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João Pina defende ensino da memória histórica na escola pública

O fotojornalista João Pina, que inaugura hoje em Lisboa a exposição 'Operação Condor' sobre as vítimas das ditaduras sul-americanas, nos anos 1970, defende a investigação e a preservação da memória histórica através do ensino público.

João Pina defende ensino da memória histórica na escola pública
Notícias ao Minuto

08:45 - 20/04/17 por Lusa

Cultura Operação Condor

"Espero que este trabalho contribua para um debate ou para o começo de uma reflexão sobre a 'Operação Condor' e a memória histórica e os reflexos dessas memórias no presente", disse à Lusa João Pina referindo-se também às vítimas da ditadura portuguesa cuja memória, sublinha, deve ser potenciada através do ensino.

"Preocupo-me com aquilo que nós não fizemos no pós-ditadura (1974) em relação à nossa própria memória histórica e que hoje se vai fazendo aqui e ali mas que é ainda muito pouco, na minha opinião, sobretudo na educação pública", refere o fotojornalista.

A exposição 'Operação Condor' é o resultado de nove anos de investigação e recolha de imagens em seis países da América do Sul e "um tributo à memória das vítimas" das ditaduras.

O pacto político e militar firmado em 1975 por seis países - Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai - para eliminar as várias correntes políticas e partidos da oposição provocou mais de 60 mil mortos.

O trabalho foi inicialmente exposto em São Paulo, Brasil, em 2014, tendo sido também editado o livro 'Condor - o plano secreto das ditaduras sul-americanas', pela editora Tinta da China, que vai ser novamente editado.

O livro de 246 páginas e com 175 fotografias evoca a memória das vítimas da "Operação Condor", mas também fotografa os autores dos atos de violência cometidos em nome das ditaduras que dominaram os vários países da América Latina nas décadas de 1970 e 1980.

João Pina afirma que "infelizmente" os acontecimentos vividos na América Latina são "bastante conhecidos em Portugal", em virtude das quase cinco décadas de ditadura, no século XX.

Por isso, o fotojornalista quis assinalar na exposição que vai ser inaugurada hoje em Lisboa uma "instalação especial" que está relacionada com Portugal através de um vídeo que pretende criar "o diálogo entre o que se passou na América Latina nos anos 1970 e o que aconteceu aos portugueses durante os 48 anos de ditadura.

"É uma coisa que eu filmei há uns dias. É um diálogo a pensar nas imagens da América Latina -- que neste caso são uma série de paisagens onde aconteceram coisas importantes durante a 'Operação Condor' e eu trago uma paisagem de Lisboa para dentro da exposição, em vídeo, e que esta ao lado das outras paisagens. É um convite à reflexão", explica João Pina.

O autor refere também que do ponto de vista fotográfico o assunto está "cumprido" mas admite filmar um documentário sobre a "Operação Condor" usando a investigação que já publicou.

"Ainda é um processo em curso, afirma acrescentando que todos os casos retratados na exposição e no livro devem ser motivo para refletir, "sem exceção".

"Não tenho um 'torturómetro' e não consigo medir a dor das pessoas e determinar qual foi a pessoa que sofreu mais. Todos eles são muito fortes e as histórias de todos eles estão lá e as legendas das imagens são importantes para que os visitantes da exposição percebam o que estas 26 pessoas retratadas passaram", sublinha.

A exposição que vai ser inaugurada hoje ao final da tarde no Torreão Poente da Praça do Comércio, em Lisboa, pode ser visita até ao mês de julho.

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