Meteorologia

  • 24 MAIO 2022
Tempo
15º
MIN 14º MÁX 20º
Imobiliário Habitação Moradores da Estrada do Loureiro em ...

Moradores da Estrada do Loureiro em Lisboa pedem habitação municipal

Os moradores da Estrada do Loureiro, em Lisboa, onde a câmara tomou posse administrativa dos terrenos para proceder a obras urgentes, manifestaram preocupação com o fim dos contratos de arrendamento, solicitando ao executivo a atribuição de habitação municipal.

Moradores da Estrada do Loureiro em Lisboa pedem habitação municipal

"Recebemos todos uma carta do senhorio a dizer que não nos renova os contratos de arrendamento, daí a nossa situação de desespero, pois moramos ali há muitos anos e somos pessoas de fracos recursos, a maioria reformados com pensões muito baixas", afirmou Ana Maria Ramos, representante dos cerca de 20 moradores do pátio 1 da Estrada do Loureiro, com casas encostadas à escarpa do cemitério dos Prazeres.

A intervir na reunião pública da Câmara de Lisboa, a representante dos moradores disse que a situação é de "uma grande aflição", porque estão em risco de "ficar na rua assim que a obra terminar", referindo que o seu contrato de arrendamento termina no final de abril, mas o de outros moradores acabou em dezembro.

A necessidade de estabilizar a escarpa obrigou os moradores a abandonar as casas, para que a Câmara de Lisboa procedesse a obras urgentes, que se iniciaram em fevereiro de 2021, após a tomada da posse administrativa daqueles terrenos, assumindo o município o realojamento temporário dos residentes das habitações até à conclusão da intervenção.

"As nossas casas no pátio estão em muito mau estado, o senhorio nunca fez qualquer melhoramento, daí estarmos inscritos há anos no programa de apoio à habitação da câmara", indicou Ana Maria Ramos, apontando que "há muitas casas camarárias devolutas" junto a zona onde vivem na Estrada do Loureiro.

Lembrando que a câmara está a pagar "milhares de euros" pelo realojamento temporário, a representante dos moradores questionou se "não será possível nesta situação ter o apoio da atribuição de uma casa".

Em resposta, a vereadora da Habitação, Filipa Roseta (PSD), disse que "a câmara está e continua a apoiar" os moradores, que "vão voltar para as casas" assim que a obra terminar, reforçando que "não há outro cenário".

Sobre a venda dos imóveis e o fim dos contratos de arrendamento, situações denunciadas pelos vereadores PCP, Filipa Roseta afirmou que "a câmara não tinha notícia nenhuma que as casas estavam a ser vendidas", assegurando que os proprietários "não podem vender, porque vão ter este ónus que é o custo das obras sobre as suas próprias propriedades".

"A obra está em curso, estima-se que acabe em fevereiro", e o custo final da intervenção deverá ser "à volta dos três milhões de euros", adiantou a vereadora da Habitação, reforçando que o mesmo vai ser imputado aos proprietários.

Antes da intervenção da representante dos moradores, os dois vereadores do PCP, João Ferreira e Ana Jara, já tinham levantado questões sobre este problema, defendendo que "a câmara não deve ficar à margem" da situação que se verifica de oposição à renovação dos contratos de arrendamento por parte do senhorio, alertando que os proprietários podem ressarcir a autarquia das obras e vender os imóveis e, "se calhar, ainda fazem um bom negócio".

Em dezembro de 2020, sob a presidência de Fernando Medina (PS), a Câmara de Lisboa aprovou a realização de uma empreitada urgente de estabilização da escarpa a leste da Estrada do Loureiro, na freguesia da Estrela, que implicou o realojamento temporário de moradores, no valor de 2,8 milhões de euros.

Leia Também: Por que razão é pedido para fazer seguro de vida num crédito à habitação?

Campo obrigatório