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Quercus alerta para falta de alimento para aves necrófagas

A associação ambientalista Quercus mostrou-se hoje preocupada com a falta de alimento que está a afetar as aves necrófagas no Parque Natural do Tejo Internacional e que tem levado a uma concentração anormal de abutres no alimentador do Monte Barata.

Quercus alerta para falta de alimento para aves necrófagas
Notícias ao Minuto

14:38 - 12/11/15 por Lusa

País Tejo Internacional

"Nunca tínhamos visto uma concentração tão grande de abutres. Temos visto 100 indivíduos, mas 270 num único dia é muito. É quase toda a população do Tejo Internacional", disse hoje à agência Lusa Samuel Infante da Quercus.

O alimentador do Monte Barata está localizado no concelho de Castelo Branco.

Segundo o ambientalista, o problema da falta de alimento "é um dos mais graves" que afeta estas espécies e recordou que a única zona do país onde existe uma população de abutres pretos a reproduzir (espécie que esteve extinta em Portugal quase 40 anos) é, precisamente, no Parque Natural do Tejo Internacional.

Samuel Infante adiantou ainda que a situação da falta de alimento torna-se ainda "mais preocupante" quando se tem verificado, nos últimos dois anos, que "mais de metade dos casais de abutres efetuam posturas, mas as crias acabam por morrer jovens nos ninhos, com falta de comida".

"Houve muitas posturas, as crias nasceram e morreram na mesma altura, claramente devido à falta de alimento. Não é uma questão infecciosa", sustentou.

Para o ambientalista, o problema já não é novo e começou a surgir com o aparecimento da encefalopatia espongiforme bovina, vulgarmente conhecida como doença da vaca louca ou BSE, data a partir da qual passou a ser obrigatório recolher carcaças de animais dos campos.

"Atualmente, com o problema da tuberculose nos veados, muitas carcaças que estavam a ser deixadas nos campos deixaram de o ser. Temos uma redução de alimento muito significativa e a carne que estava disponível para estas aves deixou de estar", disse.

Segundo o responsável da Quercus, a solução passa pelo cumprimento das diretivas comunitárias europeias.

"Em Espanha, por exemplo, já se está a deixar fora dos alimentadores carcaças que não tenham problemas sanitários. É também preciso melhorar e recuperar os alimentadores que existem, muitos estão desativados", explicou.

Samuel Infante entende não fazer sentido, em zonas onde não há problemas sanitários, que se recolham as carcaças dos campos e defende que estas possam voltar a ser ali deixadas.

"Não faz sentido que venha um carro do Alentejo ou do Norte buscar um animal (cavalo ou vaca) que morreu com uma pata partida. É necessário rever essa diretiva", adiantou.

No Parque Natural do Tejo Internacional existem três alimentadores para aves necrófagas, um em Vila Velha de Ródão, outro no Monte Barata e outro em Rosmaninhal (Idanha-a-Nova), sendo que este último está desativado.

Recentemente, no alimentador do Monte Barata concentraram-se, num só dia, 270 abutres de várias espécies (48 abutres pretos, sete milhafres, uma águia real e 214 grifos) devido à falta de alimento.

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