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Reabilitação Respiratória: "Aprendi a respirar e a gostar de viver"

No Dia da Reabilitação Respiratória, que se assinala esta sexta-feira, 21 de abril, o Lifestyle ao Minuto falou com um especialista e um paciente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e fala-lhe sobre a importância da reabilitação respiratória.

Reabilitação Respiratória: "Aprendi a respirar e a gostar de viver"
Notícias ao Minuto

07:14 - 21/04/17 por Vânia Marinho

Lifestyle Saúde

A reabilitação respiratória é tão importante como os fármacos” para ajudar as pessoas com doença respiratória crónica, sublinha Paulo Abreu, fisioterapeuta e gestor clínico do AIR Care Centre - Centro de Reabilitação Respiratória da Linde.

Está provado que “na maioria destes doentes, os fármacos isoladamente não são suficientes para que melhorem a sua qualidade de vida, a sua capacidade física e a sua tolerância ao esforço.”

Portanto, eles precisam de entrar em programas de reabilitação, fazer exercício físico de forma controlada e individualizada em função das suas necessidades e outras intervenções”, sublinha.

Nem todas as pessoas com doença pulmonar crónica têm de fazer reabilitação respiratória, mas as que se cansam facilmente, não conseguem fazer esforços que antes faziam e têm grandes dificuldades em respirar devem ter indicação para fazer este tipo de tratamento.

As doenças que tendencialmente exigem este tipo de intervenção ainda pouco conhecida são: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC - doença de que lhe falámos aqui), fibrose pulmonar, bronquiectasias (dilatações dos brônquios), infeções respiratórias repetidas, lesões dos brônquios e acumulação de muco, cancro do pulmão, asma mal controlada, sequelas de tuberculose ou doenças menos comuns como fibrose quística, doenças neuromusculares ou deformidades do tórax.

A reabilitação respiratória, a que só 1% dos estimados 800 mil doentes com DPOC tem acesso, é uma “intervenção abrangente, multidisciplinar que tem como pilares centrais de intervenção a avaliação minuciosa, o exercício físico e a educação ”, descreve Paulo Abreu.

Atualmente, há apenas cerca de 20 centros mais ou menos especializados no país, mas estão quase todos centrados nos hospitais, o que pela combinação de diferentes áreas de intervenção e lista de espera acaba por gerar um problema de acessibilidade.

O Tenente Coronel João Martins, que em 2014 descobriu que sofria de DPOC após um colapso cardiorrespiratório, é uma das poucas pessoas que teve acesso à reabilitação respiratória e que graças à sua carreira militar só teve de pagar metade dos custos das cerca de 40 sessões que fez.

Mas conta ao Lifestyle ao Minuto que o que aprendeu e ganhou na reabilitação respiratória vale cada cêntimo. Aprendi a respirar e a olhar para mim não como um doente mas como uma pessoa. Aprendi a gostar de viverAntes da reabilitação, João Martins “tinha medo de ir para a rua”, pois temia sentir-se mal. No centro de reabilitação respiratória, a que chama de “pequeno ginásio virado para doentes respiratórios”, aprendeu várias técnicas que lhe permitem poupar energia e fôlego mantendo uma vida o mais normal possível, nomeadamente a gerir o oxigénio portátil que leva para todo o lado. Percebeu também a importância do exercício para conseguir manter os músculos fortes, e está até preparado para a eventualidade de uma crise chegar – os especialistas partilham vários sinais a reconhecer e um plano de ação.

O Dr. Paulo Abreu destaca que nas várias sessões de reabilitação respiratória, que são ajustadas a cada doente mediante o seu caso concreto, é possível aprender a melhorar a capacidade física com exercício, adquirir técnicas para remover o muco, controlar a respiração, conservar energia, partilhar a sua experiência e conhecer a dos outros, aprender mais sobre a sua doença e sobre como ela pode ter impacto nas várias áreas da vida.

Refira-se que foi publicado em Diário da República que até ao fim do ano de 2017 todos os agrupamentos de centros de saúde devem ter acesso a tratamentos de reabilitação respiratória, de acordo com as necessidades dos utentes e a sua distribuição geográfica. Paulo Abreu diz que este prazo será demasiado otimista, mas que já estão a fazer-se esforços para tentar perceber de que forma é que esta meta pode ser cumprida. Por fim, comenta o especialista que a cooperação entre o Sistema Nacional de Saúde e o setor privado pode ser muito importante para que mais pessoas tenham acesso a este tratamento.

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