Daud Al-Anazy fugiu de Mossul, a cidade iraquiana que caiu em 2014 nas mãos do grupo extremista Estado Islâmico e ainda percorreu a Síria, Turquia e Grécia antes de chegar a Portugal em dezembro de 2015.

Com 27 anos, fala um português hesitante, mas suficiente para lhe garantir um emprego. Trabalha na Casa do Pão de Ló, em Alfeizerão, próximo de São Martinho do Porto, no concelho de Alcobaça, onde reside e mostra-se preparado para ficar neste "país calmo" para não ter de "começar tudo outra vez" noutro país europeu

O cinema, afirma, "é importante para ajudar os refugiados" e "para mudar a perceção sobre eles".

"Conto a minha história, como cheguei a Portugal, o que faço", diz, a propósito do documentário "Daud", um dos 12 que vão ser exibidos na Conferência Internacional e Festival Refugees IN, que decorre nos dias 22 e 23 de novembro em Lisboa.

"Amanhã é melhor" é o título do documentário que retrata a nova vida de Ismail Haki em Portugal.

O título resume as esperanças deste sírio de 38 anos, num futuro mais risonho, depois de ter escapado da devastada cidade síria de Alepo.

Formado em Design de Interiores, este antigo funcionário dos caminhos de ferro sírios, estuda atualmente arquitetura no ISCTE e chegou a Portugal a 06 de junho de 2016, no mesmo dia do seu 36.º aniversário.

Resolveu participar no projeto Refugees IN para que "saibam quem somos" e para que as pessoas conheçam um pouco mais sobre "a vida e a experiência dos refugiados".

Apesar da falta de apoios, está empenhado na aprendizagem do português. Esperou seis meses até conseguir começar a aprender - apesar de se ter registado na Plataforma de Português do Alto Comissariado para as Migrações - acabou por avançar sozinho.

Graças à insistência -- rejeitou a possibilidade de fazer a entrevista em inglês -- vai ganhando desenvoltura no português.

Ismail considera que há "países da Europa que ajudam os refugiados", mas lamenta a falta "de um plano".

"Fugimos da guerra para uma nova vida, precisamos de um plano", sublinha.

Conta com o apoio da Santa Casa da Misericórdia para alugar um quarto em Lisboa, mas tem tido dificuldades em arranjar um trabalho que possa conciliar com o segundo ano do mestrado que começou agora.

Lamenta também a demora nos serviços de saúde - "esperei um ano e meio por uma consulta", desabafa -, mas garante que gosto de estar em Portugal e só sairá se não conseguir encontrar emprego.

Também Daud se mostra agradado com o trabalho e acolhimento dos portugueses que "não fazem muita diferenças em relação aos muçulmanos".

O pior é o dinheiro. "É pouco", reconhece.

O Refugees IN vai exibir filmes dos seis países parceiros: Portugal, Grécia, Irlanda, Eslovénia, Itália e Alemanha.

O projeto dirige-se sobretudo a educadores de adultos e organizações que trabalham com refugiados, mas visa igualmente sensibilizar a opinião pública para a promoção de uma sociedade mais coesa e inclusiva.

Segundo Maria Helena Antunes, da consultora AidLearn, que coordena o Refugees IN, os documentários "são um instrumento fabuloso", não só para os refugiados refletirem e dramatizarem sobre as suas próprias vidas, num processo "catártico" em que podem partilhar as suas experiências, "algumas delas bem traumáticas", e identificar-se com outros que fizeram percursos de inclusão semelhantes, mas também para desenvolverem competências.

Além dos documentários, aos quais serão atribuídos prémios pelo público, realiza-se uma conferência onde responsáveis nacionais e internacionais vão debater questões como a situação dos refugiados em Portugal e na Europa e desafios e estratégias para a inclusão social dos refugiados.

Será também exibido o filme "Lampedusa in Berlim", numa sessão em que estará presente o realizador Mauro Mondello.

O projeto é financiado pelo programa Erasmus + da Comissão Europeia. Além da AidLearn conta com entidades parceiras como o Hamburger Volkshochschule (Alemanha), Associação Centro de Estudos da Cidade de Foligno (Itália), Universidade Eslovena para a Terceira Idade (Eslovénia), Instituto de Arte, Design, e Tecnologia -- Dun Laoghaire (Irlanda) e Conselho Grego para os Refugiados (Grécia).

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