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Brasil aumenta investimento em desenvolvimento internacional em oito anos

O investimento em Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi) aumentou 61% entre 2005 e 2013, tendo existido uma aposta noutros países de língua portuguesa, de acordo com um relatório lançado hoje em Brasília.

Brasil aumenta investimento em desenvolvimento internacional em oito anos
Notícias ao Minuto

17:16 - 29/11/16 por Andreia Nogueira

Mundo Cobradi

No documento "Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional: 2011-2013", lê-se que a cooperação brasileira atuou em 159 países e totalizou "gastos na ordem de 2,8 mil milhões de reais [777,9 milhões de euros] no período 2011-2013, destacando-se a prevalência de dispêndios com organismos internacionais (53%)".

A Cobradi divide-se ainda em cooperação técnica, educacional, científica e tecnológica, humanitária, apoio e proteção a refugiados e operações de manutenção da paz.

O relatório, lançado pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada e pela Agência Brasileira de Cooperação, esclarece que o Brasil é um país que se afasta do "conceito de doador tradicional", porque prioriza "a troca de experiências e o uso da máquina pública", sendo ainda um país recetor de ajuda.

Na cooperação técnica, Moçambique aparece como o maior país recetor com 19,7 milhões de reais (5,47 milhões de euros) nos três anos, seguido de São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, o grupo Benim, Burkina Faso, Chade e Mali, Guiné-Bissau, enquanto Angola aparece como 9.º maior recetor e Cabo Verde em 13.º.

O Brasil recebeu equipas técnicas de vários países para partilhar o seu conhecimento em, por exemplo, políticas de proteção social e de produção e comercialização de alimentos (Moçambique), programas de cisternas (Timor-Leste), políticas de segurança alimentar e nutricional (Guiné-Bissau).

Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram dos países beneficiados por apoio em desenvolvimento urbano e inclusão bancária.

Em direitos humanos, o Brasil cooperou com Timor-Leste, países lusófonos em África, entre outros, lê-se no relatório, segundo o qual em 2011, por exemplo, a secretaria dos Direitos Humanos "atuou no registo de nascimento na Guiné-Bissau, sendo o órgão brasileiro responsável pela transferência de conhecimento para aquele Governo".

Na pesquisa agropecuária, são citados vários apoios, como "assistência técnica e formação de curta duração a 105 pesquisadores angolanos", implementação de equipamento de irrigação para evitar o desperdício de água em Cabo Verde, transferência de tecnologia e desenvolvimento do setor algodoeiro em Moçambique e formação a técnicos timorenses em produção de leite e pasto.

Na área da pesquisa económica aplicada, o documento dá conta de acordos de cooperação técnica com o Instituto Superior Técnico (IST), de Portugal, e o Ministério da Coordenação Económica de Angola, entre outros.

Quanto à saúde pública, o Brasil cooperou, por exemplo, em bancos de leite humano com Moçambique e Cabo Verde, em saúde materna e medicamentos antirretrovirais com Moçambique e em saúde pública com Angola.

Moçambique e Cabo Verde também beneficiaram da cooperação com o Brasil em vigilância sanitária e epidemiológica.

Segundo o relatório, nos três anos, o Brasil recebeu 992 estudantes, 74% dos quais africanos, com destaque para angolanos (158), cabo-verdianos (169) e guineenses (173), sendo também os países de língua portuguesa dos mais apoiados com bolsas de estudo.

O Brasil investiu, por exemplo, na qualificação de docentes e no ensino de português em Timor-Leste, em bolsas para investigação em áreas relevantes para o governo moçambicano e na formação de diplomatas dos restantes Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), exceto Portugal.

Na cooperação científica e tecnológica, em 2013, foram financiados cinco projetos científicos com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), de Portugal, segundo o relatório, que informa ainda sobre a cooperação entre o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) com investigadores portugueses.

No documento, lê-se que 90% das doações em cooperação humanitária articuladas pelo Ministério da Saúde destinaram-se a antirretrovirais, beneficiando vários países, como Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Na área de cooperação humanitária, o Brasil contribuiu também para a aquisição de alimentos em países lusófonos.

Quanto ao apoio e proteção a refugiados, importa destacar que os angolanos representavam um dos maiores grupos acolhidos no Brasil.

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