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Deltrain fabrica comboios turísticos 100% ao gosto do cliente

É dos quintais de uma casa em Maçã, Sesimbra, que saem anualmente comboios turísticos "100% ao gosto do cliente" fabricados pela empresa familiar Deltrain para destinos tão diferentes como Europa, América Latina, Japão e Vietname.

Deltrain fabrica comboios turísticos 100% ao gosto do cliente
Notícias ao Minuto

10:00 - 17/01/16 por Lusa

Economia Sesimbra

A fábrica da Deltrain nasceu em 1997, depois de Humberto Delgado, pai do atual gestor da empresa, ter ido de viagem com a família à cidade de Lourdes, nos Pirenéus, onde viu pela primeira vez um pequeno comboio turístico que se tornou na inspiração para lançar o negócio, então inovador em Portugal.

"A Deltrain começa com uma ideia do meu pai quando fomos ao estrangeiro, a França, onde viu estes comboiozinhos a passar e quis trazer a ideia para Portugal. [...] Em 1997 fizemos a primeira unidade e a partir daí tem sido sempre a evoluir", contou à agência Lusa Humberto Lopes, o administrador da Deltrain, a única empresa portuguesa cujo fabrico e comercialização de comboios turísticos são certificados pelo TÜV (sistemas de gestão da qualidade e ambiente).

Hoje, com quase 100 comboios de passeio a circular pelo mundo, 40 em Portugal, de norte a sul e ilhas, e 56 no estrangeiro, as encomendas não param de chegar.

Depois de um interesse inicial manifestado sobretudo pelo mercado doméstico, a Deltrain rapidamente captou a atenção do estrangeiro. Em 1998, vendeu o primeiro comboio para Espanha, em 2000 dois comboios para Porto Rico e a partir de 2006 começou a conquistar o mercado de Inglaterra, Geórgia e Guatemala. Hoje, França lidera o mercado europeu.

Aliás, o 'ex-libris' da empresa está prestes a seguir para Lyon, onde deverá estar a circular já em fevereiro. O Vision, um modelo citadino, é totalmente personalizado e diferente de todos os outros. Foi também o mais caro de sempre no histórico da empresa, num total de 250 mil euros, e levou mais do dobro do tempo a ser fabricado: 3.000 horas, dois meses de desenvolvimento e quatro meses de produção.

"A experiência com o Vision nasce da experiência de um cliente que apareceu numa feira, falou com o nosso agente francês, que disse: 'Eu preciso de um comboio mas tem de ser diferente do que o que vocês têm'. Nós dissemos: 'Tudo bem, mostre-nos a ideia que tem'. Ele mostrou-nos os desenhos e nós dissemos que nunca tínhamos feito nada assim, mas não baixamos os braços, fizemos a ideia que o cliente tinha em mente e que até o município [de Lyon] tinha exigido ao próprio cliente", contou, acrescentando: "Vi-me grego, mas compensou".

Usados em 'resorts', parques temáticos ou parques naturais, visitas históricas e zonas balneares, estes veículos, tipicamente de cores alegres, abertos ou fechados, são visíveis em Portugal em locais como Vila Nova de Foz Côa, Câmara de Lobos, na Madeira, ou na Quinta da Bacalhôa, em Setúbal, onde são produzidos os vinhos desta marca.

Na Europa, além de Espanha, França e Inglaterra, são também clientes a Letónia, Suécia, Dinamarca, Croácia, Bélgica, Grécia e mais recentemente Suíça, para onde está a ser produzido o primeiro comboio totalmente português. E, fora do espaço europeu, já partiram de Maçã comboios para a Malásia, Vietname ou Turquia.

Mas o caminho nem sempre foi fácil e, depois de "uma queda bastante grave" em 2014, na sequência da contração francesa e da crise em Portugal, 2015 revelou-se o melhor ano de sempre, com dez unidades fabricadas e vendidas e uma faturação de mais de 1,6 milhões de euros.

"Em 2014, tivemos realmente uma queda bastante grave dado que o mercado francês contraiu-se por haver eleições e em Portugal nós sempre combatemos isto de Portugal estar sob intervenção do FMI [Fundo Monetário Internacional]. Mas foi difícil, transformamos a empresa de Lda em S.A., certificámos a empresa e abrimos as portas para que todos os clientes pudessem ver a empresa [...] e perceberem onde estavam a meter o seu dinheiro. Não era uma aposta, era certo que iam ter o seu comboio", contou.

Para 2016, a Deltrain conta atingir uma faturação de dois milhões de euros, alargando as vendas sim, mas não de forma massificada, com encomendas até 2018.

"Além do de Lyon, as próximas entregas são dois comboios para a Guatemala, um para a Suíça, três para França e está a ser desenhada uma nova locomotiva para Versalhes", disse Humberto Lopes, adiantando que já decorrem conversações com os Emirados Árabes Unidos, "um mercado interessante" que pede "equipamento diferente, com visual futurista e motorização elétrica".

Com 15 trabalhadores, dez dos quais na produção, a empresa tem clientes como a Transdev ou o Ritz Carlton e está a ser sondada pela Disneyland.

Sobre a concorrência pouco diz, apenas que, tendo em conta a relação qualidade/preço, "só considera verdadeiramente como concorrência uma empresa estrangeira".

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