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As duas rodas chegam ao São Jorge com o Motorcycle Film Fest

Um grupo de amantes de motociclos com vidas ligadas ao pequeno e ao grande ecrã juntaram-se mais uma vez para mostrar que no cinema há um novo movimento centrado nas duas rodas.

Notícias ao Minuto

09:30 - 20/05/17 por Bruno Mourão

Cultura Festival

Casacos de cabedal, motas personalizadas, tatuagens... os estereótipos de amantes de motas são os mesmos há muitos anos. Apesar de existirem cada vez mais adeptos das duas rodas, existem ainda poucas pessoas com noção do movimento artístico que envolve estes veículos únicos. 

Para dar a conhecer o trabalho que se faz na área do cinema motociclístico, Manuel Portugal e Joaquim Horta juntaram forças e utilizaram os conhecimentos e a rede de contactos contruídos durante anos no mundo do cinema, televisão e fotografia e decidiram organizar o Lisbon Motorcycle Film Fest

Nos dias 2, 3 e 4 de junho, o cinema São Jorge será palco da edição deste ano do evento, com direito a muitas curtas, algumas longas metragens, discussões com realizadores e atores e até convívios entre os participantes. 

O Notícias ao Minuto esteve presente na festa de apresentação do Motorcycle Film Fest, na Officina Moto, e teve oportunidade de falar com Manuel Portugal, um dos organizadores e amante confesso das duas rodas. Conheça as respostas e veja na galeria algumas das melhores imagens do espaço onde foi feita a apresentação.  

Como é que surgiu a ideia de fazer este festival? 

Surgiu de algumas 'tertúlias' de adeptos das motas. O Joaquim está ligado ao cinema, eu sou fotógrafo e ambos gostamos de motas; começámos a aperceber-nos de que estava a surgir um movimento, principalmente nas curtas, com muitos filmes de qualidade e que não havia divulgação suficiente desse movimento cultural. Aém disso queríamos dar força e alguma dignidade às motas, que são mal-amadas e um pouco mal vistas, mas há muita coisa positiva a surgir com base nas duas rodas, até neste aspeto cultural. Por isso achámos que devia ser dado o espaço e o destaque merecido a esse movimento cultural e pensámos: "'bora' fazer um festival de cinema dedicado às motas!" [risos].

Hoje em dia já muito mais pessoas têm motas do que há alguns anos. A má fama dos motociclistas ainda se mantém? 

É verdade, a situação já está muito melhor. Mas acho que ainda há poucas pessoas que se apercebam de que existe um movimento artístico em torno das duas rodas, como já houve há algumas décadas. Nos anos 60 e 70 havia muitos artistas ligados às motas; depois, um período relativamente negro, e agora estão a aparecer de novo muitas pessoas que se identificam com as motas. Essas pessoas não são tão identificadas com os 'mauzões' do motociclismo, por isso as reações não são tão negativas, mas ainda há alguma incompreensão em relação a este movimento. 

A estrutura que escolheram para o evento foi baseada em filmes mais antigos ou mais recentes? 

Se repararem, nós chamamos ao evento 'Fest' e não festival para fugirmos à estrutura regrada de ter um júri e para escolhermos os filmes que queremos passar [risos]. Queremos que as curtas não tenham mais do que cinco anos. Nas longas, não é tão fácil, porque não há muita produção, mas nas curtas sim. Nas curtas é uma loucura! Há centenas, e uma oferta com muita qualidade. 

No segundo dia de evento estão a planear a realização de um passeio. Como vai funcionar? 

Vamos fazer como é costume nos festivais, um pequeno 'after party' para estarmos todos juntos com os atores e os realizadores. Ainda não sabemos onde vamos; na verdade, vamos sair do Cinema São Jorge e vamos para um sítio onde possamos ir... falar um bocadinho [risos]. Para nós é muito importante ter as pessoas ligadas aos filmes presentes no nosso evento. Vamos ter convidados dos Estados Unidos, da Austrália e essa é a maior fatia do nosso orçamento. É muito caro trazer as pessoas [risos], mas na nossa missão de dar visibilidade a este movimento, é importante trazer os atores, realizadores e todas as outras pessoas a defenderem o seu trabalho. 

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