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Sónia Paixão, a mulher que quer devolver a liderança socialista a Loures

António Costa estará este sábado na candidatura de Sónia Paixão, a socialista escolhida para o 'assalto' à liderança da Câmara Municipal de Loures que pertence a Bernardino Soares, da CDU.

Sónia Paixão, a mulher que quer devolver a liderança socialista a Loures
Notícias ao Minuto

08:00 - 20/05/17 por Inês André de Figueiredo

Política Partido Socialista

Sónia Paixão tem 39 anos e é a candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal de Loures, tendo como principal objetivo recuperar uma autarquia que foi do PS 12 anos seguidos, pela liderança de Carlos Teixeira, e que ficou nas mãos de Bernardino Soares nas últimas eleições autárquicas.

A socialista é vereadora da Câmara desde 2009, na oposição nos últimos quatro anos, e a sua vida política é dedicada principalmente às pessoas e ao Estado Social. Apesar de não ser uma cara tão conhecida como Bernardino Soares, Sónia acredita que o seu trabalho irá ser reconhecido e que será a próxima presidente da Câmara de Loures.

A apresentação oficial da candidatura à autarquia de Loures realizar-se-á este sábado e contará com António Costa, uma presença muito valorizada pela socialista. Em conversa com o Notícias ao Minuto, a candidata escolhida pelo PS enfatizou que no lugar de Bernardino Soares teria feito diferente, enumerando alguns dos objetivos para o próximo mandato, caso vença as autárquicas.

Como surge o nome Sónia Paixão na corrida à Câmara Municipal de Loures?

Surge naturalmente, pelo facto de ter estado sempre ligada à Câmara Municipal de Loures nos últimos anos, de 2009 até 2013 como vereadora executiva e de 2013 a 2017 como vereadora da oposição, numa oposição construtiva, presente e onde se fez um caminho para que eu hoje possa ser a candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal de Loures.

O convite surgiu por parte do Partido Socialista?

Foi um processo interno que os partidos democráticos levam a cabo, passei por esse processo, no fim do qual ficou o meu nome como a pessoa que liderará a lista à Câmara Municipal de Loures.

Acredita que era o nome mais bem colocado do partido para abraçar este desafio?

Com certeza que sim, sem dúvida absolutamente nenhuma.

Em termos pessoais, como é ser uma mulher a candidatar-se à câmara municipal, há uma relevância especial?

Acho que há relevância pelo facto de ser a primeira vez que o PS apresenta uma mulher [em Loures]. Há vários fatores que podem ser tidos em conta. As mulheres têm uma enorme sensibilidade, eu sou efetivamente uma pessoa com grande sensibilidade, tenho um grande conceito de família, e a ambição do meu programa é ter o melhor concelho para as famílias poderem residir no contexto da Área Metropolitana de Lisboa.

A família tem vindo a perder as caraterísticas mais fortes, acho também que o facto de ser mulher poderá fazer outras mulheres irem às urnas. Mas, sobretudo, aquilo que quero, independentemente de ser mulher ou homem, é dar o meu melhor, pôr o melhor de mim do ponto de vista pessoal e profissional neste grande projeto. Eu faço-o com paixão e todos os que estão comigo também têm este grande sentimento pelo nosso concelho.

O trabalho que fez na Câmara de Loures enquanto vereadora, desde 2009, teve como principal foco as pessoas. O que diria a essas mesmas pessoas sobre os seus objetivos para a cidade?

Que continuem a reconhecer o trabalho que fiz por elas e que acreditem que tenho a capacidade e a motivação de ainda querer fazer muito mais e melhor. São as pessoas que movem os autarcas, é este o princípio que defendo e a promoção da sua qualidade de vida. É isso que, tenho a certeza, farei enquanto presidente da Câmara Municipal de Loures: levar a cabo um conjunto de políticas autárquicas que cada vez mais consigam promover essa mesma qualidade.

Quando falamos em qualidade de vida é naturalmente falar de mais habitação, e nomeadamente promover habitação para jovens, para conseguirmos captar mais pessoas para residirem no concelho de Loures, é também ter um concelho com mais equipamentos sociais, quer seja na área da infância, quer seja na área dos seniores e também de apoio às pessoas portadores de deficiência. É ter um concelho em que o espaço público seja de fruição, que apele às relações de vizinhança, à partilha entre as famílias, é também um concelho em que a atividade física e a prática desportiva está na sua agenda do dia a dia, que a promoção da cultura está presente não esporadicamente mas no quotidiano das suas gentes.

É todo um conjunto de áreas sob as quais pretendo intervir. Sem qualquer hierarquia entre as mesmas, também darei especial atenção às questões relacionadas com o emprego. Tudo farei para que em Loures tenhamos cada vez mais possibilidade de captação de investidores, de nos abrirmos àquelas que são hoje as novas realidades do mercado, como as startups, as incubadoras de empresa, que é uma forma de ajudarmos o empreendedorismo jovem. 

Acredita que as pessoas reconhecem o seu trabalho enquanto vereadora?

Quem teve oportunidade de estar próximo do meu trabalho conhece-o e creio que o valoriza. Terá certamente de ajudar a passar aos demais e, a partir do momento em que se vê um rosto novo a candidatar-se, creio que também desperta a curiosidade para tentar perceber um pouco mais de mim. As ferramentas que teremos à nossa disposição vão dar-me a conhecer cada vez mais. Não tenho a veleidade de dizer que sou tão conhecida como o atual presidente de Câmara que foi durante muitos anos líder parlamentar e que tem um mediatismo muito superior ao meu, mas isso não me amedronta nem me faz sentir diminuída.

Promete às populações “um concelho amigo das famílias, bom para viver e trabalhar, com respostas sociais de qualidade nas áreas da infância, cuidados de saúde e apoio aos seniores, com habitação para os jovens, planeamento e reabilitação urbanos, emprego e oportunidades para todos”. Trata-se de uma transformação completa de Loures em termos sociais?

Nós tivemos na gestão da Câmara Municipal durante 12 anos, onde recebemos uma herança de mais de 20 anos de uma liderança do Partido Comunista, com um grande atraso do ponto de vista das infraestruturas, sejam elas de que natureza for. 

Estes anos de governação socialista foram interrompidos por estes quatro anos de praticamente um marasmo com uma desculpa de questão financeira para pouco ou nada ser feito. Aquilo que pretendemos é voltar a proporcionar o trabalho, a obra à população de Loures.Temos excelentes associações de caráter cultural, desportivo, recreativo e também no domínio da intervenção social e é com eles que me vejo a trabalhar, porque partilho de um princípio que só conseguimos fazer mais e melhor se tivermos todos a trabalhar para o mesmo fim e trabalharmos em rede.

O principal adversário do PS nestas eleições é o atual presidente Bernardino Soares, que sucedeu a Carlos Teixeira que esteve no poder 12 anos. Depois de uma mudança de rumo há quatro anos, acredita que a população quer voltar a uma autarquia socialista?

Acho que sim. Acho que vai querer primeiro voltar a uma liderança do partido socialista, que vai querer experimentar uma liderança no feminino, é a primeira vez que tem a oportunidade de ter pelo PS um rosto feminino, e estou certa de que a população do concelho de Loures saberá reconhecer a obra que nós deixámos feita. 

Sendo vereadora da Câmara de Loures, como avalia o mandato do presidente Bernardino Soares?

Não me compete a mim fazer grandes juízos de valor sobre o trabalho da atual câmara, porque certamente não tenho fatores a valorizar grandemente. Tenho a dizer que se estivesse como presidente de Câmara em várias áreas de atividade faria mais e melhor.

Uma câmara socialista está do lado das pessoas e quer ir ao encontro daquilo que são as suas reais necessidades e, para isso, se tiver de comparticipar, a Câmara está ao lado do Governo para conseguir concretizar aquele objetivo. Ao passo que quando temos autarquias de outra força política, nomeadamente do PCP, a política é reivindicar e não estão do lado do encontro das soluções.  Aliás, não é novo para quem conhece Loures, o hospital foi sempre uma ambição que durante 20 anos não conseguiram concretizar. Mas o PS enquanto executivo municipal muito se orgulha de ter feito parte da solução para a construção do Hospital de Loures.

Numa entrevista ao Notícias ao Minuto, Bernardino Soares garantiu que herdou uma câmara em “muito mau” estado, com dívidas a fornecedores, e que foi necessária uma verdadeira reviravolta. Em que estado espera encontrar a câmara, caso vença?

Eu sei o estado em que vou encontrar a Câmara porque como vereadora da oposição tenho acesso às contas da Câmara e sei que de um ponto de vista financeiro está estabilizada e, portanto, não faria o mesmo que fez o Bernardino Soares quando tomou posse. Falou, falou, falou das contas, e existia um passivo do mandato anterior, que é recorrente, mas o que é certo que em Loures conseguiu-se estabilizar rapidamente as finanças da Câmara.

Se a Câmara tivesse ficado no tal estado que apregoou não teria oportunidade de em meio mandato resolver a situação e ter a oportunidade de contração de um empréstimo. A questão financeira não deve e não será o bode expiatório para nada fazer. O marasmo com que foram vividos estes quatro anos na Câmara Municipal de Loures, grande parte deles sem qualquer obra nova - as obras que estão a decorrer são agora muito próximas do fim do mandato -, houve um conjunto de projetos que ficaram praticamente ao abandono. Não é isso que defendemos e daí termos a convicção de fazer mais e melhor.

A justificação de que as obras não foram feitas para repor as contas da Câmara não é aceite?

Não, não é aceite por mim de maneira nenhuma. Acho que não havia certamente a noção de que obras é que quereriam fazer porque no programa não estavam também muito identificadas. Acho que houve uma fase de adaptação a esta gestão demasiado longa, de grande inércia e inatividade durante os primeiros anos de mandato e que está à vista que agora tem de estar tudo em simultâneo a ser desenvolvido.

Esta candidatura é apoiada pelo Partido Socialista, e António Costa marcará presença na sua apresentação deste sábado. Qual a relevância de ter o líder socialista ao seu lado?

É toda. O Partido Socialista, como disse António Costa muito recentemente na nossa convenção autárquica, quando vai a jogo é para ganhar e vamos para ganhar em equipa e em união como só assim o Partido Socialista sabe estar. É um grande gosto, uma grande honra e um privilégio poder contar com o nosso secretário-geral na apresentação da minha candidatura este sábado.

Os bons resultados apresentados pelo Governo poderão ser uma ajuda a uma vitória do PS em Loures?

Todos os fatores são importantes quando estamos neste processo. Certamente que sim, certamente que outros fatores se associarão a estes. As nossas propostas, as nossas equipas, a nossa capacidade de fazer chegar a mensagem ao eleitor e sobretudo a capacidade que todos queremos ter cada vez mais, de chegarmos o nosso pensamento àqueles que não têm acreditado nos políticos. Eu espero merecer a militância desses que não se têm revisto nos vários projetos e por isso possa contribuir para reduzirmos a abstenção que tem sido verificada ao longo dos últimos processos autárquicos.

Que palavras quer dirigir às pessoas que se vão dirigir às urnas em outubro para escolher o presidente da Câmara de Loures?

Que Loures merece mais. Merece mais emprego, mais segurança, mais e melhor transporte público, mais e melhores respostas sociais, mais e melhor educação e, por isso, tenho a certeza de que a confiança dos lourenses será depositada em nós no próximo do 1 de outubro.

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